O técnico do Botafogo, Paulo Autuori, se posicionou firmemente mais uma vez contra o movimento de alguns clubes e autoridades pelo retorno aos treinos do futebol mesmo com os números de casos e vítimas do novo coronavírus em elevação no país. Ele afirmou que a decisão de alguns governantes terá a resistência da comunidade futebolística e disse que se recusa a retornar às atividades neste momento.

– Aos responsáveis da CBF, federações, presidente da República, governadores, prefeitos: nós, profissionais, somos pessoas como todas. Podemos dizer sim, em conjunto, que as condições ainda não estão favoráveis a um retorno. Eles estão pensando que vão definir e nós vamos aceitar isso passivamente. Me recuso a fazer isso como cidadão e como profissional. Que fique claro que não iremos servir às pessoas politicamente porque elas estarão tranquilas em casa vendo futebol. Isso é impensável, é uma grande sandice. Me preocupa muito responsáveis irem por esse caminho somente por interesses políticos ou financeiros. É incrível como as pessoas estão completamente fora do mínimo de bom senso e sensibilidade – afirmou Autuori, em entrevista coletiva online.

O técnico do Botafogo está em consonância com a opinião institucional do clube. Por outro lado, os presidentes de Flamengo e Vasco chegaram a ir a Brasília se reunir com o presidente Jair Bolsonaro, e tanto o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, quanto o governador, Wilson Witzel, fizeram movimentos para liberarem em breve o retorno aos treinos. Autuori disse que o momento é de preservar vidas.

– Estamos passando por um momento que ninguém previa, algo impensável, que veio de maneira devastadora. Nós, o Botafogo, somos muito claros sobre a possibilidade de retorno aos treinos agora. Temos muita vontade de voltar, como todo cidadão trabalhador. Mas não podemos confundir vontades com necessidades. Nossa vontade é voltar a trabalhar, mas as necessidades nesse momento são outras. Não dá para pensar que as pessoas vão conseguir um número exacerbado de testes para o futebol, porque tem que testar de forma contínua, e tirar do cidadão comum, que realmente necessita, para salvar vidas. Futebol é vida, e como tal precisamos preservá-las.

Fonte: Redação FogãoNET