O Botafogo não havia acumulado uma sequência tão ruim no Campeonato Brasileiro durante a temporada. O revés de 1 a 0 para o Fortaleza representou o terceiro resultado negativo na competição. É o pior retrospecto desde a chegada de Eduardo Barroca, que, é claro, carrega alguma responsabilidade pelo momento ruim do Alvinegro no ano. Diante do Tricolor, algumas decisões do treinador se mostraram, mais uma vez, equivocadas.

Na reestreia de Rogério Ceni, o Fortaleza apostou na objetividade. Quando estava com a bola, o Tricolor buscava acelerar o jogo. Não à toa, os principais jogadores foram os pontas, que sempre recebiam bolas longas – seja pelo alto ou no chão – e buscavam criar oportunidades através do um contra um, diante de duelos individuais com os laterais alvinegros. Deu certo. O Leão teve mais chances de marcar, principalmente no segundo tempo.

O Botafogo, por sua vez, apresentava uma usual dificuldade de marcação. A defesa batia cabeça quando um ponta do Fortaleza tinha a bola no lado do setor ofensivo e um lateral aparecia em velocidade, gerando liberdade para os cruzamentos. Com a bola, a sonolência de sempre. Era uma equipe que tinha a posse, mas pouco criava. Quando era a vez de um atleta do Glorioso ter a bola, ele não via nenhum companheiro por perto e era obrigado a tocar para trás. O espaçamento foi um dos fatores que ajuda a explicar a derrota.

– Eu entendo que o Botafogo ficou um pouco espaçado, mas para o segundo tempo, quando a gente precisou fazer um jogo mais direto, que não é muito a nossa característica, eu coloquei o Victor (Rangel) com o Diego (Souza), já que a gente estava com dificuldade de fazer a transição do meio para a frente. O Fortaleza estava com a vantagem, naturalmente se posicionando atrás da linha da bola e, quando a gente colocava a bola ou em cruzamento ou em conexão por dentro ou em bola disputada por cima, naturalmente nos momentos em que a gente perdia essa bola o jogo ficava um pouco mais de transição e não é uma característica nossa – afirmou Eduardo Barroca, após a partida.

A pressão foi mais um fator utilizado com sucesso pelo Fortaleza e pouco explorado no Botafogo. Com exceção dos primeiros minutos da etapa inicial, quando Cícero aparecia ao lado de Diego Souza quando não tinha a bola, o Glorioso pouco incomodou a saída de bola do Tricolor, que, pelo contrário, sempre estava presente para dificultar a vida dos zagueiros adversários.

Por mais que o Botafogo veja a posse de bola como uma forma de ter o jogo a seu controle, a equipe não pareceu incomodada quando o Fortaleza preparava seus ataques. Como de praxe, a pressão no campo adversário foi algo pouco visto, apesar das características ofensivas da equipe. Não à toa, os jogadores do Alvinegro desarmaram um adversário apenas seis vezes durante o duelo.

– Acho que a gente tentou em alguns momentos no primeiro tempo pressionar o Fortaleza. O Fortaleza, como estratégia, usa uma bola longa direcionada nos laterais e nos pontas, uma bola treinada, o Tinga e o Carlinhos fazem isso muito bem e, quando a gente pressiona, eles conseguem sair dessa pressão com essa bola longa. São agressivos e acabam ganhando essa segunda bola no nosso campo de defesa, mas acho que no primeiro tempo o Botafogo se comportou bem, criou chances – analisou Eduardo Barroca.

Por outro lado, o Fortaleza somou sete desarmes durante a partida, mas em sete tentativas para tal durante todo o duelo. Os botes certeiros explicitam a pouca energia do Botafogo com a bola no pé. Sempre encurralado e com mínimas opções para tentar uma triangulação, o time carioca foi uma presa fácil para o Tricolor, que neutralizou as tentativas ofensivas. Apesar de um primeiro tempo interessante, a produção alvinegra ficou devendo. De novo.

A falta de aproximação entre os próprios atletas, o baixo número de desarmes e a dificuldade para criar chances não são fatores que apareceram na 22ª rodada do Campeonato Brasileiro para o Botafogo. Neste período de derrotas, inclusive, estes itens são os mais recorrentes no futebol do Alvinegro. Eduardo Barroca, porém, insiste no mesmo modelo de jogo. Com 27 pontos até aqui, o Alvinegro estagnou na competição, mas, com a chegada da reta final, precisará, mais do que nunca, de um “choque” – seja pela mudança de postura ou de formação – para retomar o caminho das vitórias.

Fonte: Terra