O Atlético-MG tem um ótimo ataque, mas o Botafogo tem uma zaga ainda melhor. O Atlético-MG tem uma zaga fraca, mas o Botafogo tem um ataque ainda pior.

Caso pedissem um resumo sucinto do que foi o jogo entre os alvinegros no Horto, essa seria a minha resposta. Num confronto aberto e com falhas de ambos os lados, as características se anularam e o placar teimou em não sair do zero.

O Galo tem ótimas peças ofensivas, mas a zaga do Botafogo conseguiu anulá-las durante boa parte do jogo. Nas raras vezes que não conseguiram, Gatito interveio ou falharam na pontaria. Do outro lado, a zaga do Atlético deu espaço, mas o nosso setor ofensivo suou para criar uma chance ou outra – na melhor delas, Guilherme parou em Victor.

Vinnicius Silva/Raw Image/Gazeta Press

Vinnicius Silva/Raw Image/Gazeta Press
Guilherme teve a bola do jogo, mas chutou em cima de Victor

Vínhamos em evolução no setor ofensivo e melhorávamos a proposição de jogo a cada partida. No entanto, a ausência de Marcos Vinícius e a má fase de Pimpão deixaram Brenner isolado demais para ser participativo. Nas chegadas pelos lados, erramos muitos cruzamentos e pouco tabelamos buscando o gol.

Enquanto isso, o Atlético tentava entrar tabelando. Com seu talento natural, toques rápidos e muita movimentação, até envolviam nosso meio-campo em um lance ou outro – mas paravam em nossa consistência defensiva na hora do passe final.

No fim das contas, melhor para nós; empate fora de casa que nos colocou na quinta colocação, flertando com a vaga direta na fase de grupos – além de segurar um rival direto pela Libertadores a alguns pontos de distância na tabela. Na próxima rodada, pegamos o fluzinho em nossa casa e podemos encostar de vez nos líderes. Basta jogar, pois nosso time é muito melhor.

Notas

Gatito Fernández: 7
Esperto nas poucas vezes em que precisou interferir no jogo. Levou sorte na bola defensável de Rafael Moura, que explodiu na trave.

Arnaldo: 7,5
Segurou bem a onda no setor defensivo e fez grande jogada – que acabou desperdiçada por Guilherme.

Joel Carli: 7
Como sempre, muita dificuldade contra ataques rápidos – ainda assim, fez ótimo jogo e fechou bem a defesa, comandando a linha.

Igor Rabello: 7,5
Mais uma ótima atuação – apesar das cotidianas faltas desnecessárias perto da área. Cortou várias bolas por cima e por baixo.

Victor Luis: 6,5
Visivelmente debilitado fisicamente, foi bem menos participativo que o de costume. Pediu para sair quando não aguentou mais.

Matheus Fernandes: 8
Finalmente voltou a jogar bem. Excelente partida, muita personalidade e futebol de gente grande. Marcou muito, deu chapéu, ajudou a articular ataques e comandou o meio-campo. Esse é o Matheus que conheci na base.

João Paulo: 6,5
Incansável como sempre, mas faltou inspiração para ajudar mais na frente.

Bruno Silva: 6,5
A disposição de sempre para marcar, roubando diversas bolas. Porém, assim como João Paulo, hoje, contribuiu pouco no setor ofensivo. Errou passes demais.

Gilson: 5,5
Destoando de todos nas duas linhas de quatro, pecou demais no que costuma ser seu ponto forte – apoio e cruzamento. Atuação fraca.

Rodrigo Pimpão: 5
O pior do time em campo. Pouco participou, mesmo jogando à frente das linhas, sem obrigação de marcar como um extremo. Parece desconcentrado. Chegou a hora de pegar um banquinho.

Brenner: 5,5
Até tentou ajudar, buscando o jogo atrás e ensaiando algumas arrancadas, mas não conseguiu ser efetivo. Não teve oportunidades de concluir em gol.

Guilherme: 5,5
Aumentou a movimentação do ataque, mas errou algumas jogadas fáceis e perdeu o gol do jogo, chutando em cima do goleiro.

Vinicius Tanque: 5,5
Entrou para brigar e fez bons pivôs uma ou duas vezes. Fora isso, pouco apareceu.

Dudu Cearense: sem nota
Pouco tempo em campo, apesar de quase entregar uma bola cabeceando pra cima dentro da própria área.

Jair Ventura: 7
Tentou ajustar o time diante dos desfalques, mas o elenco é enxuto demais para fazer mais do que tem feito. Ainda assim, o time foi competitivo e teve a chance de vencer o confronto. Seu nível de trabalho em 2017 é muito bom – o que não significa que não possa melhorar.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC