Um jogo recheado de ingredientes, gols, peculiaridades e emoção. Pra quem vê de fora, foi um ótimo jogo. A nós, cabe analisar onde erramos e aprimorar os acertos pra que, da próxima vez, consigamos sair de campo com a vitória.

Era a estreia da Arena Botafogo. Todos sabem que eu jamais critico a torcida ou a culpo por qualquer coisa. Acho que poucas pessoas sabem entender e interpretar o que se passa com os botafoguenses – mas, hoje, ficamos devendo em público. Primeiro jogo da nova casa, mesmo que provisória, contra o maior rival. Eram cerca de 12 mil ingressos pra nós, apenas. Obrigação lotar.

Dito isso, vamos ao jogo. Particularmente, esperava outra postura do time. Mais agressivo, mordendo, indo pra cima. Mas o que se viu foi um time bagunçado, desestruturado taticamente e volúvel aos avanços do adversário. Entregou o primeiro gol – como viria a entregar outros dois – em falha coletiva e conseguiu buscar o empate no abafa ainda na primeira etapa, em belo gol de Diogo Barbosa.

No intervalo, Ricardo Gomes teve a chance de consertar a escalação errada que começou o jogo. Não o fez, e o preço pago foi caro. Com Pimpão perdido e improdutivo, Camilo esteve sobrecarregado e apagado. Em uma legítima paçocada do descompromissado Bruno Silva, o time do mal recuperou a bola na entrada da nossa área e fez o 2 a 1. O time se desesperou, se lançou ao ataque de qualquer maneira e, 10 minutos depois, os caras ampliaram em outra entregada – dessa vez, de Emerson.

Quando o gosto amargo de uma derrota pro rival na estreia da nova arena já parecia irreversível, o Botafogo surpreendeu. Com Neílton, Canales e Salgueiro, dominamos o meio-campo, aumentamos a posse de bola e passamos a pressionar. Em ótimo passe de Airton, Luis Ricardo encobriu Muralha e Neílton empurrou pra rede.

O time se empolgou, foi pra cima, os rivais recuaram e aceitaram nosso domínio. Camilo, agora com companhia, avançou pela esquerda e rolou pra Salgueiro. O gringo dominou, fez um lindo giro sobre o zagueiro e bateu seco no canto. Gol pra extravasar todos os sentimentos malucos e conflitantes que esse jogo louco ofereceu.

O jogo não foi como sonhávamos e o time, em boa parte do tempo, não atuou como esperávamos. Alternamos bons e maus momentos em campo, mas os 20 minutos finais mostraram um time aguerrido, organizado e empenhado. É o que queremos. De positivo, um pontinho que estava longe de vir e a cara de babaca dos urubus que cantaram vitória antes da hora. Hora de consertar os erros, que vão desde a escalação à organização tática e, principalmente, a postura individual. Entregamos dois gols de mão beijada e isso não pode acontecer.

Notas

Sidão: 6
O gol de Jorge não foi falha, mas a bola era defensável. De resto, não teve culpa.

Luis Ricardo: 7,5
Muito bem no apoio. Boa assistência pra Neílton. Tem melhorado.

Renan Fonseca: 3
Virou bobinho no lance do primeiro gol e perdeu diversas jogadas, principalmente as em velocidade. Não tem condições de ser jogador de Série A.

Emerson: 4
Um pouco melhor que seu companheiro, mas falhou bisonhamente no terceiro gol e colocou tudo a perder. Precisa de um puxão de orelha.

Diogo Barbosa: 7
Lindo gol de empate. Ainda um pouco tímido no apoio, mas também vem evoluindo.

Aírton: 8
Mais uma vez, o melhor em campo. Marcou, organizou a saída de bola e ainda participou do segundo gol. Fisicamente 100%, vira um dos melhores volantes do país.

Lindoso: 6
Num esquema confuso, ficou um pouco perdido. Fechou bem alguns espaços.

Bruno Silva: 3,5
A falta de comprometimento em pessoa. Tem futebol, mas não mostra um pingo de respeito pela camisa que veste. E jogador assim, pra mim, não tem vez. Entregou o segundo gol.

Camilo: 6,5
Começou o jogo sobrecarregado e prejudicado pelo mau futebol de Pimpão. Com as alterações, ganhou em diálogo e produziu mais.

Pimpão: 4
Voltou muito mal física e tecnicamente. Seu futebol piora ainda mais quando Ricardo Gomes insiste em usá-lo fora de posição.

Sassá: 5
Prejudicado pela desorganização tática, pouco participou do jogo.

Neílton: 7
Entrou e incendiou o jogo. Fez um gol de oportunismo e criou vários lances de ataque. Atualmente, não tem como ser banco desse time.

Canales: 6
Com o time mais ofensivo, conseguiu participar mais que Sassá. Mostrou inteligência. Ainda é cedo pra qualquer análise mais aprofundada.

Salgueiro: 7
Também entrou bem. Fez lindo gol e mostrou muita raça. Tem a parte técnica apurada.

Ricardo Gomes: 4
Hoje, mandou muito mal. Errou novamente na escalação e no esquema tático – que mal dava pra entender. Time desorganizado em campo, sem os extremos e com a marcação frouxa mesmo com 3 volantes. Demorou demais pra mexer. Responsável direto pelo resultado, assim como os erros individuais.

Observações

– Linda a Arena Botafogo. Estádio acanhado e torcida colada no campo. Vai ser um bom trunfo.

– Incrível como as arquibancadas com nossas cores já fazem uma baita diferença. Espero que façam o mesmo no Niltão.

– A torcida, como eu disse, deixou a desejar no jogo de hoje. Jamais a culpo por nada e sei bem como sofremos, mas era dia pra lotar.

– Não sejam imbecis. Brigar e arremessar objetos no campo é coisa pra torcida do Lixo. Não se rebaixem. Isso só prejudica o próprio Botafogo.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC