Nada é mais a cara do Botafogo do que o jogo de hoje.

É quando somos dados como mortos e não enxergamos luz no fim do túnel que o Alvinegro vem, estica a mão e nos puxa pra uma realidade que só ele sabe criar. Contra um adversário que lutará ponto a ponto pelo título, jogamos bem, exploramos deficiências e suamos sangue para sairmos de campo com os 3 pontos.

Numa partida louca e eletrizante, o Glorioso voltou a jogar bem depois de muito tempo e só não venceu com tranquilidade por displicência ofensiva. A estreia de Camilo e a regularidade do futebol de Neílton foram fatores decisivos para o importantíssimo resultado.

A expectativa era a menor possível. Beira-Rio cheio, adversário forte e buscando reabilitação no campeonato, podendo chegar à ponta da tabela, e vindo de desempenhos fraquíssimos. Mas nem deu tempo de enumerar todos esses fatores antes de, aos 6 minutos, Fernandes receber bom passe de Luis Ricardo e estufar aquelas redes vermelhas.

“Fizemos o gol bem cedo, vai dar tempo deles se recuperarem”. Eu sei que você pensou isso. Eu também. Mas fomos interrompidos pelo que seria o nosso único contra-ataque eficiente no confronto: Bruno fez excelente lançamento, Camilo dominou com tranquilidade, levantou a cabeça e rolou para Neílton, aos 15′, deslocar o goleiro Jacsson e abrir 2 a 0 no placar.

Daí até o fim do 1º tempo, vivemos um sonho. O time controlou o jogo, quase não levou sustos na defesa e teve até chances de ampliar. Algo até comum no nivelado futebol brasileiro, mas que não víamos há algum tempo no Botafogo. No intervalo, bebemos uma água achando que o pior já tinha passado. Mas o Fogão, mais uma vez, nos surpreenderia.

Quando todo mundo pensou que a fatura estava praticamente liquidada com a expulsão de Fabinho no fim da 1ª etapa, Argel modificou sua equipe e voltou para 45 minutos de pressão intensa na nossa área. Com Alex aberto como um lateral ofensivo, o chuveirinho seria a principal arma do Colorado.

O Botafogo era pressionado e respondia timidamente nos contragolpes. Numa jogada boba, Sasha recebeu livre e chutou no canto. Toda aquela confiança desmoronou e deu vez às más lembranças em nossas cabeças. “Agora é só questão de tempo pros caras empatarem”. Eu sei que você pensou isso. Eu também. E, ali, começava a montanha russa de fortes emoções.

Enquanto tentava segurar a bola no campo de ataque, Neílton encontrou Camilo na intermediária. Ele recebeu e soltou em Fernandes, que devolveu de primeira. Mais uma vez, a qualidade do estreante ficou evidente. Ele recebeu, já ajeitando a bola e o corpo, e bateu seco no canto. Coisa de quem sabe. No placar, 3 a 1. E aquele torcedor receoso e preocupado pôde soltar um grito de alegria, euforia e alívio.

Foi o tempo de correr pela casa gritando e se arrumar de novo na poltrona. Numa cobrança de escanteio que nem a TV aberta prestou atenção, deixaram o Ernando livre na área, com um a mais, pra testar na rede. Mais uma vez, aquela confiança foi por terra. Seriam 15 minutos de sufoco pra segurar essa importantíssima vitória – mas, na prática, foi bem pior que isso.

Além de ser encurralado no primeiro terço do seu campo, o Botafogo ainda se deu ao luxo de desperdiçar contra-ataques inacreditáveis. Poderia ter feito quatro, cinco, seis a dois. Mas optou pelo preciosismo e pela falta de pontaria em algo que, sem dúvidas, precisa ser consertado pra ontem.

Fora a displicência, o Botafogo foi muito bem. Ainda não é o suficiente pra achar que o jogo virou e que a arrancada virá; mas, certamente, tem tudo pra ser um ótimo ponto de partida. Um time sóbrio, eficiente e aguerrido como há muito não víamos. Nessa batida, o Glorioso pode ressurgir e alcançar, ao menos, um fim de ano digno e livre de sustos.

Notas

Sidão: 8
Fez boas defesas e não teve culpa nos gols. Salvou a partida com defesa de cinema no fim do jogo.

Luis Ricardo: 6
Foi bem na frente com ótima assistência no 1º gol, mas voltou a mostrar sua displicência defensiva. Chapéu na frente da área, perdeu a bola lá na frente e não voltou… Não pode.

Renan Fonseca: 6,5
Fez boas intervenções, principalmente na bola aérea. Teve trabalho na hora do abafa adversário.

Emerson Silva: 6,5
Mesmo nível do companheiro. Voltou a ter uma boa atuação e pode recuperar a confiança e o bom futebol do início da temporada.

Diogo Barbosa: 7
Muito bem na participação defensiva pelo lado mais forte do Inter. Venceu duelo com William e fez vários bons desarmes. Falta recuperar o bom futebol ofensivo.

Airton: 7
Voltou a jogar bem e ajudou bastante na defesa, a ponto de não ter conseguido participar da criação. Mais uma vez, saiu sentindo. Preocupante.

Bruno Silva: 7
Foi vibrante, marcou bem e se doou taticamente. É o mínimo que pedimos.

Fernandes: 6
Alternou bons e maus momentos. Fez bem os papéis defensivo e ofensivo de um extremo, chegou bem pra marcar um gol. No entanto, caiu muito no 2º tempo e desperdiçou chances inacreditáveis, além de falhar na marcação do gol do Ernando. Precisa estabilizar seu futebol ou não conseguirá se firmar nunca.

Neílton: 8
Incansável. Ajudou muito na frente e atrás. Fez um bonito gol, correu o jogo todo, marcou, armou e causou a expulsão de um adversário. Como quase todo o time, pecou nas chances perdidas nos contra-ataques. No geral, foi bem.

Camilo: 9
Grande estreia. Fez gol, deu assistência e deu a visão de jogo e a cadência que faltavam ao meio-campo. Se mantiver uma sequência, será muito importante. Cansou no fim.

Ribamar: 6,5
Lutou, se entregou e até mostrou tranquilidade em alguns momentos, mas voltou a vacilar em lances importantes. Quanto mais longe do gol, melhor ele joga.

Rodrigo Lindoso: 6,5
Entrou com a difícil missão de manter o ritmo de Airton. Esteve um pouquinho abaixo do titular, até por estar voltando de lesão, mas não comprometeu. Jogador importante no elenco.

Gervasio: 6
Entrou com vontade e lutou. Fez bem ao cobrar Fernandes em lance decisivo lá na frente. Mas é fraquinho, coitado…

Gegê: sem nota
Entrou no fim e nem encostou na bola.

Ricardo Gomes: 8
Após algumas partidas bem ruins, organizou o time de maneira eficiente e bastante dinâmica na disposição tática. O desempenho claramente melhora quando ele tem as melhores peças disponíveis.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC