Uma tragédia sem precedentes acometeu a Chapecoense e todo o povo brasileiro. Todos nós fomos muito afetados pela dor e pelo sofrimento causados pelo acidente. Não havia mais clima algum para futebol, mas a vida precisava seguir e compromissos precisavam ser cumpridos. Então tapamos nossas feridas, vestimos nossas homenagens e disputamos nossa última partida de 2016 da melhor forma possível: mostrando a força, a raça e a superação que a Chape tanto nos ensinou em sua curta e brilhante trajetória até aqui.

Após um péssimo início de campeonato, o Botafogo consertou como pôde o seu mau planejamento e se reinventou com o Brasileirão em andamento. Quem sonhava com os distantes 46 pontos para fugir de um novo rebaixamento pôde respirar aliviado com uma arrancada impressionante.

A sorte também sorriu pra nós e coube ao destino reservar gratas surpresas: a efetivação – muito contestada à época, inclusive por mim – de Jair Ventura, proporcionada pelo São Paulo, que nos “roubou” Ricardo Gomes; e a abertura de duas novas vagas para a Libertadores via campeonato nacional, transformando o G4 em G6 e nos permitindo sonhar com vôos muito maiores do que nossas metas de janeiro.

Depois de muitos altos e baixos, vitórias expressivas e tropeços imperdoáveis, chegamos à última rodada precisando vencer o Grêmio no Sul para não depender dos tropeços de Atlético-PR e Corinthians – que, por acaso, se concretizariam depois. Enquanto quase todos viviam a melancolia das férias antecipadas, o Glorioso jogava e disputava, em campo, a sua vida e o seu futuro.

A necessidade dos três pontos obrigou o Fogão a fugir das raízes do time de Jair e jogar pressionando o oponente. Compacta e ofensiva, a equipe soube explorar a escalação reserva e a ressaca do tricolor gaúcho para sair logo na frente, em belo gol de Bruno Silva, e tentar segurar dali para o final.

Assim o fez. Com muita vontade e aplicação tática, o Bota fechou a casinha e explorou os contra-ataques enquanto o relógio corria. O apito final trouxe a consagração de um grupo que, à sombra de sua capacidade técnica, fez história. Jogadores aguerridos que superaram todas as expectativas e todos os limites individuais e coletivos para buscar essa vaga.

Vamos com tudo à primeira fase da Libertadores – que será bem mais dura que a de 2014 – para buscar a vaga definitiva na tão sonhada fase de grupos. Que os erros e acertos sirvam para traçarmos um planejamento melhor e mais profissional para 2017; tudo o que aconteceu esse ano só reafirma a tese de que, com muita vontade e trabalho bem feito, podemos chegar onde quisermos. Afinal, a Chapecoense nos ensina isso.

Jeferson Guareze/Agif/Gazeta Press

Jeferson Guareze/Agif/Gazeta Press

Notas

Sidão: 8,5
Fez três grandes defesas e garantiu o resultado positivo no Sul.

Alemão: 6
Fechou bem lá atrás, mas mostra pouca capacidade com a bola nos pés.

Joel Carli: 8
Um monstro, cortou todas por baixo e por cima. Peça-chave deste elenco.

Emerson Silva: 7
Na onda do companheiro de zaga, fechou bem o setor defensivo. Não compromete.

Victor Luis: 7,5
Quase sempre um dos jogadores mais sóbrios do time titular. Mesmo machucado, conseguiu manter um bom nível de atuação.

Airton: 6
Vinha bem no jogo, fazendo os desarmes de sempre e comandando a saída de bola, mas se envolveu em briga com Sassá; no lance, foi atacado pelo atacante. Mas sua culpa está no primeiro amarelo, recebido por cera besta ainda no 1º tempo.

Bruno Silva: 9
O melhor em campo. Fez lembrar seu auge, quando jogava na Chapecoense e tanto teve seu nome pedido aqui no blog. Muito bem tatica e tecnicamente. Jogou com raça, vontade e fez um belo gol. Poderia ser sempre assim.

Diogo Barbosa: 6,5
Mesmo sem ritmo, tentou algo pela esquerda. Não repetiu suas melhores atuações. Ao menos, correu bastante.

Camilo: 6,5
No primeiro tempo, foi importante na compactação do meio-campo, ajudando bastante na marcação. Ofensivamente, novamente deixou a desejar – apesar de boa cobrança de falta na trave.

Rodrigo Pimpão: 7
Sacrificado para jogar como extremo, fez o papel muito bem. Boa válvula de escape pela direita e fechando sempre a linha do meio no jogo sem a bola. Marcou bastante. Evoluiu bem taticamente.

Sassá: 0
Sua participação se resumiu a dois chutes ridículos pra fora, três bolas fáceis que não conseguiu dominar, xingamentos aos companheiros e um ataque a Airton como se fosse um touro. Completamente descontrolado. Já não é de hoje que não se importa nem um pouco com os objetivos do Botafogo.

Rodrigo Lindoso: 7
Entrou para suprir a vaga do expulso Airton e fechou bem o meio campo.

Pachu: sem nota
Pouco tempo para mostrar seu talento. Serviu para tirar o peso da estreia.

Emerson: 6
Substituiu o machucado Alemão e fechou o setor sem maiores problemas.

Jair Ventura: 8
Seu plano de jogo foi muito bem montado. Conseguiu fazer o time jogar com a bola no primeiro tempo, o que nos rendeu o gol da vitória. Coroou com chave de ouro o ótimo trabalho de seu primeiro ano como técnico profissional.

#ForçaChape

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC