Ataques ganham jogos, defesas ganham campeonatos”.

Concordo com essa afirmação de Phil Jackson, lenda da NBA. No entanto, não há sucesso sem que haja um equilíbrio entre esses dois fatores. A prova viva vem sendo o Botafogo, que domina as partidas, neutraliza os ataques adversários mas não tem o poder de fogo necessário para vencê-las.

Novamente, o Glorioso jogou bem. Mesmo fora de casa, teve mais personalidade do que no clássico da última rodada. Fechou bem sua defesa com as duas linhas e teve presença no campo de ataque, tocando bem a bola e esperando o melhor momento para dar o bote. Ainda que muito desfalcado, o time conseguiu manter seu nível de atuação e dava demonstrações de que poderia vencer.

A linha de meio-campo mostrou dinamismo, velocidade e leveza. Matheus, João Paulo e Fernandes trocavam de posição constantemente, confundindo o time do Santos e movimentando o jogo. No entanto, parou por aí. Como uma espécie de bloqueio, o Fogão era praticamente perfeito em sua metade do campo, mas não sabia o que fazer no último terço. Com a bola e rondando a área, faltou criatividade e capacidade.

Faltou o “algo a mais”. Faltou visão de jogo, faltou triangulação, faltou capricho nos cruzamentos e, principalmente, faltou definição a Pimpão – assim como Roger contra o Flamengo, ele teve a bola do jogo, saiu cara a cara com o goleiro e não definiu a jogada. Olhando para trás e esperando a chegada de algum companheiro, deixou explícito que falta artilharia pesada a esse time.

O Botafogo fez uma aposta furada em Canales e não conseguiu controlar as indisciplinas de Sassá. Dessa forma, temos Roger como única opção de ataque – e ele sequer se encaixa nas características necessárias para o nosso esquema tático fluir. Como Jair faz questão de não dar chances a Gorne e o outro nome é o risível Joel, está escancarada a urgência por contratações.

Satiro Sodré / SS Press / Botafogo

Satiro Sodré / SS Press / Botafogo
Roger é a única opção de ataque no Botafogo

No meio-campo também há carência. Com Camilo em baixa desde o ano passado e Montillo morando no departamento médico, o time sofre com a falta de visão de jogo, chegadas de trás e enfiadas de bola – características de um bom meia armador. Estamos muito fortes e bem servidos na defesa e na volância, mas precisamos aperfeiçoar o setor ofensivo se quisermos chegar em algum lugar esse ano.

Para piorar, aos 50 minutos (!), o juiz assinalou uma falta bem duvidosa e Hélton Leite aceitou. O Santos, que passou o jogo todo batendo cabeça em nosso sistema defensivo, conseguiu o gol da vitória mesmo sem merecer. No domingo, voltaremos à nossa casa; no Estádio Nilton Santos, temos 100% de aproveitamento, com duas vitórias em dois jogos e nenhum gol sofrido no Brasileirão. Hora de recuperar!

Notas

Hélton Leite: 5
Fez duas ou três boas defesas, mas aceitou falta defensável no último lance.

Arnaldo: 6
Faz o feijão com arroz e tem boa velocidade, mas deixa a desejar quando precisa dar algo mais tecnicamente – como passes e cruzamentos.

Joel Carli: 6,5
Segurança e tranquilidade para comandar a defesa. Nem teve tanto trabalho.

Igor Rabello: 7
Novamente muito bem nos cortes. Com a confiança, seu jogo cresce a cada semana.

Gilson: 7
Boa atuação, aparecendo pro jogo e fechando seu lado de defesa.

Rodrigo Lindoso: 7,5
Muito bem na cobertura à defesa e saída de jogo. Aproveitamento ótimo nos passes. Fez seu bom e velho jogo de formiguinha, sem aparecer para a torcida, mas sendo fundamental.

Matheus Fernandes: 6,5
Jogou de cabeça em pé e foi bem nos passes. Revezou constantemente com Fernandes e João Paulo nas posições no meio-campo, mostrando bom dinamismo.

João Paulo: 7
Revezando entre extremo e meia, fez a bola girar no meio-campo. Faltou caprichar no passe final.

Fernandes: 6,5
Atuando como meia, que não é muito a dele, ajudou. Também faltou caprichar no último passe.

Rodrigo Pimpão: 5,5
Taticamente foi bem, roubando bolas e recompondo na marcação. No entanto, não pode perder uma chance claríssima como a do 1º tempo. Cara a cara, é hora de definir. Faltou sede de gol e culhão.

Roger: 4
Muito mal. Com um time leve, rápido e dinâmico, esteve deslocado. Muito isolado, não deu sequência às jogadas. Quando participou, errou e atrapalhou.

Montillo: 5
Ainda sem ritmo, entrou, ciscou e não produziu nada.

Pachu: 5,5
Mostrou vontade e só. Não entendo os critérios para sua escalação.

Dudu Cearense: sem nota
Entrou no fim.

Jair Ventura: 7
Seu time manteve o padrão mesmo com o desfalque de 5 titulares. Se virou como pôde e merecia sorte melhor. Se eu estou desesperado com a falta de reforços para o setor ofensivo, imagino ele.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC