Haja controle e sangue frio não entrar aqui e simplesmente xingar um por um desse time sem vergonha.

Enquanto olho sem reação para a parede, tenho flashes da Libertadores passando pela minha mente. Pergunto-me onde foi parar o brio, a superação, a vocação de nunca se entregar que esse mesmo elenco mostrou na primeira parte do ano. Hoje, não passam de um bando em campo.

Não há o que falar – a não ser que, obviamente, o Botafogo não quer disputar a Copa no ano que vem. Não falo da torcida, é claro, que apoiou muito até não ter mais sangue frio para ver o time jogando a temporada na lata do lixo. Pouco importa se ainda faltam 3 jogos; para nós, da arquibancada, o ano acabou.

Precisa se esforçar muito para perder pro lanterna e virtual rebaixado dentro de casa. Com o time entregue desde os primeiros minutos, sabe-se lá porquê, o Atlético-GO teve tranquilidade para desfilar com a bola e fazer seus gols. É duro de aceitar, mas até o último colocado tem mais vocação ofensiva do que nós.

Mais uma vez, toda a rodada nos ajudou. Quem tinha de tropeçar, tropeçou; bastava vencer o pior time do campeonato dentro do próprio estádio para disparar rumo à fase de grupos – ainda que precisando torcer para o Grêmio ganhar a Libertadores, pois nunca resolvemos nada sozinhos.

Ao que parece, nem esse gostinho o time vai nos dar. Com muita sorte, vamos passar pelo calvário da pré fase de grupos. Isso, claro, se os outros times continuarem colaborando. Porque a confiança em nosso elenco já foi pro espaço e o comprometimento deles já está direcionado às férias.

Mais uma vez nos iludimos. Mais uma vez pensamos ter encontrado um elenco com culhão o suficiente para nos tirar da fila. Mais uma vez achamos ter achado um grupo que carregaria o peso dos anos sem título e honrariam esse manto historico e pesado. Mais uma vez nos enganamos. Já é a 22ª vez.

Notas

Gatito Fernández: 6
Sem culpa no gol, uma ou duas boas defesas.

Arnaldo: 4
Com exceção de uma tabela com Brenner, foi bisonho. Foram várias as vezes em que sequer conseguiu dominar a bola. Cruzamentos pra fora, furadas bizarras e arrancadas sem sentido. Ele voltou ao normal.

Joel Carli: 6
Em meio ao caos, ao menos mostrou dignidade. Tem suas limitações físicas, mas é um dos que se salvam nessa reta final.

Igor Rabello: 4
Tomou um drible ridículo no lance do primeiro gol e estava dormindo no segundo. Além de tudo, fez menção de mandar a torcida se calar. Que seja vendido na primeira oportunidade.

Gilson: 2
Bizarro, horroroso, tenebroso, horripilante. Espero que tenha sido a última vez que vestiu a camisa sagrada de Nilton Santos.

Rodrigo Lindoso: 5
Oscilou dentro do jogo. Fez o feijão com arroz, mas deu espaços em nossa intermediária.

João Paulo: 7,5
Único a jogar bola hoje. Fez gol, lançou, desarmou e chamou o time para brigar até o último minuto. Honra a camisa. Espero que fique para 2018.

Bruno Silva: 0
Não tem outra nota. Futebol burocrático, cabeça já em outro time e um desrespeito sem tamanho perante a torcida que sempre o apoiou. No mínimo, não pode ser mais relacionado este ano. Vendam logo. Se não pagarem, que fique treinando sob sol de 40 graus em Marechal Hermes.

Guilherme: 1
A cada jogo que passa, fico mais puto em vê-lo jogando e mais feliz por saber que é um dia a menos para ir embora. Um jogador medíocre que sequer temos participação nos direitos econômicos; só fez merda em campo o ano inteiro e ainda tirou espaço de jogadores da base, como Yuri, emprestado ao Santa Cruz.

Marcos Vinícius: 3
Adotou o “modo Camilo” de jogar e se escondeu no meio da defesa, quase como um centroavante, enquanto deveria voltar para a linha de meio-campo para buscar o jogo. Não é descomprometido, mas se omite às vezes. Falta consistência técnica e física.

Brenner: 3,5
Perdeu todas pelo alto e brigou com a bola em diversos momentos. Péssimo.

Leo Valencia: 4,5
Mais uma chance de mostrar seu futebol, mais uma prova de que o investimento pode ter sido alto demais para o retorno que pode dar. Grande decepção.

Vinicius Tanque: 4
Fico até com pena de ser duro, pois é um menino esforçado. No entanto, não tem como negar: é ruim demais, intimidade zero com a bola. Não pode figurar num elenco de Série A.

Rodrigo Pimpão: 5
Guilherme é tão horroroso que, hoje, Pimpão até pareceu boa opção. Ainda assim, pouco acrescentou.

Jair Ventura: 4
Seu time continua sem ter a mínima ideia do que fazer com a bola. Suas entrevistas arrogantes e seu sorrisinho irônico enquanto o time perde sinalizam que ele pode estar mais preocupado com o seu próximo clube do que com a possibilidade de melhorar nosso futebol.

Fonte: Blog do Pedro Chilingue - Preto no Branco - ESPN