Há um adversário silencioso que vem sendo derrotado pelo Botafogo há várias rodadas. Ao passo que se supera diante das muitas adversidades, o Alvinegro precisa vencer, além de seus oponentes, a fisiologia patética que tem em seu departamento médico.

Diante de toda a falta de planejamento que aconteceu esse ano, dá pra dizer que a campanha na tabela é excelente. Com o time sendo montado durante o campeonato e todas as lesões musculares causadas – seja pelo campo horroroso de General Severiano, seja pela falta de uma mínima previsão de desgaste do enxuto elenco – conseguimos ficar a apenas 7 pontos do G4.

Em campo, muito pouco a ser analisado. Um Vitória tecnicamente patético, uma arbitragem fraca – que, inclusive, marcou um pênalti inexistente – e uma escalação bombardeada de desfalques. A partida foi sofrível e o Botafogo precisou de um ou dois ataques pra liquidar a fatura, trazendo 3 pontos pro Rio de Janeiro. Ao adversário, restou a amargura da zona de rebaixamento.

Os desfalques são tantos que fica até complicado de avaliar o trabalho do técnico Jair Ventura. Ele escala a formação mais razoável dentro das possibilidades – que hoje, inclusive, passavam pelo nome de Diérson. O Botafogo é, disparado, o time que mais sofre com desfalques por contusões. Dessa forma, ausências que são fatalidades, como a fratura de Luís Ricardo e as suspensões, se tornam fatais na busca de um 11 inicial mais competitivo.

Literalmente, o Glorioso se limitou a defender. Com segurança, evitou com eficiência as descidas do adversário baiano. Rebatendo todas as tentativas de “abafa” e anulando Marinho e Cardenas, a retaguarda comandada por Joel Carli não permitiu praticamente nenhuma possibilidade de gol do Vitória.

Edson Ruiz/Coofiav/Gazeta Press

Edson Ruiz/Coofiav/Gazeta Press
Sidão pegou pênalti, fez ótimas defesas e foi decisivo na vitória

Na melhor chance dos caras, o juiz catarinense Rodrigo Alonso marcou uma penalidade inexistente de Victor Luis. O goleiro Sidão, que teve grande atuação, provou a máxima de que “pênalti roubado não entra” e espalmou a cobrança de Diego Renan pra escanteio.

Como quem não quer nada, o Fogão encaixou um contra-ataque e, numa jogada completamente bizarra, Rodrigo Pimpão deu as caras e marcou o gol da vitória. Daí pra frente, muito toque de bola do Leão na intermediária e dois ou três lances dignos de registro – duas boas interferências do nosso arqueiro, uma bola na trave de Kieza e um chute bisonho do fraquíssimo Zé Love.

Pra ser sincero, não tô nem aí. O que me importa é trazer os 3 pontos pra General Severiano, alcançar os 45 pra escapar matematicamente da zona e, depois, sonhar com o G4. Um campeonato fraquíssimo como o de 2016, felizmente, permite que um planejamento pífio como o nosso alcance as 7 primeiras posições.

Enfim, sabemos que não enfrentaremos sempre adversários horrorosos como o de hoje, e os desfalques fazem, sim, muita falta. O Botafogo é disparado o recordista em lesões musculares, com mais de 30 (trinta!!!) – incluindo reincidências – e precisa rever toda a sua equipe de médicos e fisiologistas se quiser ser minimamente profissional e competitivo na próxima temporada.

Notas

Sidão: 10
Perfeito em sua função. Pegou um pênalti, fez duas ou três ótimas defesas e assegurou a vitória.

Emerson: 6
Se limitou a fechar os espaços de Diego Renan e nem pensou em ir ao ataque.

Joel Carli: 7
Ganhou divididas, rebateu várias bolas aéreas, xingou o juiz e intimidou quem cavava faltas próximas à área.

Emerson Silva: 6,5
Não se arriscou a ter a bola no pé e só rebateu. É o suficiente.

Diogo Barbosa: 6
Começou como meia e terminou como lateral, mas pouco criou. Perdeu a chance de matar o jogo, cara a cara com o goleiro.

Diérson: 6
Combativo, pouco percebi sua presença em campo. Isso é ótimo sinal.

Dudu Cearense: 6
Fechou espaços no meio, mas se ausentou na criação. Deveria ter ajudado a segurar mais a bola no ataque.

Victor Luis: 7
Mais uma vez, o mais lúcido do time na linha. Marca e avança sempre na hora certa. Sua suspensão é uma grande ausência na semana que vem.

Rodrigo Pimpão: 8
Diria que foi a primeira partida dele em sua volta. Correu, brigou e fez, meio sem querer, querendo, o belo gol da vitória. Ainda não me convenceu, mas vamos aguardar.

Camilo: 6
Com a atuação defensiva do time, pouco encostou na bola. Ainda assim, deu o lançamento para o gol de Pimpão. Dessa forma, foi decisivo mais uma vez.

Canales: 4
Completamente fora de forma, não ajuda em nada. Sua entrevista recente ao jornal “El Mercurio” fez tudo fazer sentido. O cara simplesmente assume que não tem condições de jogar regularmente e que veio ao Botafogo porque “a cidade é linda”. Revoltante, mas todo mundo já sabia e eu já previa aqui.

Gervasio Nuñez: 5,5
É fraco, mas só de entrar no lugar de Canales já melhorou a postura da equipe. Deu opção pela esquerda, embora não muito efetiva.

Rodrigo Lindoso: sem nota
Sinceramente, nem notei que ele entrou. No entanto, sua volta é muito importante.

Vinicius Tanque: sem nota
Jogou 4 minutos (graças a Deus).

Jair Ventura: 8
Fica até difícil de avaliar melhor o seu trabalho com tantos desfalques. Mas seu aproveitamento fora de casa é ótimo e, de fato, melhorou o time depois da saída de Ricardo Gomes. Ainda tem muita estrada pela frente, mas é estudioso e esforçado.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC