Tivemos uma semana agitada. Depois de perder para o líder Palmeiras e ver o Corinthians derrotar o Internacional, o botafoguense deixou de lado o otimismo e puxou a sua calculadora. Algumas contas depois, chegou à conclusão de que precisaríamos de um improvável tropeço do alvinegro paulista, na sua casa, contra uma equipe que raramente vence fora. Só esqueceu de um detalhe: a gente também precisava vencer.

Na sua melancólica despedida da Arena Botafogo, palco de tantas vitórias maiúsculas, conquistadas com muita luta e muita organização, o Glorioso voltou a ter crise de identidade. Um time perdido, desinteressado, desconcentrado e completamente bagunçado. Gol? Só sem querer, depois de 360 minutos sem conseguir colar a redonda na rede. A maré boa até parecia ter voltado quando o atacante pontepretano deu piti e foi expulso, mas a realidade voltou a nos dar um tapa na cara.

Cá entre nós: o Botafogo não jogou absolutamente nada. De novo. Com o mesmo futebol insuficiente que nos fez tropeçar em Coritiba e Chapecoense, entregamos um jogo praticamente ganho contra um adversário sem nenhuma ambição dentro do campeonato. Num gol vadio – algo que jamais aconteceria há 10 rodadas, quando time ainda tinha foco – vimos a classificação antecipada escorrer pelas mãos.

Vitor Silva / SSPress

Vitor Silva / SSPress
Torcida fez festa e empurrou o time, mas não foi o suficiente

Isso porque aquele resultado que considerávamos quase impossível aconteceu: o perfeito empate entre Corinthians e Atlético-PR. Era só ter ganhado enquanto os dois se matavam, sacramentando a vaga na Libertadores e coroando uma campanha que, se agora já perdeu o gás, foi ótima e surpreendente de uma maneira geral. O Bota definitivamente não se ajuda.

Algumas informações que correm nos bastidores ajudam a explicar a mudança drástica de postura em campo. Infelizmente, quando perdemos nossa identidade, perdemos tudo. O time visivelmente não tem mais o mesmo foco e a mesma disciplina tática, a mesma vontade de vencer e aquele brio que arde nos olhos de cada atleta, a disposição de colocar nossa Estrela acima dos objetivos e desejos pessoais.

Embora tudo tenha dado errado nas últimas rodadas, o destino ainda nos sorri. O caminho traçado para 2017 está guardado no próximo final de semana, quando enfrentaremos o Grêmio em sua Arena. Seja de ressaca pelo título ou triste por sofrer uma virada improvável na Copa do Brasil, o que vem de lá pouco me importa. O que realmente interessa é se nossa equipe vai ser capaz de, nem que seja por só mais um jogo, apresentar o futebol que nos levou à zona da Libertadores até a última rodada.

Notas

Sidão: 6,5
Fez duas boas defesas ao longo do jogo, mas ficou meio vendido no cruzamento do gol.

Victor Luis: 5
Deslocado e completamente torto, não conseguiu fazer boa partida – principalmente no ataque.

Renan Fonseca: 4
É impressionante a facilidade para ser driblado. Tomou duas canetas patéticas e errou vários passes. Precisa sair.

Emerson: 6
Bem nos cortes, principalmente por baixo. Perdido no bolo como toda a zaga no lance do gol.

Diogo Barbosa: 4,5
Escolhido pra jogar na esquerda, fez sua pior partida pelo Botafogo. Muitos erros de passe e nenhuma jogada perigosa no ataque.

Aírton: 6,5
Como sempre, comandou o time e deu belos dribles. No entanto, falhou no gol ao deixar Pottker livre e também ao errar a bola na tentativa de cortar.

Rodrigo Lindoso: 6
Até rodou bem o jogo mas, com o time perdido, não conseguiu distribuir a bola.

Dudu Cearense: 5
Mostra qualidade técnica, mas não consegue acompanhar o ritmo dos jogos mais acelerados.

Neílton: 4
Se ainda existia alguma dúvida sobre pagar os R$6 milhões por seu passe, ela acabou hoje. Muito mal na reta final, não produziu um lance sequer.

Camilo: 5
O símbolo da derrocada do time na reta final. Por algum motivo, não consegue mais reproduzir as belas atuações da arrancada. Porém, é um dos poucos a mostrar vontade sempre, em todos os lances.

Sassá: 5
Não sei onde está com a cabeça, mas certamente não é no Botafogo. Desligado, pouco participou do jogo como costumava fazer. Seu gol foi completamente sem querer. O sucesso subiu à cabeça e agora está afim de briga: com adversários, com companheiros, com juiz e até com torcedores na saída do estádio. Precisa baixar a bola.

Rodrigo Pimpão: 5,5
Entrou pra tentar acelerar o ataque e dar opção pelos lados. Seus cruzamentos até geraram algum perigo, mas não produziu nada de concreto. Deveria ter sido titular no lugar de Neílton.

Vinicius Tanque: 5,5
O de sempre: muita disposição, nenhuma qualidade técnica. Lutou, mas não acrescenta nada pois falta intimidade com a bola.

Gervasio Nuñez: sem nota
Já estamos quase entrando em dezembro e ainda não entendi o que ele veio fazer no Botafogo. Até mostra alguma qualidade com a bola, mas não produz.

Jair Ventura: 5
Se é dele o mérito por todo o sucesso da arrancada, precisa ser cobrado também pela péssima fase que vivemos. O time não consegue mais produzir e ele é o encarregado de evitar isso. Errou ao deslocar Victor e não Diogo. Errou ao barrar Pimpão e não Neílton. Mas, sinceramente, como cobrar mudanças se, no banco, temos Tanquinho e Jacaré?

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC