Em maio, Ribamar completou 19 anos. Em janeiro, disputara a Copa São Paulo de Juniores pelo Botafogo e mostrou qualidades. Cinco meses depois era o camisa 9 titular absoluto do time. Ribamar é forte, sabe utilizar o corpo em campo, mas a falta de fundamentos chama a atenção. São passes, domínios e finalizações imprecisas. No entanto, de maneira nenhuma pode-se culpar o jogador por isso. Ele estava em formação nos juniores quando foi alçado aos profissionais, pulando uma parte importantíssima da carreira de um jogador profissional. Como em nosso país, os que mandam (independente de bandeiras e cores que seguem) esquecem da educação. No caso, a educação futebolística.

Ribamar é apenas um exemplo. A cada ano dezenas de jovens jogadores são colocados na fogueira do Campeonato Brasileiro antes de se tornaram atletas profissionais de fato. Com isso, cada vez mais se vê problemas de cruzamentos, finalizações, passes curtos e longos, técnica, domínio entre outros. Algumas vezes se queima jogadores promissores que, se não virariam craques, poderiam ao menos ter uma carreira longa e com algum brilho.

Conversei com um treinador da base do Vasco e na opinião dele, o jogador só está formado aos 23 anos. No caso de Ribamar (que vale ressaltar é apenas o exemplo utilizado) são quatro anos de treinos de finalização, cabeceamento, técnica que certamente o fariam um jogador melhor. Assim como a preparação psicológica e a maturidade proveniente da idade. Mas ao contrário, com 19 anos ele já é a estrela do lançamento da camisa do Botafogo e brilha no site oficial do clube.

Esse desespero por novos craques como Neymar, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho que com 17 anos já brilhavam reflete no alto da cadeira, na seleção brasileira. Jogadores são convocados cada vez mais novos mesmo ainda tendo que percorrer um caminho para tal. Enquanto não repensarmos a formação, dificilmente voltaremos a ser protagonistas no futebol e em nada.

Fonte: Blog do Rodrigo Stafford - O Dia Online