Se é tranquilo, não é Botafogo.

Podendo praticamente garantir a vaga na Libertadores na partida de hoje, o Alvinegro não conseguiu vencer uma Chapecoense alternativa e com a cabeça na semifinal da Sul-Americana. A situação na tabela ainda não é preocupante, mas o declínio no nível de atuações faz a torcida e o clube ligarem o sinal de alerta.

O problema começou na insistência de Jair Ventura. O técnico repetiu a tentativa fracassada da partida contra o Coritiba e abriu mão do 3º homem de meio-campo, entrando com Diogo no meio e mais três atacantes. Sem fazer gols há 3 jogos, não conseguimos transformar o domínio em superioridade no campo e no placar, sempre sofrendo nos contra-ataques.

Jogando no melhor estilo Botafogo, a Chapecoense se defendia com segurança e saía com velocidade nos contra-ataques. Muito perigosa na bola aérea, a equipe catarinense chegava frequentemente e ameaçou a meta de Sidão pelo menos três vezes antes de chegar ao primeiro gol com Kempes.

Por sua vez, o Glorioso fazia o contrário. Tentava o abafa de maneira desorganizada e aproveitava muito mal as bolas cruzadas em escanteios e faltas laterais. Sem um homem de referência, a missão ficou ainda mais difícil – visto que Sassá estava suspenso e Canales recebe apenas para curtir festas e praias do Rio de Janeiro, algo que evidencia os erros na montagem do grupo.

Luciano Belford/FramePhoto/Gazeta Press

Luciano Belford/FramePhoto/Gazeta Press
Camilo não consegue repetir as boas atuações que levaram o Botafogo ao G6

Sem ter peças que pudessem mudar o panorama da partida, Jair voltou com o mesmo time. Aumentando a blitz desde o início da segunda etapa, o Botafogo chegava no embalo da torcida, mas sempre sem a organização e a compactação características da arrancada no 2º turno.

Vale a nota: apesar de não ter tido absolutamente nenhuma relação com o resultado, foi desastrosa a atuação do árbitro Dewson Freitas. Ignorou faltas claríssimas para o Botafogo e marcou outras inexistentes para a Chape, inclusive dando cartões injustos. Mais um retrato de como a arbitragem brasileira precisa de renovação e profissionalismo. Do jeito que está, só vai piorar.

Traiçoeira, a Chapecoense só esperava a bola do jogo. Em mais um escanteio mal batido, o rebote proporcionou um contra-ataque letal e perfeitamente executado, que começou na entrada da área e terminou no fundo da rede alvinegra. O Botafogo ainda lutou, Camilo acertou a bola na trave pela segunda vez na noite, mas a verdade é que não fizemos uma partida que merecesse sequer um empate.

Estamos perdendo o gás. No entanto, não é hora de virar as costas para o time. Faltam 3 jogos, sendo um em casa, e estamos bem perto da vaga. A boa fase pode ter camuflado erros e feito parte dos torcedores se iludirem quanto à real qualidade do elenco, mas é inegável que houve melhora no desempenho e uma entrega fora do comum durante a segunda metade do campeonato. Eles merecem, nós merecemos. Vamos buscar essa classificação na marra.

Notas

Sidão: 6
Uma saída estranha que quase resultou em gol olímpico. Fora isso, não teve culpa nos gols e participou bem da saída de bola.

Alemão: 6,5
Muita vontade e bastante participativo. Não é muito bom tecnicamente, mas compensa com garra. Mais uma vez, deixou espaços perigosos na defesa.

Joel Carli: 7
Não teve o brilho das últimas rodadas, mas novamente foi muito bem. Além do bom desempenho defensivo, se arriscou e foi bem em jogadas de ataque.

Emerson: 4
Bem em alguns cortes por baixo, mas muito mal em bolas aéreas. Falhou feio no 1º gol ao deixar Kempes subir sozinho no meio da área. Precisa aprimorar seu jogo pelo alto.

Victor Luis: 5
Não foi participativo como de costume. Não teve muito trabalho na defesa, mas apareceu bem pouco no ataque.

Aírton: 7,5
O melhor do time novamente. Bem nos desarmes e muito participativo. Ótimo aproveitamento nos passes e nos dribles, sofreu várias faltas. Rodou o time com eficiência. Novamente, levou um cartão injusto.

Rodrigo Lindoso: 4,5
Muito mal nos passes, irritou a torcida desde o início. Não caprichou na transição e fez o desempenho do meio-campo cair ainda mais.

Diogo Barbosa: 5,5
Apagado. A dobradinha com Victor Luis não funcionou e quase não foi notado em campo.

Camilo: 6
Apesar da atuação apagada mais uma vez, foi quem mais levou perigo ao acertar duas bolas na trave. Precisa recuperar seu bom futebol. Sua queda de rendimento tem ligação direta com a má fase do ataque.

Neílton: 5,5
Meio fora de posição, não foi bem. Baixo aproveitamento em passes e dribles. Foi bem quando buscou tabelas e triangulações rápidas com Pimpão.

Rodrigo Pimpão: 6,5
O mais lúcido no setor ofensivo. Tem sido o jogador mais sacrificado por Jair, cobrindo os lados como um extremo e tentando chegar à frente pra finalizar como um centroavante.

Gervasio Nuñez: 6
Entrou com vontade e fez uma boa jogada individual.

Leandrinho: 5
Com poucos minutos pra atuar, caiu muito em relação ao 1º semestre. Parece nervoso e recebeu novamente um cartão bobo.

Vinicius Tanque: 5,5
É esforçado, mas tecnicamente muito fraco. Deu pena da tentativa de bicicleta.

Jair Ventura: 5
Tem grande parcela de responsabilidade pelo resultado. Repetiu a estratégia que não funcionou contra o Coritiba, perdeu o meio-campo com apenas 2 volantes e ficou sem alterações pro segundo tempo. No entanto, precisamos levar em consideração a falta de opções de um elenco não balanceado.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC