Juiz de Fora é um reduto de botafoguenses. Com a ótima mobilização da torcida local, foi criado um clima de “decisão” para o clássico deste sábado. No entanto, parece que esqueceram de avisar aos jogadores do Botafogo: apesar de um futebol aceitável em alguns momentos da partida, faltou a postura de quem quer vencer um rival. E isso, amigos, o futebol não perdoa.

Já começamos a partida dando um azar daqueles. É incrível como esses caras com as cores do mal têm pacto com o coisa ruim; perdemos Airton, nosso melhor jogador, com uma lesão no adutor. Fernandes entrou e não comprometeu, mas ficamos sem o homem que comanda nosso meio-campo.

Num jogo morno, logo abrimos o placar. Joel Carli, após falha da zaga adversária, apenas escorou a bola para a rede. O Flamengo, atordoado, pouco ameaçava nossa intermediária. Até o Botafogo resolver repetir a história recente e dar uma ajudinha ao rival. Renan Fonseca tentou até uma assistência para Guerrero. A bola não entrou, mas o lance incendiou o rival.

A molambada veio com tudo e, após falha generalizada, Alan Patrick acertou um canhotaço no ângulo, sem chances para Jefferson – aquela cagada típica dos rubro-negros. No primeiro momento, Gegê errou na cobertura e Diogo deu espaço para o cruzamento; a zaga rebateu e Bruno Silva deu espaço à vontade para a conclusão do melhor – e único – jogador do lado de lá. É dar muita chance ao azar…

A partir daí, o Botafogo se perdeu em campo. Entre erros infantis e interferências grotescas da arbitragem, podemos dizer que foi lucro ir para o intervalo com a igualdade no placar. Era a hora de Ricardo Gomes dar um esporro, cobrar vibração e, sem dúvidas, mexer no time. Algo que, aparentemente, não aconteceu.

Voltamos para o segundo tempo com uma displicência ainda mais irritante. Erros em toques curtos, em escolhas básicas de jogadas. Daquele tipo que mais irrita o torcedor. Mas quando tudo parecia ir por água abaixo, Wallace resolveu bicar Ribamar dentro da área. Pênalti para Lindoso perder – quem além de mim já sabia? -, mas conferir no rebote: 2 a 1 pra segurar com raça até o fim.

Mas, novamente, aparece a falta de postura. O Botafogo não conseguia segurar o jogo no campo de ataque e praticamente devolvia a bola ao Fla. Aquele jogo de bate-rebate na nossa intermediária que, especialmente contra o time do Mal, dá nos nervos ao passo que os minutos finais se aproximam.

Como num flashback, cruzamento despretensioso para Cirino, incrivelmente sozinho no meio da área, cabecear pro fundo do nosso gol não só a bola, mas todos aqueles pensamentos de “eu sabia”. Puta que pariu. Onde está o sangue nos olhos desse time que tanto impressionou pela aplicação em rodadas anteriores?

O que tiramos de lição dessa partida é bem simples: mesmo com o time limitado e sem dinheiro, podemos vencer adversários de investimento muito superior. Mas, para isso acontecer, precisa haver postura. Postura de quem quer. Postura de time que sabe o que quer. Postura de Botafogo. Já diria Heleno de Freitas: o meu Botafogo não é lugar de covardes.

Notas

Jefferson: 8
Único a mostrar sangue nas veias. A cada lance de apagão, pagava esporro geral. Salvou o Botafogo em dois ou três lances, além de não ter culpa nos gols.

Luis Ricardo: 6
Em relação ao ano passado, consertou a maioria de suas falhas defensivas. Mesmo assim, sua displicência no ataque irrita demais. Complica lances simples e quer fazer o que não sabe. Com as más atuações de Diego, ganhou sobrevida.

Renan Fonseca: 3
Só faltou vestir a camisa do Flamengo pra virar, de vez, um 12 contra 10. Um recuo bisonho, falhas patéticas na marcação e uma nulidade técnica. Falhou nos dois gols, principalmente no segundo. Parece que nos enganou na fraca Série B. Sei que ainda é cedo para julgar, mas meu lado torcedor ainda está xingando esse cidadão até agora.

Joel Carli: 6,5
Seria destaque mais uma vez, inclusive com gol, até falhar no lance de empate. O erro de posicionamento da dupla de zaga foi o mesmo do gol de Gum, no jogo contra o Flu. Sinal que falta treinar as bolas paradas e cruzamentos em geral.

Diogo Barbosa: 5,5
Tímido no apoio, falhou no lance do primeiro gol. Precisa caprichar mais nas tabelas pelo lado direito. Não foi à linha de fundo uma vez sequer, nem produziu nada que justificasse sua presença em campo. Precisa de uma sombra no elenco, algo que não existe ainda.

Bruno Silva: 5,5
Irritantemente preguiçoso. Me lembrou o Leandro Guerreiro ao praticamente abrir pro chute de Alan Patrick. Ganhou algumas divididas, mas errou passes fáceis até para um peladeiro. Às vezes passa a impressão de desinteresse. Cadê a vontade pra defender essa camisa, cidadão?

Rodrigo Lindoso: 5
Definitivamente, não tem nível para ser titular em time grande. No máximo, uma opção para compôr elenco e entrar vez ou outra. Chegou a hora de testar opções. O ideal, para mim, é Airton e Fernandes.

Fernandes: 6,5
Praticamente titular com a lesão de Aírton aos 7 minutos, foi quem mais tentou. Apesar de alguns erros bobos, como todo o time, brigou o tempo todo, conseguiu distribuir alguns lances e ajudar o solitário Salgueiro.

Gegê: 6
Sumido. Diferente do jogo contra o Volta Redonda, quando entrou e mudou o ritmo do Botafogo, não conseguiu mostrar poder ofensivo e deixou Salgueiro sozinho. Na sua principal função no esquema atual, falhou na cobertura do lateral no primeiro gol do Fla. No restante, mostrou raça, o que já o faz ser infinitamente superior ao Jacaré argentino.

Salgueiro: 5,5
Não funcionou. Parte por não estar inspirado, parte por estar sozinho na armação. Com Gegê sem funcionar e um volante improvisado como extremo direito, não criou volume de jogo e permitiu que o Fla martelasse nossa zaga até conseguir os gols. Ainda assim, lutou e saiu aplaudido. Será útil.

Ribamar: 5
Pior atuação do nosso garoto no profissional. É preciso ter cuidado para não queimá-lo. Jovens oscilam e isso é natural. Errado é ele carregar essa responsabilidade de camisa 9 titular de time grande.

Ricardo Gomes: 6,5
Não conseguiu fazer o time jogar. Demorou demais nas substituições e não teve a percepção de enxergar a má partida de Ribamar. Colocar o Luis Henrique – por quê nunca joga? – aos 47 do 2º tempo chega a ser sacanagem. No mais, precisa treinar a bola parada. Perdemos quase todos os lances no alto, e isso não é de hoje.

Observações

Victor Silva/SSPress

Victor Silva/SSPress
Torcida se mobilizou e enfrentou até o Sol para fazer uma bonita festa

– Impossível não registrar aqui os meus parabéns pros botafoguenses de Juiz de Fora, a maior torcida local. Sei que o preço era salgadíssimo e atualmente não tá fácil pra ninguém, mas a festa foi linda desde a recepção dos jogadores até depois do apito final. Vocês me representam.

– O que é o apitador apelidado de Índio? Esse cara é uma piada, uma vergonha para o futebol carioca. Fez merda o jogo todo e prejudicou os dois lados, principalmente o Botafogo com inversões nas marcações, faltas claras não marcadas e falta de pulso firme. Os lances da mão do Arão dentro da área e do carrinho por trás do Sheik foram patéticos. É inacreditável que os clubes do Rio ainda aceitem juizes dessa espécie estragando os clássicos. Um verme.

– No nosso esquema, tão elogiado aqui no blog, já aparecem os defeitos: a bola aérea defensiva e a solidão de Salgueiro. O primeiro se resolve com muito treino. Já o segundo, só quando a diretoria se coçar e resolver contratar extremos. Espero que não seja tarde demais. O Brasileirão é logo ali.

– O trabalho de Ricardo Gomes é positivo até agora e isso é inquestionável. Mas algumas coisas eu não consigo entender. Por que o Emerson Silva nunca joga? Por que o Luis Henrique nunca entra? Por que a insistência com Lindoso titular?

– Alguém conhece uma forma de mudar o time da namorada? Complicado demais assistir o jogo com minha molambinha ao lado. Triste também ver alguém que a gente gosta tanto torcendo pelo time do Mal. Haja amor…

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC