O Botafogo conquistou o seu principal objetivo do ano. Com o acesso à Primeira Divisão de 2016 assegurado, o momento é de tranquilidade e profissionalismo para planejar sem erros o elenco da próxima temporada. É preciso enxergar as lições deixadas pelo rival Vasco e também pelo próprio Botafogo, que, em 2004, passou enorme sufoco ao manter boa parte do grupo que conquistou o acesso na Série B de 2003.

O momento é delicado. A gratidão precisa existir diante de um grupo que, mesmo bastante limitado, nunca deixou de lutar nem baixou a cabeça nos momentos de dificuldade. No entanto, não foi à toa que o grupo foi montado majoritariamente com contratos curtos de um ano – justamente para mostrar que as contratações foram feitas visando um perfil de Série B. Para 2016, o grupo precisa ser, em grande parte, reformulado. Enfrentaremos um campeonato infinitamente superior, com adversários qualificados.

Por isso, a próxima temporada começa agora. O Botafogo não tem tempo a perder e precisa maximizar seus acertos. Portanto, quanto mais rápido começar seu planejamento, definindo setores carentes de reforços e mapeando possíveis nomes a serem trazidos. O blog Preto no Branco, é claro, se prontifica a ajudar.

QUEM FICA

Jéfferson – Dispensa comentários. Melhor goleiro do Brasil e um dos melhores do planeta, nosso capitão foi fundamental na campanha do acesso – como sempre foi, desde 2009. É preciso fazer um plano de contrato para segurá-lo até o fim da carreira, imortalizando mais um grande camisa 1 na nossa vasta galeria de ídolos.

Diego e Jean – Os laterais da base, que sempre se mostraram superiores aos titulares das posições, merecem permanecer. Primeiro por serem boas alternativas no banco, segundo por serem da base e terceiro por terem um salário baixo. Têm muito a evoluir, seguindo os passos de Gilberto, vendido à Fiorentina.

Renan Fonseca – Nosso xerife na Série B. Por tudo o que passou, sendo o jogador que mais atuou em 2015, merece nosso reconhecimento. Evoluiu bastante dentro de campo e cresceu tecnicamente, sendo um dos pilares da equipe. Zagueiro-zagueiro, é, no mínimo, boa alternativa no banco. Briga pela titularidade.

Diego Giaretta – Não é unanimidade, eu sei. Longe disso. Mas diante da nossa condição financeira e das oportunidades no mercado, se torna uma peça útil por ser polivalente, suprindo necessidades em eventuais lesões ou suspensões.

Willian Arão – O maior achado do Botafogo na temporada. Esquecido no mundo do futebol, chegou sob muita desconfiança, estreou muito mal, mas logo se recuperou. Firmou-se como peça-chave do meio-campo. Merece o esforço para mantê-lo, mas precisa se posicionar em relação aos boatos envolvendo o Flamengo. Precisa querer ficar. Titular.

Fernandes – Ainda oscilando, algo natural entre jovens valores, ele despontou como principal promovido da base. Com ótimas atuações, mostrou que ainda tem muito a crescer. Precisa de um reforço muscular para aguentar o tranco, mas tecnicamente é muito bom.

Daniel Carvalho – Sem dúvidas o jogador com maior qualidade técnica do elenco. Seus passes e lançamentos foram fundamentais na Série B. Com uma boa pré-temporada, tem tudo pra ser útil, mesmo que começando no banco. Diante do panorama atual do Brasil, jamais deveria ter se aposentado.

Élvis – É inexplicável o gelo que o melhor meia-atacante do elenco está tomando com Ricardo Gomes. Melhor alternativa no início do Brasileirão, passou a preterido por jogadores bisonhos como Diego Jardel e Lulinha na reta final. Outro que precisa de uma pré-temporada puxada e um reforço muscular. Botafogo mandou bem ao garimpá-lo na Série D. Seria um bom reserva.

Navarro – Outro achado do Botafogo. Não é um craque, mas surpreendeu pela qualidade de finalização. Precisa melhorar um pouco o posicionamento quando as linhas do time estão mais recuadas, mas sabe fazer o pivô e tem bom primeiro passe. Ótima alternativa no banco – seria ideal se o clube arranjasse um 9 de qualidade para titular.

Neílton – Não é o novo Neymar, como dizem, mas é um jogador bastante útil. Sabe aliar velocidade com habilidade e supriu bem a saída do Pimpão. Uma pena que sua permanência seja quase impossível, pois Mano Menezes o quer no Cruzeiro e seu salário é bem elevado. Vai deixar saudade.

QUEM SAI

Roger Carvalho – Chegou para liderar a zaga, mas não conseguiu se firmar – seja pelo futebol, seja pelas lesões que sempre atrapalharam sua carreira. Em alguns momentos, foi carregado por Renan Fonseca. Não o vejo como boa opção para uma Série A. Podemos achar jogadores melhores.

Luís Ricardo – O pior de tudo é que ele até tem alguma técnica, mas é um legítimo peladeiro. Seu problema não é ser ruim de bola, mas sim a sua total displicência. Perde a bola e não volta, não demonstra um pingo de raça, não se doa pela equipe. Jogadores assim são letais para qualquer planejamento de Primeira Divisão. Não à toa, o São Paulo sempre o empresta.

Carleto – O oposto de Luís Ricardo. Mostra alguma vontade, mas é muito ruim de bola – e tenta compensar jogando pra galera. Tem que ser muito inocente pra cair no seu joguinho de animador de torcida. Fraquíssimo, vive a mesma situação de ser sempre emprestado pelo São Paulo. Não pode ficar de jeito nenhum. Que vá ser avenida em outro lugar.

Camacho – Ainda procuro palavras para descrevê-lo. Não dá nem pra julgar se é ruim ou bom, simplesmente porque ele não é jogador de futebol. Mais inútil que feriado em domingo. Não serve nem pra fazer número em campo. Sua contratação é totalmente inexplicável. Não dá nem pra cogitar sua permanência.

Serginho – Nível técnico baixíssimo. Fez algumas partidas aceitáveis, se destacando na marcação, mas é limitado até pra Série B. Agradeço pela raça e pelos serviços prestados, mas não tem condições de seguir com a gente. Boa sorte no futuro!

Rodrigo Lindoso – Se destacou demais no Madureira e sua contratação foi muito pedida, inclusive por mim. Deu qualidade técnica ao meio-campo e cresceu ao lado de Arão, mas não foi aquele jogador do Carioca. O caminho natural é voltar ao Madureira pra disputa do Estadual.

Dierson, Andreazzi, Gegê e Octávio – Valorizar a base não significa colocar qualquer um pra jogar nos profissionais. Nem sempre as crias de General Severiano darão certo, e esses são 3 exemplos que deram muito errado. Ainda não compreendi o critério de utilização, visto que Sidney, Dedé e Fabiano sumiram. Precisam ser emprestados, vendidos ou simplesmente dispensados. Zero qualidade.

Diego Jardel – Provavelmente foi contratado via DVD, onde todos os lances foram na vitória do Avaí sobre o Vasco, em São Januário, por 5 a 0. Muito provavelmente, essa foi a única boa partida da sua carreira – e o Botafogo caiu no golpe. Fraquíssimo. Vai com Deus.

Lulinha – Contratado pra ser alternativa aos titulares, nem isso conseguiu. Até tem alguma noção de futebol, mas sua falta de inteligência tática mostra porque nunca conseguiu se adaptar ao futebol moderno depois de surgir como grande promessa no Corinthians. Não foi dessa vez.

Tomas – Particularmente, ainda acredito no seu futebol. Se a decisão fosse minha, tentaria mais uma vez. Mas preciso ser coerente com a análise geral e, dessa forma, não dá pra defendê-lo. Acho inacreditável que aquele jogador do Boa Esporte tenha simplesmente desaparecido. De repente a camisa pesou. Uma pena.

Sassá – Foi útil em alguns momentos da Série B, e só. Pode ser emprestado novamente, pois evoluiu bastante em sua passagem pelo Náutico. Mas ainda não é jogador de Primeira Divisão. Sua vaga precisa ser preenchida com mais qualidade.

Na próxima postagem, trarei uma lista de reforços – algo que sempre elaboro, divido com amigos e tento fazer com que chegue ao clube. Desta vez, decidi tornar público para debatermos os melhores nomes para alcançarmos um 2016 tranquilo e sem sustos, com alguma competitividade.

Saudações Alvinegras!

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC