Se existe algo que representa o significado de merecimento, certamente é o time Sub-20 do Botafogo.

Após o empate em casa na primeira partida da decisão, os meninos do Glorioso não se intimidaram com o bom público na Arena Corinthians e venceram com autoridade, por 2 a 0, conquistando o primeiro e merecidíssimo título nacional das nossas categorias de base.

Estão todos de parabéns. Garotada, staff, técnico Eduardo Barroca, gerente-geral Eduardo Freeland e o diretor Manoel Renha, que nunca desistiu desse grande projeto. É muito gratificante acompanhar tudo o que foi feito desde janeiro e até onde esse trabalho foi capaz de chegar. O título de Campeão Brasileiro é pouco para o que esse grupo merece.

Uma equipe focada, com postura de profissional, sabendo da sua capacidade e com muito respeito à camisa. Garotos que, com 20 anos ou menos, são homens prontos pra honrar nossa Estrela – seja na base ou no time principal. Uma tranquilidade que chega a assustar, a consciência do que representa vestir nosso manto e com o claro objetivo de levar a taça e partir pra transição ao time de cima.

No ano passado, o Sub-17 bateu na trave na Copa do Brasil. No Sub-20, dois títulos cariocas nos últimos 3 anos e agora a consagração com a conquista do Brasileirão. Muito mais que colecionar taças, o Alvinegro mostra que é possível fazer um grande trabalho com pouco investimento se houver profissionalismo – e a base é o único departamento que se empenha nesse sentido.

O sentimento é que dificilmente haverá outro grupo como esse. Pode existir até um melhor tecnicamente, o que acho já é bem complicado, mas não com essa postura. Além de serem uma família, sempre mostraram muita tranquilidade e convicção no êxito do trabalho. Parece que já sabiam lá em janeiro que, hoje, estaríamos aqui comemorando essa grande conquista.

Hoje será diferente: a nota é 10 pra todo mundo. Farei, ao invés disso, uma análise de quem acompanhou de perto todo esse processo. Quais as melhores qualidades de cada peça e o que a torcida pode esperar de cada nome nos próximos anos.

Aproveito pra deixar também um convite: valorizem nossos jovens. Compareçam aos jogos, apoiem todas as categorias e incentivem o crescimento de cada jogador. O Botafogo vai muito bem na formação – não só como atletas, mas também como pessoas. É muito prazeroso apreciar de perto todo esse processo.

Análises

Diego
Oriundo do Sub-17, entrou no time com a lesão do titular e administrou bem a situação. Decisivo na disputa de pênaltis com o Flamengo no Carioca.

Marcinho
Lateral ofensivo e incisivo de muita habilidade – fato que o levou a jogar também como meia em diversas oportunidades. Ganhou a vaga no decorrer da competição e virou grande arma no ataque.

Marcelo
Zagueiro de muito vigor, forte no jogo aéreo e também na marcação homem a homem. Sua passagem pelo Resende trouxe uma experiência importante que o deixou acima do nível da categoria. Seu destaque o levou a ser relacionado nos profissionais e a entrar bem na vitória sobre o Fluminense.

Kanu
Cresceu muito com a parceria com Marcelo e evoluiu bastante durante a competição. Com mais experiência, tem tudo pra se tornar um bom zagueiro.

Victor Lindenberg
Um dos melhores do time. Contabilizando impressionantes 26 assistências na temporada, tem a facilidade no cruzamento como principal qualidade.

Matheus Fernandes
Meia moderno, dividindo-se entre marcação e apoio. Bastante qualidade técnica pra sair jogando e chegar na área adversária com qualidade.

Gustavo Bochecha
Jogador mais preparado pra transição aos profissionais. Muita personalidade e qualidade técnica. Distribui o jogo como poucos, joga de cabeça em pé comanda o time em campo. Excelente jogador.

Yuri
Canhoto e habilidoso, foi também um dos destaques dessa temporada. Melhorando sua irregularidade, algo totalmente normal nessa idade, tem muito futuro.

Alisson
Talvez o elo menos forte dessa equipe. Tem qualidade técnica, mas normalmente não acompanha o ritmo dos demais. Tem espaço pra crescer, mas não está pronto.

Pachu
O coringa do grupo. Muito polivalente, joga em todas as funções do último terço de campo. Centralizado, aberto pelas pontas ou dentro da área, mostrou eficiência. No entanto, visando o profissional, ainda precisa crescer mais.

Renan Gorne
Matador demais e facilitador de jogadas ofensivas. Com quase 30 gols no ano, destaca-se pela capacidade de finalização e pelo bom pivô. Faz o jogo fluir com poucos toques na bola. Já apareceu aqui no blog. “Bobeou, gorneou”.

Mateus Jorge
Jogador inteligente e liso, chega bem à frente. Foi decisivo em alguns momentos, mesmo não sendo titular absoluto. Peça interessante e com muito potencial de evolução.

Lucas Campos
Muito rápido e habilidoso, fez excelente primeiro semestre. Devido a uma lesão, perdeu espaço no time titular com o crescimento de Pachu. Ótima peça pra jogar aberto pelos flancos.

Victor Hugo
Goleiro titular, mostrou muita capacidade. Também deixou o time com uma lesão no braço nessa reta final.

Jordan
Vigor físico e capacidade técnica, foi importante em diversos jogos, embora também não tenha vaga garantida entre os onze. Dá suporte à defesa e ajuda nas subidas ao ataque.

Eduardo Barroca
Me impressionou com tudo o que fez desde janeiro. Seja pela filosofia de jogo ou pelo gerenciamento do grupo, mostrou ter toda a situação sob controle em todos os momentos. Confio nele como poucas vezes confiei em técnicos do Botafogo. Tem tudo pra ser o sucessor de Jair Ventura nos profissionais.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC