O botafoguense que não estava com a saúde em dia certamente teve complicações cardíacas neste domingo.

Antes do jogo, a escalação montada pelo técnico Ricardo Gomes apontava uma mudança ofensiva na escalação. Emulando um 4-3-3 ou 4-2-3-1, nosso técnico abriu mão dos extremos marcadores e foi pra cima do Santa Cruz, adversário direto na zona do rebaixamento.

Diante do apito final, a preocupação transformou-se numa explosão de alegria e alívio. Em linda tabelinha entre Neílton e Camilo, um ótimo passe em profundidade do camisa 7 encontrou Sassá de frente pro goleiro. Ele teve presença de centroavante e sorte de artilheiro: mesmo finalizando mal, a bola encontrou as redes e nos colocou à frente do placar com 1 minuto de partida.

O gol mudou a história do jogo. Atordoado, o Santa Cruz permitiu que pressionássemos, criando diversas chances de gol. Em linda enfiada de bola por cima de Camilo, Neílton dominou, tirou o zagueiro pra dançar e tirou do goleiro com categoria. O 2 a 0 tranquilizava até o mais pessimista alvinegro em Juiz de Fora.

Mas, mesmo com a superioridade em campo, o Glorioso sofria com os efeitos colaterais do novo esquema: as chegadas do Santa Cruz pelos lados. O espaço era tão nítido que o técnico dos caras tirou o lateral, recuou Léo Moura – que jogava no meio – e colocou um atacante aberto nas costas de Pimpão, que pouco ajudava na marcação.

O que era apenas uma ameaça boba na primeira etapa transformou-se em pesadelo nos 45 minutos finais. Com as entradas de Leandrinho e Keno, o Santinha ganhou mobilidade e velocidade. Com tabelas rápidas pelas pontas, o adversário criou diversas chances. Em uma delas, Keno cruzou, João Paulo se adiantou à marcação – de novo, Renan Fonseca? – e tocou pro gol.

Toda aquela euforia e alegria pelo bom futebol do primeiro tempo desmoronava logo aos 3 minutos. E, dali até o apito final, o botafoguense teve um verdadeiro teste pra cardíaco. Nosso time cansou, parou de atacar e abriu caminho pra pressão adversária. Sem conseguir encaixar um contra-ataque pra matar a partida, sofremos até os 49 minutos com as constantes chegadas do time de Milton Mendes.

No fim das contas, a ousadia de Ricardo Gomes foi recompensada. Lançou o time pra frente, fez uma blitz nos primeiros minutos e abriu uma vantagem importante no placar. No entanto, é preciso observar que, contra times mais fortes, essa estratégia pode virar uma tragédia. Dá pra dosar ofensividade com segurança defensiva – algo que ele mesmo criou muito bem com os extremos.

Acima de tudo, nos resta comemorar os importantíssimos 3 pontos conquistados em Juiz de Fora. Saindo da zona, jogando um bom futebol enquanto tivemos fôlego e gerando uma nova perspectiva dentro do campeonato. A entrada de Camilo foi fundamental pra essa ascensão. Se gastássemos ligeiramente melhor nossa folha salarial, estaríamos bem mais tranquilos.

Notas

Sidão: 6
Bobeou em cruzamento que quase resultou no gol de empate. Apesar da pressão constante do Santa, não fez defesas importantes.

Luis Ricardo: 5
Sobrecarregado em alguns momentos, não conseguiu chegar bem à frente. Precisa parar com a mania de querer dar chapéus perto da nossa área.

Renan Fonseca: 3
Mais um jogo perdendo na velocidade pro atacante e cedendo gol aos adversários. Precisa parar de jogar, ou prejuízo será ainda maior. Volta, Carli.

Emerson: 8
Nosso garoto surpreendeu. Mesmo estando há muito tempo sem jogar, colocou Grafite no bolso e foi muito bem nos cortes lá atrás. Precisa aprimorar a saída de bola.

Diogo Barbosa: 6
Muito sobrecarregado pela inoperância defensiva de Pimpão, teve problemas lá atrás. Salvou um gol em cima da linha. Não consegue repetir suas ótimas atuações ofensivas.

Rodrigo Lindoso: 7
Ponto de equilíbrio no meio-campo. Bem na marcação e rodou bem a bola.

Bruno Silva: 6
Quase fez um golaço de bicicleta e ajudou um pouco na contenção, mas ainda longe de ser aquele jogador que impressionou na Chapecoense e no início da temporada.

Camilo: 9
Joga muita bola. Participou dos dois gols e distribuiu ótimos passes. Ótima contratação. Sua visão periférica impressionou nos passes. Teve seu jogo um pouco prejudicado pela vulnerabilidade defensiva do nosso meio-campo.

Pimpão: 4
Visivelmente sem ritmo de jogo, esteve muito apagado. Se Ricardo o orientou a fechar na marcação pelos lados, não conseguiu. Jogou quase como um extremo e não rendeu por ali.

Neílton: 8
Ótima partida. Armou, finalizou e ajudou na marcação em vários momentos. Não tem características pra jogar como extremo, e isso complica muito a escalação do Ricardo Gomes. Alguém vai sobrar.

Sassá: 7
Boa presença pra marcar o primeiro gol. Após pancada sofrida na cabeça sumiu. Saiu no intervalo.

Luis Henrique: 5,5
Seu jogo foi prejudicado pela pressão do Santa no 2º tempo. Precisa de ritmo pra recuperar seu bom futebol.

Fernandes: 6
Entrou pra tentar arrumar o meio-campo, mas não foi efetivo. Entre atacar e defender, acabou meio perdido.

Gervasio Nuñez: sem nota
Entrou no fim pra segurar a bola no campo de ataque, mas pouco apareceu e mal encostou na bola.

Ricardo Gomes: 7
Sua escalação esteve na linha tênue entre ousadia e irresponsabilidade. Conseguiu uma blitz que rendeu dois gols rápidos, mas abriu o meio-campo pelos lados e sobrecarregou os laterais. Torço pra que essa formação tenha sido uma exceção para explorar o momento e as deficiências do Santa Cruz.