Enquanto o Botafogo vive sua luta intensa no Brasileirão e leva a torcida à loucura com seus altos e baixos, um problema silencioso vai ganhando contornos dramáticos em General Severiano. Trata-se da carreira do jovem Luis Henrique, destaque do sub-17 e que subiu aos profissionais em meio à Série B de 2015.

À época, eu fui contundente ao me opor a essa prática; diante da estreia arrasadora do menino promissor, fazendo dois gols contra o Sampaio Correa, fui xingado por aqui. No entanto, infelizmente, os acontecimentos seguintes me deram razão: Luis Henrique, naturalmente, não estava preparado para os profissionais. Ao ter seu desenvolvimento apressado, queimou etapas importantes, como passar pelos juniores e enfrentar competições grandes.

Não me restam dúvidas que Luis estaria hoje muito mais preparado do que a um ano atrás. No sub-20, faria excelente dupla com Renan Gorne, municiado pelos bons Yuri, Lucas Campos e Mateus Jorge e resguardado por Buchecha, Matheus Fernandes e Jordan. Teria sido campeão carioca e estaria prestes a jogar uma final de Brasileirão. Mais maduro, mais evoluído e mais preparado.

Só que agora não adianta mais chorar o leite derramado. O erro já foi cometido e, de fato, dentro de todo o ótimo trabalho de base feito pelo clube, a maior dificuldade é no momento da transição. Após cair de rendimento, o jogador está queimado com parte da torcida, já foi vaiado e praticamente não entra mais em campo, perdendo espaço pra Pimpão, Canales e até mesmo Vinicius Tanquinho.

Vitor Silva/SSPress

Vitor Silva/SSPress
Para ver Luis Henrique em campo, atualmente, só acompanhando os treinos

O contrato de Luis Henrique vai até maio de 2017 – ou seja, ele já poderá assinar um pré-contrato com qualquer clube a partir de dezembro. Sem respaldo do clube, que mostra até certo descaso com a situação, a mãe e empresária do atacante já manifestou sua insatisfação com o panorama e a má vontade pra renovar o vínculo do jogador. Não tiro sua razão. Eu, se representasse o atleta, faria o mesmo.

Ao Botafogo, ainda cabe a tentativa de consertar toda essa situação. Como? Fazendo um plano de carreira, incluindo uma renovação longa e um retorno à base. Luís tem 18 anos e ainda pode jogar pelos juniores por duas temporadas. Saindo dos holofotes, ele teria tempo e condições pra recuperar a confiança e crescer como jogador, voltando aos profissionais quando estourasse a idade.

Resta saber se o jogador teria a humildade de reconhecer que precisa passar por esse processo, aceitando retornar às categorias inferiores – o que é visto por muitos como um retrocesso na carreira. Acompanhando as redes sociais do jogador, percebemos que seu padrão de vida já é outro desde que subiu ao time principal e isso também pode ser um fator contra.

Nos últimos dias, surgiu a possibilidade de o jogador ser emprestado ao Atlético-PR. O ex-jogador Sávio, que assumiu a gerência da carreira do garoto, pareceu empolgado com a oportunidade. O Botafogo, por sua vez, sinaliza com uma renovação até 2019 para, a partir daí, negociar um empréstimo até o fim da próxima temporada. Pode ser uma possibilidade, embora mantê-lo sob nossos olhos me pareça mais interessante pra todas as partes.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC