Com casa cheia, o Botafogo deu bobeira aos 3 minutos e passou os outros 87 tentando recuperar. Com muita luta, raça e dedicação, faltou futebol e competência no último terço de campo. Os desfalques pesaram no desempenho, mas o time saiu aplaudido pela torcida – que mostrou que a redução do preço dos ingressos dá resultado.

O Santos veio ao Rio de Janeiro pra jogar por uma bola e a ganhou de presente logo no terceiro minuto de jogo. Neílton vacilou, foi desarmado por Zeca na entrada da área e o lateral olímpico fuzilou pras redes, numa das pouquíssimas chegadas ao ataque do adversário paulista. O erro desestabilizou o time, que passou a jogar com pressa e insegurança em busca da virada.

Os desfalques de Luis Ricardo, Airton, Lindoso e Sassá fizeram uma falta gritante. O Botafogo abusou da ligação direta e dos chutões, fugindo da característica de toque de bola e aproximação pra triangulações que rendeu vitórias contra Cruzeiro, Fluminense, Palmeiras e Grêmio. Com muitos erros de passe e gols desperdiçados, acabamos perdendo pra nós mesmos.

Quando colocou a bola no chão e trabalhou as jogadas com  um mínimo de tranquilidade, o Fogão levou perigo na frente – embora pecasse demais nas conclusões. Acostumados a jogar no erro adversário, nos vimos obrigados a propor o jogo e tivemos sérias dificuldades com isso, só chegando na base do ‘abafa’.

A torcida reconheceu o esforço até o último lance, com Sidão quase marcando de bicicleta, e ovacionou o time na saída do gramado. Um reconhecimento não só pelo suor deixado em campo, mas pela campanha crescente nos últimos jogos. O bom futebol não veio hoje, mas o grupo até que superou suas limitações, na medida do possível.

Sem se abater, é hora de descansar e já se preparar pra próxima sequência. Serão dois jogos difíceis fora de casa, contra Vitória e América-MG, e o Glorioso precisará voltar às boas atuações se quiser voltar às vitórias. O sonho pelo G4 esfriou um pouco, mas estamos relativamente tranquilos em relação à zona de baixo. Que assim siga até o final do campeonato.

Notas

Sidão: 7
Sem culpa no gol, pouco trabalhou. Mereceu ter o nome gritado pela galera ao quase marcar de bicicleta no último lance.

Emerson: 7
Boa atuação. Seguro na defesa com bons desarmes, até se arriscou bem no ataque – apesar de, nitidamente, não ser a sua praia.

Renan Fonseca: 7
Não foi muito exigido e, até por isso, não comprometeu. Bem nas antecipações.

Emerson Silva: 6,5
Também não foi exigido, mas engrossou demais quando precisou botar a bola no pé.

Victor Luis: 7,5
Manteve a regularidade e teve outra boa atuação, ajudando muito na defesa e no ataque. Não pode sair do time.

Dudu Cearense: 4,5
Atuação bem fraca. Lento, não conseguiu acompanhar o ritmo do jogo. Perdeu duas chances claras de gol e ainda errou muitos passes.

Bruno Silva: 5,5
Um pouco melhor que seu companheiro, até por ser mais rápido, mas também deu mole. Perdeu muitas bolas no meio-campo e errou passes demais.

Diogo Barbosa: 7
Lutou e não se omitiu em nenhum momento. As melhores jogadas ofensivas começavam sempre em suas tabelas com Victor Luis.

Neílton: 6
Falhou feio e foi responsável direto pelo gol santista. O erro abalou seu psicológico e demorou a voltar pro jogo, só conseguindo boas participações na metade do segundo tempo. Ainda assim, abaixo da sua média recente.

Camilo: 7,5
Louvável a sua entrega. Esteve em todas as partes do campo, lutou, marcou, armou e quase fez outro golaço. Perigoso nas bolas paradas. Se cobra demais e isso é ótimo. Não é sempre que vai conseguir tirar um coelho da cartola.

Canales: 5,5
Pesado, pouco participou. É útil em jogos como o de domingo, mas não dá a mobilidade necessária pra propor o jogo. Estático na frente, não foi efetivo.

Rodrigo Pimpão: 6
Em alguns lances, mostrou algo ligeiramente parecido com futebol. Ao menos, mostrou muita raça.

Vinícius Tanque: 5,5
Grosso demais, não mudou o estilo de jogo ao substituir Canales. Pouco participou. Sua melhor jogada foi uma quase-assistência sem querer com a barriga.

Leandrinho: 5
Entrou participativo e buscando o jogo, mas errou simplesmente todos os passes que tentou.

Jair Ventura: 6,5
Penou com os desfalques e teve todo o seu plano de jogo destruído logo aos 3 minutos. Ao meu ver, errou ao colocar o Tanque quando precisávamos de mobilidade no ataque – eu testaria o Luis Henrique. Outro fator que chamou a atenção foi ter mantido Emerson na lateral. Se não confia em Diego, precisa avisar à diretoria: não podemos passar 12 rodadas improvisando um zagueiro por ali. Sexta é a data-limite pra inscrições e não me parece que Lopes esteja à procura de um lateral.

Fonte: Blog Preto no Branco - ESPN