Doze segundos.

Foi o tempo que o Botafogo precisou pra sacramentar mais uma derrota no Brasileirão 2016. Para combinar com o uniforme-pijama usado no Mineirão, o time entrou dormindo e tomou um gol patético na saída de bola do adversário. A partir daí, o plano de jogo foi pro espaço e o Glorioso precisou passar 90 minutos correndo atrás do prejuízo – diante de um adversário superior, isso é fatal.

Mas engana-se quem achar que o Galo fez uma grande partida. Pelo contrário. Após o gol, partimos pro ataque e martelamos durante 45 minutos. Jogávamos melhor, mas, como sempre, não conseguíamos transformar a superioridade em gols. O bandeirinha nos furtou duas chances claras e manifestas de gol. No último lance, veio a pá de cal: a zaga vacilou de novo e, em um contra-ataque, o Galo abriu 2-0.

Ainda assim, era possível acreditar numa reação que, apesar de improvável, poderia chegar se arrumássemos a cozinha. Mas como fechar a casinha com Renan Fonseca é algo quase utópico, tomamos mais um gol logo no início da segunda etapa. Aquele cara lá, que jogava no nanico aqui do Rio, marcou mais uma vez contra nós. Pelo menos agora foi por um time grande, apesar de freguês.

Com o 3-0, o Galo relaxou tanto que o juíz até se sentiu à vontade de marcar um pênalti após nos negar outros dois. Sassá, que entrou no lugar de Ribamar, machucado, colocou lá dentro. É assustador saber que ele, mesmo sendo reserva e tendo voltado de lesão há pouco, é o artilheiro do time em 2016 com míseros 6 gols – sendo 3 em penalidades máximas. Isso diz muita coisa.

A partir daí, virou pelada. Uma sucessão de gols que não mudaram em nada o que foi o jogo. O Cazares, que fez um carnaval na nossa zaga, marcou mais um golaço. Descontamos com Gervásio, em bola desviada; Carlos fez o quinto dos caras, em nova bobeira da defesa; e Bruno Silva, no apagar das luzes, fez outro de longe. Um 5-3 que poderia ter sido 2-1, traduzindo melhor a partida.

É possível enxergar alguma evolução no setor ofensivo, com a sobriedade de Camilo e a saída de Ribamar, perdido como referência. No entanto, é inadmissível que nossa defesa seja a peneira que foi essa noite. Os volantes também têm culpa. Impossível mensurar a falta que fazem Carli e Airton. E essa responsa recai toda sobre o nosso pífio departamento médico – um dos principais fatores que nos jogaram à zona de rebaixamento.

Notas

Sidão: 7
Mesmo com a enxurrada de gols, não teve culpa. Ainda fez algumas ótimas defesas. Definitivamente, eu estava errado ao criticar sua contratação.

Luis Ricardo: 6
Passou despercebido diante de tantos erros grotescos do miolo de zaga. Precisa caprichar nos cruzamentos e lances de linha de fundo em geral.

Renan Fonseca: ZERO
O mapa da mina. Perde na velocidade pra qualquer atacante que saiba correr. Foi humilhado por Cazares. Não pode jogar uma 1ª divisão

Emerson Silva: 1,5
Um pouco acima de seu companheiro, mas também uma tragédia. Falhou em quase todos os gols.

Diogo Barbosa: 4,5
Sobrecarregado, foi mal na marcação. Como Cazares caiu por ali, mal teve tempo de ir ao ataque.

Bruno Silva: 5
O gol de longe no fim do jogo não amenizou muito a sua má atuação. Em alguns momentos, parecia estar em slow motion.

Rodrigo Lindoso: 6
Alguns bons passes, mas não consegue substituir Airton à altura. Falta poder de marcação.

Fernandes: 5
Continua na sua sina de oscilação. É jovem e isso é natural, mas está exagerado. Precisa ter um mínimo de regularidade. Jogar ele sabe.

Neílton: 5,5
Tentou produzir, mas não estava em um bom dia. No seu novo papel de extremo, que havia funcionado bem contra o Inter, acabou comprometendo ao não ajudar na reposição.

Camilo: 7
Uma ilha de sobriedade e técnica. Sozinho, tentou de todas as formas. Será muito útil em nossa saga contra o rebaixamento.

Ribamar: 4
Perdido. Não deu sequência às jogadas e não funcionou como referência. Não nasceu pra ser camisa 9. Sua venda, se acontecer mesmo, virá em boa hora.

Sassá: 6
Entrou e melhorou o time simplesmente por ser um camisa 9. Meio atabalhoado, mas brigou e ganhou algumas jogadas. Eficiente em pênaltis. Deve ganhar a vaga.

Gervasio: sem nota
Num final de jogo maluco, não deu pra analisar muito. Brigou e fez um gol de sorte.

Pimpão: sem nota
Teve sua estreia ofuscada ao entrar com 3-0 no placar. Mal teve tempo de mostrar seu futebol.

Ricardo Gomes: 6
Erra ao insistir com Ribamar na referência. Poderia tê-lo testado jogando aberto, mas parece nem ter cogitado isso. Precisa experimentar alternativas ao Neílton como extremo – jogar com Victor Luis pode ser uma hipótese. Sofre com as ausências por lesão.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC