É óbvio que os clássicos cariocas devem ser disputados no Maracanã, mesmo sendo a atual versão muito distante do tradicional templo do futebol, estuprado pelas obras da Copa do Mundo de 2014. Mas num certame deficitário, com duelos entre os grandes de pífios públicos, os clubes deveriam ter o direito de levar seus confrontos para praças onde os custos sejam menores. Mas o regulamento do Campeonato Carioca de 2017 os obriga a atuar no maior palco da cidade.

Está lá no item 2 do Artigo 44: “As partidas dos clássicos, do turno semifinal e do turno final do campeonato deverão ser realizadas no Maracanã”. Jogar no local é caro, custa pelo menos R$ 300 mil e sem um público superior a 40 mil pessoas os clubes levam pouco, ou nada, para seus cofres. O Estádio Nilton Santos, com 45 mil lugares e condições adequadas para receber duas grandes torcidas, é opção mais acessível. Jogos de maior apelo para lá agendados beneficiariam o Botafogo, gestor do Engenhão.

O Artigo 62 aponta a sede das competições de atletismo dos Jogos Olímpicos deste ano apenas como alternativa para a eventualidade de o palco eleito como prioritário não estar à disposição: “O estádio Mário Filho (Maracanã) será considerado como campo neutro, assim como o Estádio Nilton Santos (Engenhão), caso não haja possibilidade de utilização do Maracanã”. Isso impede os botafoguenses de, em comum acordo, lá enfrentarem os rivais até com casa dividida, exceto se a Federação permitir.

O local é mais do que bem estruturado. Lá Usain Bolt conquistou suas três medalhas de ouro, atraindo as atenções de todo o planeta. Ainda assim o renovado estádio fica de lado para “clássicos” no torneio da Federação. Melhor para Lagardere e BWA, que se aproximam da concessão do Maracanã, como explica o blog de Gabriela Moreira — clique aqui e leia. No texto, a Ferj afirma que não tem interesse em administrá-lo, mas pela “expertise” se coloca à disposição de todos. Então tá.

Fonte: Blog do Mauro Cezar Pereira - ESPN.com.br