No futebol brasileiro, há um vilão silencioso. Muito comentado por quem assiste e por quem joga, mas ignorado pelos que mandam e comandam. Algo que joga contra o próprio produto que oferecemos. Se você acompanha futebol, certamente sabe do que estou falando: é o calendário, um problema grave no Brasil, cujas soluções não parecem interessantes para nossos cartolas.

Nossas datas são desumanas. Estamos na exata metade do ano e o Botafogo já jogou, desde janeiro, quase 40 partidas, decisão atrás de decisão. Não há elenco que aguente – principalmente o nosso, limitado e reduzido devido às combalidas finanças do clube. Esse maldito calendário que nos coloca, em 7 dias, diante de partidas decisivas por 3 competições diferentes e nos obriga a poupar as principais peças do time contra o líder do campeonato fora de casa.

Já que estamos falando em casa, mudemos de assunto; tem sido bem difícil jogar contra o Corinthians em sua Arena. Não só pelo time qualificado e muito bem treinado pelo ótimo Carille. Se alguém espirra em campo, a torcida corintiana pede pênalti. os jogadores, sabendo disso, forçam situações a todo custo. Daí a importância do tópico: a torcida está em seu direito, apesar de ser algo bem desagradável. O problema são as arbitragens que, quase sempre sem qualidade e/ou personalidade, cai no artifício.

O juiz, hoje, marcou um pênalti fora da área contra o Botafogo. Depois de um, dois, três pedidos histéricos da torcida local, ele não resistiu e apontou para a marca do cal erradamente. E, acreditem, isso foi o de menos: pênalti roubado não entra – e não entrou. No entanto, ele seguiu minando a partida com faltas apenas para um lado e irritando os jogadores. O braço só se erguia para um lado, e isso é algo frequente no Brasileirão. Seguirá acontecendo enquanto não profissionalizarmos nosso corpo de juízes.

Léo Pinheiro/Código19/Gazeta Press

Léo Pinheiro/Código19/Gazeta Press
Botafogo lutou, mas não resistiu à pressão

Nada disso, no entanto, serve como desculpa para o mau desempenho do Glorioso, que é o terceiro tema abordado aqui no texto. Viemos de uma sequência desgastante, o elenco é curto e bem mais limitado do que os excelentes resultados obtidos na temporada nos levam a crer. Ainda assim, é necessário apontar que o desempenho, sobretudo ofensivo, não tem sido suficiente e satisfatório: já é a terceira derrota consecutiva, todas sem marcar gols. São 270 minutos sem balançar as redes adversárias – e, ouso dizer, até sem muito ameaçá-las.

O Fogão, com seu time misto, até teve uma atuação aceitável no 1º tempo; administrou a pressão do Corinthians sem grandes sustos e encaixou um ou dois contra-ataques, fazendo valer seu esquema de jogo sem posse que predomina desde o ano passado. No entanto, a queda foi brusca na segunda etapa. A marcação afrouxou, o time aceitou a pressão adversária e pouco encostou na bola. Os contragolpes desapareceram e, de tanto insistir, o time paulista encontrou seu gol.

No principal período da temporada até aqui, o saldo é negativo. Perdemos a ida nas quartas da Copa do Brasil e fraquejamos diante do líder no Brasileirão. Ainda assim, tenho total confiança que o grupo vai se reerguer e conquistar um resultado positivo na Libertadores. Jamais ousaria duvidar de um time que já nos provou que consegue ir além sempre que joga em seu limite. E assim será.

Notas

Gatito Fernández: 10
Sinceramente, não tem outra nota. Defendeu o pênalti, defendeu o rebote do pênalti e defendeu trocentos chutes – que eu até perdi a conta. Grande fase do nosso goleiro.

Arnaldo: 6
Atuação discreta, mas sem erros graves. Pra ele, já é algo bom.

Marcelo: 5
Partida razoável até o lance do pênalti. Embora tenha sido fora da área, a falta foi em mais um bote bobo, errado e desnecessário. É uma grande revelação, mas às vezes peca pela inexperiência. Evoluirá com o tempo, mas hoje vacilou.

Igor Rabello: 6,5
Se recuperou da má atuação diante do Avaí e fez uma partida segura. Bons cortes pelo alto. No lance do gol, estava no bolo e errou como todo o time.

Victor Luis: 6
Visivelmente desgastado, poderia também ter sido poupado. fez o básico na defesa, mas nem se arriscou em subir ao ataque. Precisa descansar, pois é peça fundamental pra quinta-feira.

Dudu Cearense: 4
Muito mal tecnica e fisicamente, errou muitos passes e inviabilizou a saída de bola. Na marcação também não foi bem, errando botes e sendo facilmente driblado inúmeras vezes. É importante pro grupo, mas não tem mais pique – muito menos pra ser titular.

João Paulo: 5
Não repetiu as boas atuações e também foi engolido no segundo tempo. Tenho preferido quando atua avançado como um meia – como vinha fazendo até a lesão de Matheus Fernandes.

Bruno Silva: 5
A qualidade do seu jogo passa muito pela intensidade. Visivelmente desgastado e no limite, não conseguiu impôr seu ritmo – o que fez sua atuação ser fraca, com espaços na marcação e passes errados. Deveria ter sido poupado.

Gilson: 4,5
A ideia de Jair é boa e já deu certo com a dobradinha de Victor e Diogo no ano passado. No entanto, Gilson é fraco e definitivamente não consegue exercer a função. Com os extremos jogando mal, o contra-ataque fica bem comprometido.

Camilo: 4
Novamente desaparecido em campo. Que saudade eu tenho de poder elogiar suas atuações.

Guilherme: 5,5
Como não é centroavante de ofício, o time perdeu em referência mas ganhou em mobilidade. Funcionou em alguns momentos esporádicos do primeiro tempo, mas nada mais que isso.

Marcos Vinícius: 5
Entrou quando o time já estava completamente envolvido pelo adversário e praticamente não participou do jogo. Impossível julgar sua qualidade numa situação dessa.

Rodrigo Pimpão: 5,5
Tentou dar alguma lucidez ao setor ofensivo, mas nada fez.

Roger: sem nota
Entrou no desespero pós-gol e nem encostou na bola. Desnecessário.

Jair Ventura: 6
Não tem o que fazer e acertou ao poupar alguns titulares. Ainda assim, não entendi o motivo de escalar Victor Luis e Bruno Silva, duas peças-chave e que estão no limite físico. Poderia entrar com Fernandes de extremo pela direita, Gilson na lateral, Guilherme no meio e Marcos Vinícius no meio. Todos sabemos que não tem elenco suficiente para o rodízio, mas o mais importante era descansar os mais importantes para quinta-feira.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC