Cria da base do Botafogo, Sassá chegou aos profissionais em 2012. Com fama de artilheiro trombador, ele teve algumas oportunidades no time principal, mas nunca conseguiu render o que se esperava diante do seu rendimento na base.

Em 2014, foi emprestado ao Oeste. O clube tinha esperança de que, em clubes de menor expressão, ele pudesse, enfim, desabrochar. No entanto, pouco jogou por lá. Na mesma temporada, foi repassado ao Náutico. E aí começa toda a história.

No Timbu, Sassá desandou a fazer gols e evoluiu consideravelmente. Aquele garoto perdido na transição entre sub-20 e profissional, enfim, dava indícios de que poderia dar caldo. Ao retornar do empréstimo, com seu jogo um pouco mais amadurecido, teve nova chance no Glorioso.

Na Série B 2015 não foi titular absoluto, mas deixava sempre a sua marca, fazendo gols decisivos em bolas disputadas na área. Com um hat-trick contra seu ex-time, na Arena Pernambuco, se firmou como peça importante do elenco. A insistência do clube parecia ter valido a pena e o jogador estava cada vez mais valorizado.

Já em 2016, voltando de lesão às vésperas do retorno do Alvinegro à Série A, desandou a fazer gols durante a recuperação fantástica do time – tornando-se o artilheiro da equipe, que foi do Z4 ao G5, com 12 gols marcados.

Vitor Silva/SSPress/Botafogo

Vitor Silva/SSPress/Botafogo
Onde foi parar aquele Sassá aguerrido e dedicado?

Mas algo mudava dentro de Sassá. Aquele jogador voluntarioso, esforçado e aguerrido dava lugar ao marrento, malandro e desnecessariamente polêmico. As fotos começavam a chamar mais atenção que as atuações, e as brincadeiras com os companheiros deram vez às discussões e xingamentos em campo – culminando com a expulsão do atacante na última partida do campeonato, ao partir pra cima de Airton.

Sassá, que começava a dar seus primeiros passos na carreira de jogador, já se achava um craque. Talvez tenha levado a sério a música entoada pelos botafoguenses, afirmando que “ele é raça do Balotelli com a ginga do Neymar”. Era só uma brincadeira, meu camarada. Não se engane.

O futebol tem dessas coisas. É preciso ter a cabeça no lugar para alcançar seus objetivos. E Sassá, que apenas começava a engatinhar, achou que já sabia plantar bananeira. O jeito folclórico e desinibido virou arrogância e empáfia, surgiram fotos com maços de dinheiro do “bicho” e copos nas boates cariocas.

O jovem atacante se perdeu no caminho para se tornar um jogador útil. Achou que podia mais do que pode, achou que jogava mais do que joga. Achou ser maior que o Botafogo, e isso, meus amigos, o mundo da bola não perdoa. O corte da lista da pré-Libertadores é uma queda até branda perto do que Sassá merecia.

Ao Botafogo, cabe fugir do prejuízo. Hoje, fecha-se a janela de transferências para a Europa. A hora de vendê-lo é agora, antes que se torne um problema sem solução – como foi o Jóbson.

O Botafogo não é lugar para covardes – e nem para moleques.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC