Em 2015, apesar de os resultados quase sempre positivos, a maior crítica ao técnico Ricardo Gomes era a falta de padrão tático na equipe, o famoso “bando” em campo. No entanto, de forma surpreendente, o jogo virou; nosso treinador se reinventou na virada de ano, faz ótimo trabalho e o esquema de jogo é, agora, o seu maior mérito.

Sem muita qualidade no elenco, Ricardo tenta extrair do grupo o jogo coletivo mais forte possível. Com duas linhas de 4 bem compactas, cria e pensa o jogo a partir de sua intermediária. À frente, um homem na criação e, ainda mais adiantado, o único atacante. E apesar de 3 volantes na escalação, engana-se quem acusa o Botafogo de retranca. Atualmente, é preciso enxergar além das posições de origem.

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O 11 inicial do Botafogo nessa temporada. Apesar do ótimo desempenho, ainda há o que melhorar

Na sua linha central, o Botafogo concentra sua dinâmica e seu poder de propôr o jogo. Os dois volantes do miolo têm obrigações defensivas e ofensivas, ajudando no combate, desarmando e iniciando as jogadas de ataque. Já nos extremos, algo já bastante comentado aqui no blog, é onde Ricardo Gomes mais sofre: apesar de desenvolver bem suas ideias e conseguir o efeito tático desejado, ainda há um déficit de qualidade.

Isso porque, do lado esquerdo, temos o fraquíssimo Gegê – que, apesar de não ter qualidade alguma, consegue cumprir de forma razoável o seu papel tático. Pela direita, apesar de alguns bons jogos, Bruno Silva não é a peça que precisamos. Ambos são fatores importantes: precisam ser wingers na hora de atacar, podendo também centralizar o jogo, mas sempre com a obrigação defensiva de acompanhar os alas adversários, dobrando com os nossos laterais.

No terceiro terço do campo, restam duas peças. Partindo da linha do meio, Salgueiro, o meia central, tem a liberdade pra flutuar e buscar os espaços com dinâmica e criatividade – sabendo sempre a hora de armar e a de finalizar. Já Ribamar, além de ser o jogador-alvo, tem velocidade pra cair pelos lados tentando tabelas com meias, volantes ou extremos – não tendo a necessidade de estar sempre na área pra finalizar as jogadas.

Posto isso, chego ao ponto do texto: para ir ao mercado, o Botafogo precisa ter a exata noção do que procura – e, para fazer isso, é óbvio e notório que precisa ter o esquema tático e suas funções na ponta da língua. Esse é o momento onde o “setor de inteligência” seria importante, se mostrasse alguma qualidade para tal.

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O esboço mostra, na prática, o movimento dos jogadores da frente

Não se apeguem aos nomes, são apenas possibilidades. O importante é notar a necessidade das posições e funções ainda carentes no nosso elenco. Eis as nossas carências:

Um lateral esquerdo: Diogo Barbosa é o único jogador de ofício pra posição, já que Jean ainda não engrenou. O clube fez proposta por Marquinhos Pedroso, nome questionável que atua no Figueirense. Eu buscaria Bryan, ótimo jogador do América-MG, com vocação ofensiva e contrato terminando em agosto.

– Um volante: Imaginando que Bruno Silva disputará posição com Lindoso, resta trazer um reserva pra Airton – volta e meia fora por lesão ou suspensão. O Botafogo não indica se movimentar em função disso, mas eu buscaria o Rodrigo, que foi muito bem no Goiás e, hoje, está encostado no Palmeiras. Outro nome interessante é o de Jádson, ex Botafogo, hoje no Atlético-PR.

– Um meia: O clube tem pré-contrato com Marquinho, do Macaé, mas sabe que não é suficiente. É a posição mais complicada de encontrar no mercado, principalmente diante da nossa situação financeira. Sendo assim, buscaria Nádson, hoje no Paraná.

– Um extremo esquerdo: Visto que Gegê é nulo, precisamos de um jogador de qualidade pra revezar com Neílton – caso ele resolva voltar a jogar futebol. Rafael Marques, em baixa no Palmeiras, e Régis, também por lá, seriam nomes interessantes.

– Um extremo direito: Bruno Silva quebra um galho, mas não é o ideal – e pode preencher uma vaga entre os volantes. Por isso, é importante, além da contratação, que Ricardo Gomes teste o Fernandes nessa função, ou mesmo Luis Ricardo adiantado. No mercado, buscaria Yago Pikachu, sem espaço no Vasco, visando repetir suas excelentes atuações pelo Paysandu.

– Um atacante: Ribamar vem muito bem, apesar de ser pouco municiado. Luis Henrique ainda não deu as caras em 2016, mas também é uma aposta válida. No entanto, precisamos de alguém com experiência pra comandar os garotos. Eu apostaria em Alecsandro, do Palmeiras, ou Tulio de Melo, atualmente no Sport.

Obs.: alguns poderão observar a presença de alguns nomes de jogadores do Palmeiras. Isso se justifica pela possível reformulação comandada por Cuca, onde muitos jogadores podem se tornar negociáveis. Diante do nosso fraco poder aquisitivo, será preciso apelar às “promoções”. Muitos jogadores encostados no elenco inchadíssimo do Alviverde podem ser úteis por aqui.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC