Empatar com o Coritiba no Couto Pereira está longe de ser um mau resultado. Mas diante do panorama que se desenhou na partida de hoje, a sensação de que dava pra trazer a vitória se faz presente.

Em jogo morno, nenhuma das duas equipes esteve bem. Ambas tiveram sérias dificuldades para entrar na área adversária e não fizeram por merecer mais do que um pontinho de consolação. De chances claras, Kléber de um lado – com Sidão fazendo um milagre – e Emerson Conceição, que jogou cruzamento de Sassá contra o próprio patrimônio e explodiu no travessão.

O Botafogo se fechou bem nos primeiros 35 minutos de jogo. Apesar do esquema sem extremos que marcam, algo que já é marcante em nossa temporada, praticamente não fomos ameaçados – em contrapartida, também pouco chegamos ao campo adversário. Na reta final do 1º tempo o Coxa ensaiou uma pressão, mas só chegou com perigo no lance do Gladiador.

No segundo tempo, nossa incompetência ofensiva ficou visível. Dominamos o Coritiba por completo e passamos vários minutos tocando a bola no meio-campo sem conseguir encontrar penetração. Tanto é que a melhor oportunidade foi em um quase gol contra do lateral adversário. A boa fase do nosso ataque, que fez 8 gols em 3 jogos, não viajou a Curitiba.

Com a saída do apagado Neílton, Sassá abriu pela direita e Pimpão, que não deu sinal de vida, pela esquerda. O Glorioso ficou sem uma referência na área e, quando tentava jogar pelas pontas, além da falta de um jogador-alvo, esbarrou na displicência dos laterais. Precisamos aprimorar nossas jogadas de linha de fundo com triangulações e mais capricho na hora de cruzar na área.

Se serve de consolo, essa foi apenas a segunda vez que o Botafogo não sofreu gols no Brasileirão 2016 – a primeira fora de casa. O sistema defensivo se comportou até bem, contando também com a colaboração do ataque inoperante do Coxa. O pontinho na bagagem é importante pra seguir pontuando e, principalmente, segurar um adversário direto lá atrás.

Agora é treinar muito durante a semana, afiar a pontaria e se preparar pra estreia da nossa nova casa diante daquele time sujo lá da Gávea. Uma vitória é muito importante pra dar moral e embalar de vez na tabela. Pra cima deles!

Notas

Sidão: 7
Apesar de umas três trapalhadas com a bola, fez defesa milagrosa – e até meio sem querer, segundo ele mesmo – que garantiu o empate.

Luis Ricardo: 5
Sem muitos problemas na defesa, mas completamente displicente no ataque. Errou passes, cruzamentos e até domínios de maneira irritante. Falta garra.

Renan Fonseca: 6
Estava doido pra fazer uma das suas, mas quase não teve trabalho.

Emerson: 6
Também trabalhou pouco. Mostrou alguma melhora na saída de bola.

Diogo Barbosa: 6,5
Foi o que teve mais trabalho na marcação e, no geral, se saiu bem. Falta caprichar no ataque. Sinto falta das suas jogadas individuais do Carioca.

Airton: 7
Firme na marcação, protegeu bem a zaga – mesmo sobrecarregado pela ausência dos extremos. Cansou de novo, e isso preocupa.

Lindoso: 7,5
Trabalho de formiguinha. Fechou bem pelos lados e, com a presença de Airton, conseguiu se aproximar mais de Camilo. Bem nos passes e na distribuição de jogo ao buscar a bola no campo de defesa.

Neílton: 5
Não repetiu as boas atuações dos últimos jogos e deixou Camilo sozinho.

Pimpão: 3
Péssimo. Totalmente sem ritmo de jogo, muito abaixo do resto do time fisica e tecnicamente. Precisa aprimorar o quanto antes.

Camilo: 6,5
Nos acostumou mal. Fez a bola rodar e mostrou a técnica de sempre, mas não dá pra resolver sozinho sempre. Isolado e sem referência na frente, acabou facilmente anulado.

Sassá: 5,5
Muita luta, mas nada de produtivo. Precisa melhorar o pivô, algo bastante útil em jogos como hoje.

Leandrinho: 6
Entrou ligado e muito afim de jogo, mas também não conseguiu produzir.

Fernandes: 6,5
Entrou bem e ajudou na marcação.

Vinicius Tanque: sem nota
A surpresa desagradável do dia. Horroroso como sempre foi, entrou e mal conseguiu sair da posição de impedimento.

Ricardo Gomes: 5
Hoje não foi bem. Errou no esquema, na escalação e nas alterações. Pimpão, Neílton e Sassá não são Messi, Suárez e Neymar. Sua ousadia acaba não compensando e ainda pode expôr demais o sistema defensivo. Não pode abrir mão do esquema com extremos. Além disso, entrou com muitos jogadores sem condições físicas de aguentar 90 minutos e o time morreu no fim, quando poderia buscar uma pressão maior, já que não tinha mais alterações.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC