O botafoguense está acostumado a grandes desafios. Desde o ano passado, presenciamos jogos épicos, vitórias maiúsculas, decisões em Libertadores e confrontos com multicampeões continentais.

Diante desse ritmo frenético, simplesmente passamos por cima do Vasco em ritmo de treino. A facilidade era tanta que não dava nem pra acreditar. A cada gol, a cada drible, a cada “olé”, nada representava mais aquele misto de felicidade com incredulidade do que os gritos de “FICA, EURICO!“. O patético ditador cruzmaltino, que vive de suas bravatas que só funcionavam há 20 anos, hoje afunda o nosso rival de São Januário.

Ainda que Leandro Vuaden tenha nos proporcionado uma das arbitragens mais bizarras dos últimos tempos, o Glorioso nunca esteve ameaçado. O apitador só apontava o braço pra um lado e legitimou um gol de honra absurdo dos vascaínos nos minutos derradeiros, mas também precisou assistir ao passeio dos donos da casa.

O Fogão saiu na frente antes dos 5 minutos de partida. Depois, durante praticamente todo o 1º tempo, viu o Vasco tentar construir algo – sem sucesso. Em uma das raríssimas faltas marcadas em nosso favor, ampliamos o placar e jogamos a pá de cal antes mesmo do intervalo. Festa na bancada e apenas risadas direcionadas ao setor visitante.

Vitor Silva/SSPress/Botafogo

Vitor Silva/SSPress/Botafogo
União em campo e festa na arquibancada: a rotina do Botafogo em 2017

Na segunda etapa, houve tempo para mais. Ainda que o juiz seguisse irritando nosso time e minando com cartões desnecessários, o Alvinegro seguiu soberano e fez o terceiro. Caberiam também o quarto, o quinto e o sexto, mas acho que deu pena. Seguramos a onda e, entre um grito de “olé” e outro de “tri rebaixado”, ainda tivemos o desprazer de assistir o Luis Fabiano arremessar o Rabello no chão, num gol tão constrangedor que não foi sequer comemorado.

Em nossa casa é assim: bolinho de bacalhau e muita alegria. No marcante e eterno 21/6, olhamos com carinho para o passado enquanto projetamos um futuro de glórias e muitas alegrias. Só depende de nós. Sigamos nessa grande ilusão que têm sido os 90 minutos de loucura alvinegra.

O time segue crescendo e o clube, apesar das inúmeras dificuldades, está em um patamar que eu nunca vi. A torcida, reconhecendo, tem comparecido em número cada vez melhor. Essa união trará os títulos de expressão que tanto precisamos.

Segunda-feira tem mais. Nos encontramos no Niltão pra tomar aquela gelada e celebrar o Botafogo – afinal, quando ele joga, não importada nada!

Notas

Gatito Fernández: 6
Mero espectador. Pouco encostou na bola.

Arnaldo: 5
Mesmo em um jogo de completo domínio do Botafogo, consegue falhar seguidamente. Ora tecnicamente, ora taticamente. No gol de honra do Vasco, levou outra bola nas costas. Preocupante.

Joel Carli :7
Gigante nos cortes por cima, única maneira na qual o rival chegava à área.

Igor Rabello: 7
Igualmente bem nas bolas aéreas e também nos desarmes. No gol, foi descaradamente arremessado ao chão.

Victor Luis: 8,5
Atuação de gala. Bem na defesa, importante no apoio e a cereja do bolo: um golaço de falta, seu primeiro pelo clube. Merecido.

Rodrigo Lindoso: 7
Bem na transição e na saída de bola. Fechou bem os espaços.

Matheus Fernandes: 7,5
Vem crescendo muito jogo a jogo. Marcou bem demais. Com a maturidade, acertará os passes bobos que erra na saída de bola. Sua possível lesão é uma notícia terrível.

Bruno Silva: 8,5
Um monstro. Marca, cobre, sai jogando, cruza pra gol com a perna ruim, finaliza. Fase monstruosa do nosso camisa 8, um dos melhores jogadores do campeonato – se não o melhor.

Rodrigo Pimpão: 6,5
Não foi protagonista, mas teve boa movimentação.

João Paulo: 7,5
Não desiste de nenhuma bola. Vem evoluindo gradativamente nos passes. Sem a bola, recua para a linha de 5 ou até empurra o Lindoso pra trás em um 4-1-4-1. Dá mais dinâmica ao time; Camilo e Montillo vão precisar suar muito pra recuperar a titularidade.

Roger: 8
Boa movimentação e dois gols de centroavante. Com o time vibrante e o meio-campo encostando, as oportunidades apareceram naturalmente. Vamos apoiá-lo.

Dudu Cearense: 5
Entrou abaixo do ritmo do jogo e errou lances fáceis.

Guilherme: 5
Também não entrou bem e errou tudo o que tentou.

Montillo: 6
Correu e distribuiu timidamente as jogadas, mas o time caiu de ritmo com sua entrada.

Jair Ventura: 7,5
Seu time segue impressionando pela consistência, embora as alterações não tenham sido boas. Colocou o time desnecessariamente pra frente e expôs a defesa. O ritmo diminuiu, mas nada que afetasse o resultado.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC