O buraco não tem mais fundo.

Enquanto a diretoria chama de pessimista quem critica seu trabalho – e parte da torcida compra esse discursinho barato -, o Botafogo amarga o peso da lanterna.

Para o presidente Carlos Eduardo Pereira, no entanto, está “tudo bem”. O elenco está fechado. Não há motivos pra preocupação e é cedo demais pra falar em rebaixamento.

O fato é que, na 7ª rodada, uma nova queda já é iminente. Podem dizer que é cedo, que sou pessimista ou o que for. Mas eu, assim como vários outros, já estou avisando desde janeiro que esse time cai sem nem brigar. A qualidade técnica é baixíssima e, com esse elenco, não superaremos um time sequer na Série A.

Contra o Vitória, o discurso era de muita disposição e promessa de volta por cima. O que vimos em campo, no entanto, foi o mesmo marasmo das outras rodadas: um grupo fraco que precisa jogar no limite para, quem sabe, tentar ser minimamente competitivo.

Já jogamos 18,4% do Campeonato Brasileiro. A distância pra fora da zona de rebaixamento é de uma simples vitória, mas, na prática, isso está longe de acontecer. Contra um adversário direto, depois de conseguir sair na frente, o que já é um milagre, restava segurar a bola no ataque. Nem isso fomos capazes de fazer.

Analisar jogo a jogo parece cada vez mais dispensável. O problema é bem mais amplo; está no comando. Somos um barco à deriva num mar revolto, pois o piloto achou que tudo estava bem ao passar pelas marolas do campeonato estadual e resolveu tirar um cochilo.

Nesse cenário tenebroso, a torcida é como os violinistas do Titanic. Na bancada por puro amor diante de uma terra arrasada, ensaiamos tocar a última música antes de um naufrágio anunciado. Procurem seus botes e salve-se quem puder.

Notas

Sidão: 6
Muito pouco exigido. Não teve culpa no gol, apesar de ter desviado a bola.

Luis Ricardo: 5
Voltou a vacilar na defesa e perder bolas bobas na intermediária. Hoje, sua presença no ataque foi nula.

Renan Fonseca: 3
Levou um baile do rápido ataque do Vitória. Perdeu todas as disputas contra Kieza e Marinho. Muito lento e técnica zero.

Emerson Silva: 4,5
Outro que ficou perdido diante da velocidade adversária. Errou muitos passes bobos e se desesperou mesmo quando estava sozinho com a bola.

Diogo Barbosa: 4
Totalmente sem ritmo, foi nulo no ataque e comprometeu na defesa. Vacilou feio ao sequer notar a presença de Victor Ramos no gol de empate. Não entendi sua volta apressada ao time.

Airton: 7
É bom ver sua sobriedade de volta ao meio-campo. Mesmo sem ritmo de jogo, se mostrou um jogador inteligente e com pegada na marcação. Se condicionado fisicamente, será de grande valia.

Bruno Silva: 5
A sensação é que não consegue dar 100% do seu futebol. Sabe jogar, mas precisa se doar mais. Falta vontade. Perdeu gol feito no fim do 1º tempo.

Leandrinho: 7,5
O melhor em campo. Antes mesmo do jogo, já dava pra ver sua disposição. Se entregou, jogou com vontade e qualidade. Sua saída desestruturou completamente o meio-campo.

Gegê: 0 (ZERO!!!!)
Pior atuação individual que vejo em muitos anos. Não acertou um lance sequer. Me fez socar a parede e bater a cabeça no chão de tanto desespero. Sua capacidade tática não tem mais compensado a inaptidão técnica, como foi no Carioca. Perdeu a bola que gerou o lance do gol de empate do Vitória. Precisamos urgentemente de outro extremo canhoto.

Anderson Aquino: 2,5
Fraquíssimo. Desperdiçou muitos lances ofensivos. A bola, pra ele, é um elemento estranho. Alguém precisa se explicar por essa contratação – o que, convenhamos, era óbvio.

Ribamar: 3
Precisa urgentemente pegar um banquinho ou jogar longe do gol. Se o técnico faz tanta questão de mantê-lo no time, que o desloque pra função do Gegê. Definitivamente, não nasceu pra fazer gols.

Sassá: 6
Entrou com vontade, fez um gol de oportunismo e desperdiçou outros dez ataques. Pode ser titular, mas numa disputa entre ele e Ribamar, quem perde sempre é o Botafogo. Precisamos de um camisa 9 digno e não dá pra esperar por Canales.

Fernandes: sem nota
Na vaga de Airton, pouco apareceu para ser analisado. No entanto, foi nítida a queda brusca do poder de marcação. É muito complicado jogar sem Airton ou Lindoso.

Salgueiro: sem nota
Jogou pouco e não foi capaz de fazer nada de produtivo.

Ricardo Gomes: 5
Hoje, errou mais do que acertou. Não entendi a saída do Victor Luis, um dos melhores do time, pra entrada de um jogador sem ritmo. Com a saída de Leandrinho, desestruturou o time mais ainda ao colocar Salgueiro como extremo. No resto (leia-se Gegê, Aquino e afins) não tem culpa. Precisa de material humano.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC