Meu botafoguismo nasceu no Caio Martins, mas foi no Maracanã que seu caráter foi moldado. Feliz de quem conseguiu frequentar o Templo Sagrado do futebol carioca quando o tal futebol moderno ainda não existia. Tanto na fase da geral de cimento com ingressos a R$ 1,00 quanto no período após primeira obra, com áreas amarelas, verdes e brancas, o Mário Filho marcou a infância e a adolescência de praticamente todos os amigos de arquibancada.

Foi lá que comemorei meu primeiro título in loco, em 2006, contra o Madureira; foi lá que vivi momentos mágicos que não deram em absolutamente nada em 2007; foi lá que saí chorando contra o Figueirense, mas também sorrindo contra o Flamengo em 2010; alegrias e tristezas, decepções e euforias, a rotina intensa de um torcedor de bancada, quase toda vivida no Maraca.

Logo mais, nos mudamos para o Nilton Santos. Sou feliz lá: nossa casa, nossas cores e o início de uma história que tem tudo pra ser linda e duradoura. Ainda assim, é impossível não sentir saudade do palco da partida de hoje, quase que irreconhecível depois de tantas obras, mas ainda com aquele ar soberbo e inconfundível. Sorte de quem o conheceu tão bem a ponto de reconhecê-lo, mesmo diante de toda a putrefação causada pela ganância dos podres corruptos que o destruíram.

Ricardo Rocha

Ricardo Rocha
O estado lamentável de abandono do Maracanã atual

Mesmo que com cadeiras manchadas, degraus imundos e uma aparência de dar dó, deu pra matar a saudade na vitória de hoje. Foi empolgante e nostálgico ver o Botafogo bem postado em campo, muito superior àquele rival das Laranjeiras que jogou a Série C. Sobramos em campo no primeiro tempo e no segundo até cansarmos, colocando duas bolas na trave e obrigando o frangueiro do Júlio Chester a fugir à regra e fazer uma boa partida – talvez a primeira da sua carreira, eu diria.

Superamos o cansaço e propusemos o jogo, fugindo um pouco da maneira de jogar que vem consagrando o time de Jair Ventura. Com a bola no chão, rondamos a área e martelamos até a cabeçada de Roger encontrar as redes. Mesmo ensaiando uma pressão, o fraco time da galera do Circo Garcia pouco ameaçou o mito Jéfferson, que poderia até ter comido uma pipoquinha durante boa parte do jogo.

A vitória tira o alvinegro da sequência amarga de 3 jogos sem vitória no Campeonato Brasileiro e nos coloca a ponto de saltar pra dentro do G6 e voltar a frequentar o bolo de cima. Para isso, precisaremos encher nossa casa na próxima segunda-feira e vencer o time chato do Sport – aquele mesmo, campeão brasileiro de 87. Nos vemos lá!

Notas

Jéfferson: 6
Ao contrário do último jogo, dessa vez foi mero espectador. Só trabalhou em cobrança de falta de Scarpa que, inclusive, ia pra fora.

Arnaldo: 6,5
Partida correta. Boa atuação no setor defensivo.

Joel Carli: 6,5
Pouquíssimo trabalho com o ataque tricolor. Deu conta sem muito esforço.

Igor Rabello: 7
Seu retorno deu mais segurança ao sistema defensivo. Muito bem nas bolas aéreas, cortando quase todos os cruzamentos.

Victor Luis: 6
Fechou bem o seu lado. Sua suspensão vai ser boa pra descansar, já que está muito desgastado pela sequência intensa de jogos.

Rodrigo Lindoso: 5,5
Destoou do restante do meio-campo, errando muitos passes perto da área que poderiam ter nos complicado.

Matheus Fernandes: 7
Tem tudo para tornar-se um jogador extra-classe. Nas denominações atuais, é o volante “área à área” (box to box). Marca, arma e ataca com a mesma qualidade. Vamos aproveitar enquanto ainda o temos por aqui, pois infelizmente não deve durar muito.

João Paulo: 8
O melhor em campo. Vive fase iluminada e hoje fez outra partidaça, dessa vez deslocado à função de extremo devido à ausência de última hora do Bruno Silva. Fechou bem o setor, apareceu bem no ataque e bateu o escanteio no lance do gol.

Rodrigo Pimpão: 6
Cumpriu bem seu papel tático, mas sem inspiração no ataque.

Marcos Vinícius: 7,5
Sua entrada agregou características que praticamente não tínhamos no elenco: força física, velocidade e chutes de longa distância. Fez excelente primeiro tempo, dando dinâmica e movimentação ao nosso meio-campo e quase fazendo dois lindos gols. Na segunda etapa, cansou devido à falta de ritmo de jogo. Pode agregar muito.

Roger: 7,5
Hoje estava afim de jogo. Saiu da área, correu, tabelou, enfiou bolas e até deu chapéu. O gol, por incrível que pareça, foi o de menos. Mais uma vez marcando em clássico, mostra que gosta de grandes jogos. Precisamos dele sempre como foi hoje.

Guilherme: 6,5
Entrou para dar velocidade aos contra-ataques e até levou perigo, acertando a trave em belo chute. No entanto, precisa caprichar mais no passe e ter mais calma nas tomadas de decisão – pois erra quase todas.

Camilo: 5
Perdemos o meio-campo a partir de sua entrada, permitindo que o Flu se postasse em nossa intermediária. Está tão mal que nem uma simples cabeçada consegue acertar – errando o mesmo lance 3 vezes. E ainda querem renovar…

Fernandes: sem nota
Entrou para renovar o gás e ocupar espaços. Sem grandes participações.

Jair Ventura: 8
Seu time mostrou muita movimentação e dinamismo. Acertou ao finalmente barrar Emerson Silva, que vive péssimo momento. Hoje, fez o time fugir um pouco de sua característica e conseguiu jogar com a bola, principalmente no primeiro tempo.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC