O Botafogo nunca esteve em uma posição tão baixa na classificação do Campeonato Brasileiro. Com exceção da primeira rodada, quando foi derrotado pelo São Paulo por 2 a 0 e terminou em 17º, a 14ª colocação, posição finalizada após o término da 29ª rodada e a derrota para o Cruzeiro, no Estádio Nilton Santos, na última quinta-feira, é a pior do Alvinegro na competição.

Vale ressaltar que, obviamente, que três pontos representam a maior quantidade possível de alcançar na primeira rodada. Por isto, a 17ª colocação na jornada inicial do Brasileirão não representava uma preocupação. Agora, o Botafogo se vê cada vez mais perto da zona de rebaixamento. Com a derrota, a diferença para a degola é de três pontos.

Esta também representa a menor distância do Botafogo para a zona de rebaixamento desde o começo do segundo turno. O Alvinegro, que chegou a lutar por uma vaga no G6 antes da Copa América, caiu de rendimento após a competição entre seleções. Com o choque de realdade, a disputa, de forma definitiva, é para se manter na primeira divisão.

O Fluminense, primeiro clube no rebaixamento, tem 30 pontos. O Botafogo, com 33, possui duas vitórias a mais em relação ao rival, o que dá vantagem nos critérios de desempate. A sequência do Alvinegro, porém, não promete ser fácil: no próximo domingo, enfrenta o Santos, terceiro colocado, na Vila Belmiro, às 20h. Quatro dias depois, enfrenta o Flamengo, líder, no Estádio Nilton Santos, às 21h.

Diante do Cruzeiro, faltou organização tática. O Botafogo se fez presente no campo de ataque, mas muito mais por meio da vibração, empurrados pelos gritos nas arquibancadas, do que por organização dentro de campo. Apesar das 20 finalizações, apenas cinco destas foram na direção do gol de Fábio e o Alvinegro teve três chances reais de marcar – Marcinho finalizou de longe e a bola passou perto após duas confusões na área.

NÃO FALTOU VONTADE, MAS…

O Alvinegro exagerou nos cruzamentos. Ao todo, foram 34 bolas alçadas no ar, mas sete acertam o alvo prometido, o que representa uma taxa de acerto de 7%. O Cruzeiro, que conquistou a vantagem por meio da bola parada, adotou a estratégia de esperar no próprio campo e, guiado por uma atuação acima da média do sistema defensivo – e também por algumas práticas para o tempo passar, como o anti-jogo – venceu a partida.

No começo do segundo tempo, principalmente, o Botafogo sufocou o Cruzeiro em busca do gol. Os primeiros minutos da etapa complementar foram marcados apenas por ataques do Alvinegro, pressionado em busca do empate. As tentativas, porém, não surtiram efeito. Quando teve a bola, o time buscava acionar os pontas, mas a bola nunca chegava à área com qualidade. Portanto, as tentativas de finalização foram prejudicadas.

– Foi até um pedido meu no intervalo para que antes de falar algo tático ou de posicionamento, pedi aos jogadores que tivessem tranquilidade, porque iríamos criar as oportunidades. Que fossemos lúcidos para tentar fazer a penúltima e a última bola e para que concretizássemos em gol. Para que não nos desorganizássemos defensivamente para que as jogadas saíssem normalmente. São situações que fogem um pouco pelo clima do jogo, importante, de confronto direto e com duas grandes equipes – afirmou Alberto Valentim, após a partida.

Faltou organização. Por mais que tenha sobrado vontade, o meio-campo ainda não se entendeu com o ataque. Diego Souza, longe do gol, não assustou e foi um mero antagonista da partida. O camisa 7, afastado da meta, até participa mais da construção de jogadas no campo defensivo – mas, diante de um time que resolveu recuar, tal movimentação não surtiu efeito. O atleta não teve oportunidade de finalização e saiu de campo sem nenhuma chance real. Por fim, a derrota liga, definitivamente, o alerta contra as últimas posições.

Fonte: Terra