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Botafogo, Atlético-MG e Corinthians chegam ao clube do bilhão em dívidas

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Estádio Nilton Santos Engenhão - Botafogo
Reprodução/CariocãoTV

Joan Laporta, que voltou há pouco à presidência do Barcelona, descreveu a situação financeira do clube com uma frase marcante quando ainda estava na oposição: arrecada um bilhão, gasta um bilhão e deve um bilhão. Esse ciclo já começa a chegar ao Brasil, mas com uma característica peculiar: de bilionária, por enquanto, só a dívida.

Botafogo, Corinthians e Atlético-MG anunciaram balanços que atingiram ou chegaram perto da marca — e em nenhum deles estão considerados os gastos com construção de estádio. Cabe, claro, o disclaimer de que o bilhão que eles devem é de reais. O Barcelona deve em euros, mas todos gastam e arrecadam na mesma moeda.

Cada dívida tem sua história. Em comum, os clubes brasileiros têm o fato de que Messi nunca vestiu suas camisas e de que todos já passaram, neste século, pela Série B. No mesmo período, Corinthians (Brasileiro, Copa do Brasil, Libertadores e Mundial) e Atlético (Copa do Brasil e Libertadores) conquistaram títulos de expressão nacional e internacional. O Botafogo, só o Estadual.

Também é importante registrar que esse patamar foi atingido num período de sucessivas benesses do poder público. No Brasil, clubes de futebol tiveram, entre a Timemania e o Profut, uma série de perdões de dívida com a qual empresas e cidadãos sequer podem sonhar. Suas diretorias contaram sempre, também, com a lentidão do sistema judiciário, que arrasta processos trabalhistas de um mandato para outro. Assim surgiram casos como o da dívida de um milhão de reais contraída pelo São Paulo, que na hora de pagar já estava em 15 — a cargo, claro, de outro presidente, e não do que a contraiu.

O futebol, no Brasil e no mundo, já passou há muito tempo do ponto em que podia ser considerado um entretenimento que precisa gastar dinheiro, mas não sabe bem como arrecadá-lo. Nem a várzea se paga mais com dinheiro de rifa. Modelos como o do patronato de banqueiros do jogo do bicho, que ainda funcionam para as escolas de samba, não emplacaram a virada do século. Até para chegar ao bilhão de dívida é preciso ser profissional — uma associação de bairros pode organizar quermesse uma vida inteira gastando mais do que arrecada que não vai chegar lá.

O futebol brasileiro escolheu um modelo de profissionalismo pela metade, privilegiando sempre o aspecto do jogo, da competição, da obsessão por títulos. O importante, sob esse ponto de vista, sempre foi gastar. Arrecadar parecia secundário — basta ver por quanto tempo os dirigentes acreditaram que vender direitos de transmissão para a TV era prejudicial, porque tirava público dos estádios. Entrou no negativo? Vende um jogador que resolve — e quando o mercado externo se abriu de vez para a chegada de estrangeiros, depois da Lei Bosman, virou a tábua de salvação.

É uma receita bilionária às avessas, a cultura perfeita para a fermentação da dívida. E chegou a tal ponto que põe em cheque até a transformação em empresa, que os próprios clubes passaram a ver como a única solução para sair do buraco. Se você tivesse dinheiro para investir no futebol, preferiria um clube tradicional com um débito gigantesco ou um pequeno ou médio com as contas equilibradas? É a pergunta de um bilhão de reais.

Fonte: Coluna do Marcelo Barreto - O Globo

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