A baixa condição financeira faz o Botafogo utilizar a criatividade para buscar e criar reforços. Desde 2009, o clube voltou a investir na categoria de base e tem colhido bons frutos. E para manter o sucesso, o Alvinegro está garimpando jovens e foi o único time a mandar olheiros para a tradicional Taça das Favelas. O problema é que a diretoria de General Severiano não contava com concorrência de um rival totalmente inesperado.

Campeão da Taça das Favelas 2014, a Vila Kennedy, chamou a atenção do Botafogo. Porém, os craques da competição e da grande final, que haviam sido selecionados para a fase de treinos no Alvinegro, despertaram o interesse também de clubes da Bulgária, que ofereceram salários e empregos remunerados para os pais do atacante Matheus e do meia Gabriel.

“Da Vila Kennedy viriam quatro jogadores. Mas dois deles, que estavam na fase de treinar com os federados, receberam propostas da Bulgária e não vieram. Já estão deixando o país precocemente. Envolve dinheiro, oportunidade para a família, aí fica difícil competir. Perdemos os craques da final e do campeonato”, disse Victor Aurélio, supervisor de captação do Botafogo.

O caso é bastante semelhante com o de Eduardo da Silva. Também da Vila Kennedy, o atacante despertou o interesse do Dínamo de Zagreb-CRO. O jogador fez tanto sucesso que se naturalizou e foi convocado pela Croácia, chegando também a defender o poderoso Arsenal, da Inglaterra.

Poucos são aproveitados pelo Botafogo

Cerca de 40 jovens foram inicialmente selecionados pelo Botafogo para realizar uma peneira. O resultado, no entanto, não dos mais animadores, já que apenas quatro jovens avançaram para a próxima fase, que será treinar juntamente com os atletas federados do clube. Para Victor Aurélio, algumas crianças não conseguiram repetir o desempenho da Taça das Favelas, o que é normal.

“Eles falam o tempo todo o quanto estão felizes com essa oportunidade. Só de um grande clube ter aberto suas portas para eles tem sido até mesmo a realização de um sonho. Ainda não tem nada definido sobre quem vai ficar, mas só de estarem nessa fase já significa que estão muito bem. Não é qualquer um que joga na base do Botafogo”, afirmou.

“Muitos jogadores que vimos potencial não conseguiram repetir o bom desempenho no Botafogo. Isso acontece mesmo. No clube, a concorrência é grande e tem um ambiente mais profissional. Pelo trabalho feito na base, alguns sentiram bastante. Até porque a nossa base tem gente do Brasil todo, não só do Rio. Às vezes um jovem que se destacou na Taça pode não repetir isso no Botafogo, mas encontramos jogadores de nível bom”, acrescentou o dirigente do Alvinegro.

Os quatro jogadores que permanecem fazendo teste no Botafogo e terão um mês decisivo pela frente. Eles já estão em fase final e são avaliados pelos técnicos das categorias juvenil e infantil. Somente se receberem o aval dos treinadores é que os jovens atletas serão federados e integrados definitivamente à base do Alvinegro.

Fonte: UOL