Há 20 anos, nas arquibancadas do Maracanã, no dia de 27 de junho de 1999, não havia espaço para mais nada. Apenas para a sina de 101.181 torcedores do Botafogo no segundo jogo da final contra o Juventude. O empate em 0 a 0 nos 90 minutos não foi suficiente para a conquista da Copa do Brasil (o time gaúcho venceu na ida por 2 a 1), mas marcou a memória de quem foi ao último jogo em que o Maracanã registrou um público acima dos 100 mil.

— A decisão do jogo para nós teria sido no último lance do Rodrigo, que ele perdeu o chute. Nunca vi cem mil pessoas juntas em um estádio sem fazer nenhum barulho. Isso doeu demais em mim. Acreditava muito naquele título — relembra Sônia Carvalho, hoje com 65 anos e presente naquela final.

Mosaico, cânticos em uníssono e muitas caravanas de fora do Rio marcaram aquela tarde. Algo só comparável, segundo eles, aos jogos da Libertadores. Ao fim da partida, jogadores do Juventude ligavam para os parentes, direto do Maracanã, para contar sobre o título.

— Hoje é mais confortável, mais fiscalizado, mas o jeito anterior, sem conforto e desorganizado, era mais charmoso e simples. Antes a torcida era mais confiante, hoje sofremos com um jejum de títulos — relata Rafael Cirilo, de 27 anos, presente no Maracanã pela primeira vez naquele dia.

O jogo de hoje, às 21h30, será o reencontro dos alvinegros com o Juventude. Se o estádio e as equipes são muito diferentes, o sentimento é o mesmo: estar na lá para apoiar o time na busca do título inédito.

Lembranças do maior público do torneio

A perda do que seria um inédito título da Copa do Brasil marcou quem estava no Maracanã no maior público da história do torneio. Para muitos, a vida de torcedor a partir daquele jogo foi de poucas alegrias e muitas decepções. O Botafogo não foi nem de perto o mesmo nas últimas duas décadas após a derrota.

— Levei meus filhos pro jogo, mas depois da derrota em nenhum momento eles demonstraram vontade de mudar de time. Ficaram um dois jogos sem ir e seguimos indo novamente — conta Sônia.

Para Rafael Cirillo, a esperança naquele dia estava nos pés do artilheiro Bebeto, que passou em branco.

— O Botafogo massacrou, mas não furou a retranca. Meu pai vibrava a cada bola na área, na esperança do gol do Bebeto — recorda.

Hoje, a esperança dos dois é de um resultado diferente de 1999. Mesmo com a vitória, o passado sempre estará na memória dos torcedores:

— Vou estar lá , vou fazer uma foto com meu pai pra comparar 2019 com 1999 — conclui Cirillo.

Zé Ricardo não confirma escalação

Há dez dias com atenções totalmente voltadas à Copa do Brasil, o técnico Zé Ricardo teve tempo de sobra para testar o que fosse possível no time do Botafogo.

— Foi uma fase de ajustes, melhoras em todos os aspectos. Essa foi a busca. Certamente amanhã a gente deve apresentar algumas melhoras, principalmente no quesito físico, técnico e tático — explicou, em entrevista.

Eliminada precocemente do carioca, a equipe tem como desafio render em pontos corridos da mesma forma que no mata-mata: o alvinegro passou por Campinense e Cuiabá, pela Copa do Brasil, e o perigoso Defensa y Justicia, pela Sul-Americana. Para o duelo contra o Juventude, hoje, às 21h30, no Nilton Santos, o técnico preferiu manter segredo sobre a escalação.

— Vou deixar esse detalhe (a escalação) para amanhã. Do outro lado temos um treinador muito experiente — falou, ontem.

Uma das certezas é a ausência do chileno Leo Valencia, em fase final de recuperação após voltar de lesão. Outra baixa é o zagueiro Joel Carli, que segue no estaleiro até, pelo menos, o Brasileirão. Com isso, a tendência é que Ferrareis e João Paulo disputem a vaga no comando do meio-campo alvinegro. O experiente Cícero deve formar a dupla de volantes com Alex Santana.

No ataque, o técnico sinalizou que Diego Souza segue centralizado. Entre treinos e jogos, a comissão técnica busca colocar o camisa sete em sua melhor forma física.

Fonte: Extra Online