O Botafogo demitiu 45 funcionários na última segunda-feira. A medida, diante da pandemia do coronavírus, foi para auxiliar a diretoria do clube a diminuir a folha salarial e, consequentemente, aliviar os cofres do clube de General Severiano, que estavam apertadas antes mesmo do COVID-19. Ao LANCE!, Luiz Felipe Novis, vice-presidente de finanças do Glorioso, explicou como os desligamentos foram feitos.

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– Estamos vivendo em um contexto difícil, foi a necessidade de otimizar. A situação do clube está mais complicada ainda do que geralmente é. Reunimos os chefes de todas as áreas e vimos como reduzir as folhas. Não dava para continuar a mesma folha nesse momento. Foi feito o critério de analisar as pessoas. É triste, obviamente nunca ficamos satisfeitos de demitir ninguém, mas foi preciso – afirmou.

O salário de maio dos jogadores não será mexido, como ressaltou Carlos Augusto Montenegro. Os funcionários, por outro lado, receberam apenas os vencimentos de janeiro e parte de fevereiro em 2020.

– Continua o mesmo processo. O que a gente receber vamos acertar a folha com os funcionários restantes, pelo menos o mês de fevereiro. Não trabalhamos com um prazo certo, a gente espera acertar em breve – admitiu.

Botafogo não faz uso da MP 936

Diante do cenário de demissões, o Botafogo tinha a opção de aderir à Medida Provisória 936, que diz respeito à redução de salários e da jornada de trabalho em até 75% por até três meses – com o clube não podendo desligar ninguém por seis meses, no caso. Luiz Felipe Novis explicou que o Alvinegro não buscou este caminho porque os desligamentos estavam previstos de qualquer jeito.

– Com a MP, de certa forma, a gente teria que ser obrigado a recontratar essas pessoas no futuro. Estamos fazendo uma analise nos gastos do clube. A quantidade (de funcionários) estava subdimensionada. Ninguém fica satisfeito com isso, mas não daria para usar a MP agora e depois ficar com essa obrigação. Foi feito um ajuste administrativo, como em qualquer empresa. O Botafogo não tem nada de diferente, infelizmente. É a própria conjuntura do clube. Em algum momento nós faríamos isso, até pela chegada da S/A – disse.

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O dirigente, por outro lado, admite que o Botafogo pode buscar a Medida Provisória no futuro. Novis afirmou que a ação do Governo Federal é uma ação viável caso as competições – e as receitas, consequentemente – fiquem paralisadas por mais meses.

– Isso pode ser que aconteça mais à frente com outros funcionários. Vai ser estudado ainda. Depende também de como vai andar a situação daqui pra frente, como a gente vai controlar tudo (em relação ao coronavírus). O importante agora é dar segurança aos atletas e aos sócios. É possível que a gente use sim – explicou.

– Nossas receitas diminuíram. o critério da demissão é interno. O Botafogo teve que se ajustar a uma nova estrutura das receitas. Não sabemos por quanto tempo isso vai perdurar. Não adianta ter muitos funcionários sem conseguir pagar a todos – resumiu Novis.

Fonte: Terra