A próxima temporada já começou para o Botafogo. Após uma reunião na última segunda-feira, ficou decidido que um comitê formado por seis pessoas será responsável por liderar as decisões do futebol enquanto a gestão de clube-empresa ainda não inicia. O “período de transição” terá rostos conhecidos, com atuais dirigentes e pessoas influentes nos bastidores do clube de General Severiano.

Na próxima quinta-feira, será apresentado ao Conselho Deliberativo, em General Severiano, os detalhes sobre o modelo de gestão S/A, e os integrantes do grupo votarão pela mudança ao clube-empresa. A transição da atual gestão para a nova, contudo, não vai ocorrer do dia para a noite. Enquanto os novos investidores e os CEOs não são definidos, este grupo será responsável por decidir praticamente tudo: contratos, negociações e decisões internas.

Antes de pensar em qualquer contratação, o objetivo do comitê será quitar as atuais pendências com o elenco. Até aqui, nenhum tipo de reforço foi colocado em pauta. Na cabeça dos membros, não existe a possibilidade de trazer um novo jogador se ainda existem dívidas com o atual plantel. Por isto, é esperado que esta formação traga mudanças significativas na relação de jogadores.

O grupo será formado por Nelson Mufarrej, Carlos Eduardo Pereira, Carlos Augusto Montenegro, Ricardo Rotenberg, Cláudio Good e Manoel Renha. A quantidade de pessoas tem o objetivo de descentralizar a responsabilidade para cima de uma imagem – como ocorre com o presidente de um clube, por exemplo -, além de juntar diferentes áreas de conhecimento.

Nesta formação, existem distintas especialidades, como facilidade de gestão, experiência com finanças, conhecimento de mercado de transferências e contatos ao redor do país. A tendência é juntar tudo em busca de algo homogêneo e, obviamente, benéfico ao Botafogo. O LANCE! detalha quem são os membros do comitê do futebol.

Carlos Augusto Montenegro

Atual presidente do Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), Montenegro é uma pessoa importante nos bastidores do Botafogo. Presidente do clube entre 1994 e 1996, foi campeão brasileiro em 1995. Há muito tempo, ajuda a atual diretoria com fundos financeiros, seja para ajudar no pagamento de salários atrasados ou na contratação de jogadores.

Possui importância e sua influência o coloca como uma das cabeças do comitê. A questão financeira, vale ressaltar, pesa, mas Montenegro possui uma longa relação com a maioria dos dirigentes – sendo, inclusive, uma figura marcante para o Alvinegro na temporada.

Nelson Mufarrej

Presidente do Botafogo desde 2018, o dirigente é o atual mandatário do clube e possui a “palavra final” para decidir assuntos – mesmo que, teoricamente, todos os membros do comitê tenham uma importância igualitária em todas as discussões. Foi uma pessoa importante para que todo o projeto de profissionalização do futebol fosse possível, abdicando mão de parte de seu “poder” como presidente.

Nelson Mufarrej, além da natural presença de um mandatário, é visto como um líder e excelente gestor entre os membros do comitê. Sem ter sua imagem centralizada com a divisão dos poderes e sem a necessidade de participar ativamente das decisões que envolvem campo e bola, é esperado que o dirigente consiga se destacar naquilo que possui maior conhecimento.

Carlos Eduardo Pereira

Assumiu o clube após a queda para a segunda divisão, em 2015. Com o grupo “Mais Botafogo”, colocou o Alvinegro de volta na elite do futebol brasileiro e na Taça Libertadores de 2017, iniciando uma reestruturação financeira. Nos bastidores, contudo, ficou marcado de forma negativa por ter adiantado cotas de televisão junto à Rede Globo no segundo ano de mandato.

Atualmente, é vice-presidente geral do Botafogo e não faz parte da chapa “Mais Botafogo” desde março, alegando que as coisas dentro do próprio grupo haviam mudado e ele deveria continuar seu caminho longe. Apesar de estar afastado dos atuais dirigentes, o ex-mandatário possui influência e continua no corpo do Deliberativo.

Ricardo Rotenberg

Foi um dos principais protagonistas do Botafogo na reta final da temporada. Com a saída de Gustavo Noronha, aceitou o desafio de ser o vice-presidente de futebol por sete jogos. Apesar do tempo curto, deixou sua marca: foi figurinha repetida no dia a dia dos jogadores e essencial para que o foco fosse mantido nas quatro linhas nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro.

Depois da rápida missão, voltou a assumir a pasta de VP Comercial e Marketing, sua função original dentro do clube. Internamente, é uma das pessoas que mais entende de futebol e, pela responsabilidade que exerce, é um dos maiores responsáveis por lidar diretamente com possíveis investidores. Será um membro chave para o comitê.

Manoel Renha

Depois de cinco anos à frente das categorias de base, Manoel Renha deixou a função de diretor para ficar responsável integralmente ao projeto de clube-empresa. Revolucionou o trabalho das categorias inferiores do Alvinegro – não à toa, o Glorioso nunca teve tantos jogadores de General Severiano no elenco profissional.

Antes disto, foi vice-presidente de futebol na gestão Bebeto de Freitas. Também foi importante na questão que envolve o Espaço Lonier, futuro CT do Botafogo: sem a mão de Renha, os irmãos Moreira Salles provavelmente não teriam aceitado investir no local e o repassado à diretoria do Alvinegro. É outro integrante do comitê que se destaca pelos conhecimentos futebolísticos.

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Cláudio Good

Apesar de ser o membro do comitê que menos aparece na imprensa ou em meios de comunicação, Cláudio Good possui uma importância igualitária para o funcionamento do sistema. Assim como Montenegro, ajudou a atual diretoria em muitos momentos emprestando dinheiro. É um dos cardeais de confiança da cúpula alvinegra.

Foi vice-presidente de finanças na primeira gestão de Maurício Assumpção, em 2009. Sua área de conhecimento é justamente com dinheiro: o empresário é outro membro que promete ser essencial nas tratativas com investidores estrangeiros e em busca de parcerias e patrocinadores.

Fonte: Terra