Não dá nem vontade de escrever. Não é a primeira vez e, infelizmente, não será a última. O Botafogo, mesmo em um ano de superação e bons resultados, voltou a aprontar das suas. Algo que esperávamos não ver novamente, mas, ao que parece, nunca terá fim.

O Alvinegro sabe surpreender. Vimos isso ao derrubar campeão atrás de campeão na Copa Libertadores. Mas o Botafogo também sabe, de uma maneira irritante, devastadora e inaceitável, repetir scripts que tiram qualquer um do sério. Mais especificamente recuar, dar pane, sofrer gols ridículos e entregar jogos ganhos.

Sejam sinceros: quem já não imaginava que fôssemos entregar o jogo? É quase sempre a mesma coisa. Passa à frente, dá a entender que vai vencer e, quando você menos espera, está encolhido dentro de sua área tomando sufoco desnecessário. E, para piorar, tomando gol de ex-alvinegro – vai dizer que você também não pensou nisso quando André Lima entrou em campo?

Poderia ter esperado algumas horas para, quem sabe, escrever algo de cabeça um pouco menos quente. Mas se o intuito é um blog de torcedor, que traz emoções e o sentimento puro da arquibancada, aqui estou eu. Puto, chateado e querendo cinco minutos naquele vestiário para pagar um esporro sem precedentes. E sei que você, torcedor como eu, também queria isso.

Jogos como esse, Avaí, São Paulo e tantos outros que vacilamos em nosso estádio são os que definem a nossa historia dentro do campeonato. São esses pontos que nos separam do tão esperado e desejado título – ou mesmo de uma vaga direta na Libertadores. São desatenções como as de hoje que nos farão jogar partidas decisivas na pré-Libertadores enquanto os outros fazem pré-temporada no Estadual.

Antes do jogo, o clube convocou a torcida e disse que “a equipe fez um pacto rumo à América”. Então no que estavam pensando quando André Lima subiu sozinho, no primeiro pau, e desviou a bola como se estivesse numa pelada com os amigos? No que estavam pensando quando, ao invés de estarem correndo desesperados pro ataque, batiam cabeça dentro da nossa própria área numa virada ridícula?

Sou grato demais a esse grupo por tudo o que fez em 2017. Ainda assim, o botafoguense quer mais. O botafoguense merece mais. E tem todo o direito de cobrar, reclamar, xingar e perder a paciência. Fazer uma temporada acima das expectativas não significa uma carta de alforria para fazer merda. Abram os olhos enquanto ainda dá. O Brasileirão não vai nos esperar.

Notas

Gatito Fernández: 6
Sem culpa nos 3 gols, onde saiu cara a cara e foi fuzilado. Não pode ficar desprotegido assim.

Luis Ricardo: 2,5
Péssimo. Ia à frente, perdia a bola e não voltava para fechar a lateral. Errou tudo o que tentou. Deu de presente a bola no ataque no primeiro gol e falhou também ao cortar errado no terceiro. Parece não ter mais condições de jogar no sistema defensivo. Hoje, é reserva absoluto.

Joel Carli: 5,5
Vacilou ao não acompanhar David no lance do primeiro gol. No resto do jogo, foi razoável.

Igor Rabello: 6
Bem em alguns cortes, mas também não esteve nos seus melhores dias.

Victor Luis: 6
Fazia um jogo seguro até ser substituído no intervalo.

Rodrigo Lindoso: 5
Não conseguiu fechar a marcação e deixou um rombo na entrada da área. Com o Vitória fechado, poderia ter ajudado mais na saída de bola.

João Paulo: 7
Jogou por três no meio-campo. Marcou, saiu pro jogo e tentou armar os ataques.

Bruno Silva: 6
Tentou ajudar no ataque, mas a displicência de Luis Ricardo o prendeu no campo defensivo na maior parte do tempo. No fim, estava exausto e não acompanhou.

Rodrigo Pimpão: 5,5
Deu boa assistência para o gol de empate, mas esteve sumido no restante da partida.

Marcos Vinicius: 4
Esteve em campo?

Brenner: 7,5
Fez seu papel de centroavante e empurrou a bola para a rede quando a oportunidade surgiu. Boa movimentação no ataque.

Gilson: 6,5
Tentou dar mais volume de jogo pelo lado esquerdo. Acabou sendo importante ao sofrer o pênalti no gol da virada.

Valencia: 5
Deu lindo passe para Brenner no lance do pênalti, mas depois sumiu e foi expulso infantilmente no fim. O jogo de hoje resume perfeitamente sua trajetória até aqui: mostrou que tem qualidade, mas ainda não se encontrou no clube.

Marcelo: 4,5
Entrou na metade do segundo tempo e vacilou nos dois gols do Vitória: primeiro ao deixar André Lima subir sozinho no primeiro pau, depois ao perder a dividida com Danilinho dentro da área.

Jair Ventura: 5
Seu time esteve estranho hoje. Não só pela derrota, mas pela postura bagunçada em campo – algo bem diferente do que estamos acostumados a ver, principalmente na parte tática. Precisa cobrar o grupo, pois não é a primeira virada nos minutos finais que sofremos neste ano.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC