O Botafogo chega no Campeonato Brasileiro como uma incógnita. Após precoces eliminações no Campeonato Carioca e na Copa do Brasil, a diretoria resolveu demitir Zé Ricardo do cargo de técnico e apostar em Eduardo Barroca, que retorna ao Alvinegro para, dessa vez, assumir a equipe principal. Em 2016 e 2017, ele era o treinador da equipe sub-20, categoria na qual foi campeão brasileiro e estadual. O clube de General Severiano estreia na principal competição do país contra o São Paulo, neste sábado, cercado de dúvidas, mas com a expectativa de voos maiores e que a mudança de ares dê resultado imediato.

TORNEIO INCONSISTENTE

Assim como o começo da atual temporada, o Brasileirão de 2018 foi baseado em altos e baixos para o Botafogo. O Alvinegro foi comandado por três treinadores durante a competição: Alberto Valentim, Marcos Paquetá e Zé Ricardo. O primeiro chegava na competição com o peso de ter sido campeão carioca e teve um bom início, mas saiu antes da parada da Copa do Mundo na Rússia, aceitando a proposta para treinar um clube do Egito. O segundo ficou no comando da equipe por menos de dez jogos e foi um fracasso, já que não conseguiu tirar a equipe da parte inferior da tabela.

Com Zé Ricardo, a equipe demorou a engrenar, mas, após a chegada de Erik, encontrou uma maneira de jogo e, com certa rapidez, se livrou do risco de rebaixamento e chegou até a sonhar com uma posição no G-6, algo que não aconteceu. Apesar disto, o Botafogo terminou o Campeonato Brasileiro do ano passado sem riscos de ir à segunda divisão, na nona posição, com 51 pontos conquistados em 13 vitórias, 12 empates e 13 derrotas.

LIBERTADORES SERIA ‘TÍTULO’

A desconfiança de boa parte da torcida e de quem acompanha de fora não é pequena, sobretudo pelas eliminações vexatórias do Carioca e da Copa do Brasil e pela chegada de Eduardo Barroca, ainda uma incógnita quanto o cenário nacional – dentre os profissionais, evidentemente. Título, no atual cenário, com um elenco enxuto e o clube com dificuldades financeiras, deve passar longe de General Severiano, que abriga o troféu de 1995.

Se levarmos em consideração a arrancada do ano passado, quando de alto risco de rebaixamento passou a alimentar a esperança de entrar no G-6, sob o comando de Zé Ricardo. Em 2019, se conseguir fazer o dever de casa e beliscar pontos fora, é possível que o Z-4 não seja um fantasma e a vaga na Libertadores seja realidade – e um “título”, tendo em visto a austeridade por lá.

UM ELENCO DESEQUILIBRADO

Eduardo Barroca foi vencedor nas categorias de base do Botafogo e, campeão brasileiro sub-20 em 2016, hoje conta com 12 jogadores que trabalharam com ele naquele período. Os garotos, no geral, têm dado conta e possuem confiança do comandante, como Marcelo, Jonathan, Bochecha, Wenderson e Igor Cássio.

O fato é que o Alvinegro tem bons jogadores experientes, até acima da média para os padrões brasileiros, como Carli, João Paulo, Cícero e Diego Souza, mas há carências relevantes nas laterais e no ataque, principalmente. Sem Kieza, o clube busca um centroavante reserva com prioridade.

CONFIRA O TIME-BASE

Com dez dias no comando do Botafogo, Eduardo Barroca ainda não conseguiu colocar toda os conceitos táticos e estratégicos em jogo, mas o treinador, conhecido pela valorização da posse de bola, garante que o Alvinegro será competitivo e pode mudar este estilo para lutar por resultados positivos antes da parada da Copa América.

Com uma mescla entre jogadores experientes e atletas oriundos das categorias de base, setor que o treinador conhece por conta do trabalho no sub-20, é esperado que o Botafogo comece o campeonato em uma formação no 4-1-4-1, sem Diego Souza, lesionado, mas ele está no time-base esperado para o ano: Gatito Fernández; Marcinho, Carli, Gabriel e Jonathan; Bochecha (Jean); Cícero, João Paulo; Erik, Rodrigo Pimpão e Diego Souza.

A TABELA ANTES DA COPA AMÉRICA

Botafogo e São Paulo fazem a partida inaugural do Brasileiro-2019 (Foto: Marcelo de Jesus / Raw Image)

São Paulo x Botafogo – 16h – Morumbi – 27/04
Botafogo x Bahia – 20h – Nilton Santos – 02/05
Botafogo x Fortaleza – 19h – Nilton Santos – 05/05
Fluminense x Botafogo – 16h – Maracanã – 11/05
Goiás x Botafogo – 16h – Serra Dourada – 19/05
Botafogo x Palmeiras – 16h – Mané Garrincha – 25/05
Botafogo x Vasco – 11h – Nilton Santos – 02/06
CSA x Botafogo – 19h – Rei Pelé – 09/06
Botafogo x Grêmio – 19h15 – Nilton Santos – 12/06

OPINIÃO DO SETORISTA

Barroca tem ciência do quão importante serão as primeiras partidas para a sequência de seu trabalho (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)

O Botafogo está longe de ter um elenco precário como até alguns cronistas apontam. Tem, sim, um plantel desequilibrado quanto a setores e que não deu liga nos três primeiros meses deste ano, sob o comando de Zé Ricardo. É nítida a renovação no ânimo do grupo alvinegro, agora com Eduardo Barroca, que chega com a missão de recuperar a confiança e a mentalidade competitiva do time, além de buscar um “protagonismo”, tanto dentro quanto fora de casa. Assim, com um misto de bons jogadores cascudos e jovens, a chance de beliscar uma vaga na Libertadores de 2020 cresce consideravelmente. Mas os resultados precisam vir a curto prazo, e os salários não serem atrasados.

Lazlo Dalfovo, setorista do Botafogo no LANCE!

Fonte: Terra