John Textor foi afastado do comando da SAF do Botafogo pela Arbitragem da FGV e vem encontrando muita resistência para seguir no comando do clube, tanto interna quanto externamente. Porém, continua acompanhando o time e dando seus pitacos. Em entrevista ao “Canal do Anderson Motta”, o empresário norte-americano defendeu a escolha por Franclim Carvalho, o comparou com Pierre Sage (técnico do Lyon quando ele estava à frente do clube) e fez elogios ao trabalho do português.
– Como dono, adoro o técnico. Como torcedor, ele é horrível [risos]. Estou brincando. Gosto muito dele. Acho que ele é um grande homem. Tive muito sucesso com Pierre Sage na França, sabia que ele era um dos homens mais inteligentes que eu já conheci no futebol e ele nunca tinha sido treinador principal. Não me importava, adoro a inteligência dele. Ele nos tirou da lanterna e nos levou de volta à Liga Europa, e agora ele é provavelmente o melhor técnico da França, com seu Lens em segundo lugar. Então, não tive medo de contratar Franclim como auxiliar técnico. Acho que não dá para dizer: “Ah, o momento é grande demais para alguém só porque essa pessoa nunca foi técnico principal antes”. Estávamos muito familiarizados com ele por causa do nosso ano dos títulos, e acho que ele é fantástico. É ótimo trabalhar com ele. Ele não vai acertar em todas as decisões, mas já dá para ver que ele é muito bom em admitir quando comete um erro, e, sabe, todos nós cometemos erros – disse Textor.
– Já estou feliz por termos mais estrutura. Nós, os jogadores, em termos de posicionamento em campo, estamos muito melhores. Ainda estamos um pouco expostos na defesa porque, como vocês sabem, tivemos muitas lesões nessa posição e estamos com dificuldade para encontrar uma dupla de zagueiros titulares consistente. Mas gosto que nosso meio-campo esteja se tornando um verdadeiro meio-campo. Sob o comando do técnico anterior [Martín Anselmi], estávamos sempre em uma formação que eliminava um meio-campista, éramos muito agressivos, mas muito vulneráveis. Então, me sinto mais seguro agora com Franclim, mas ainda conseguimos marcar gols. Como dono, gosto dele, como torcedor estou empolgado – completou.
O empresário estadunidense enxergou o Botafogo com capacidade para terminar o Campeonato Brasileiro entre os quatro primeiros e pediu mais apoio do torcedor à equipe alvinegra no Estádio Nilton Santos.
– Se você olhar para os primeiros 10, 12 jogos da temporada, verá que sofremos mais gols do que qualquer outro time na liga, com exceção da Chapecoense, e sabemos que isso não vai continuar assim no restante da temporada. Pensar que agora temos um pouco mais de estrutura, estamos melhorando defensivamente, estamos mais organizados e ainda temos muito da temporada pela frente, me faz sentir que somos um time para ficar entre os quatro melhores. Acredito sinceramente nisso – falou.
– Espero que os torcedores tenham paciência. Espero que os torcedores se esforcem para ajudar os jogadores, mesmo quando eles estiverem passando por dificuldades. Nós, como torcedores, agora que sou torcedor, nem sempre fomos bons nisso. Às vezes, dificultamos muito a vida dos jogadores durante o jogo, deixando-os mais estressados e ansiosos. Acho que precisamos agir em todos os jogos da mesma forma que agimos em Buenos Aires. Quando as coisas pioraram em Buenos Aires, ficamos felizes, torcemos, incentivamos. É isso que traz vitórias, essas pessoas que decidem vaiar o goleiro no meio do jogo, e na Libertadores, para piorar a situação. Isso tem que parar. Temos que ajudar esses jovens. Acho que temos um bom treinador, temos um bom time, precisamos transformar isso em uma casa de amor novamente, e acho que ficaremos felizes com algo este ano – concluiu.