Ex-diretor de futebol do Botafogo, Pedro Martins foi campeão brasileiro e da Libertadores em 2024. Ele trabalhou no clube exatamente no segundo semestre do ano mágico. Em entrevista ao “Charla Podcast”, o dirigente relembrou como foi o período e a relação com John Textor e a Eagle.
– Eu recordo dessa passagem de maneira muito positiva, porque a gente ganhou tudo. Eu passei, aí para a gente lembrar aqui, foi de junho a dezembro no Botafogo. Em 2024. Só glórias. E aí a gente ganhou o Campeonato Brasileiro, ganhou a Libertadores, óbvio que com muitos desafios ali, né? Mas eu tenho memórias muito positivas ali do nosso dia a dia, do trabalho, dos funcionários. Eu tive, obviamente, uma relação direta com o John Textor e com toda a equipe da Eagle, mas do nosso lado, a gente sempre teve a imagem de que era uma situação que estava controlada. É, assim, de que, tudo bem, o clube tinha alguns atrasos, tinha algum desencaixe de fluxo de caixa, mas por ser membro de um MCO (rede multiclubes), você sempre fica com a expectativa de que a Eagle, como um grupo, resolveria aquele problema. Depois que a gente foi entendendo com um pouco mais de clareza de que o problema era mais profundo – analisou Pedro Martins, que torce pela recuperação do clube.
– Eu não estou lá dentro para saber como o Botafogo vai resolver, a gente fica muito refém das notícias e é um clube que eu criei com carinho, né? Então, você fica muito preocupado com os funcionários, com as pessoas que estão lá dentro. E eu torço para que o Botafogo, de alguma maneira, encontre uma solução, porque, pelo que eu acredito de futebol, eu acho que a gente precisa desenvolver os clubes para que eles existam bem e não tenham uma, duas temporadas positivas e depois passem por dificuldades. E eu torço de verdade para que, eu não sei se será com o John Textor ou se será com algum outro grupo, cada semana sai uma notícia nova, mas eu de verdade torço para que o Botafogo saia bem e consiga se equilibrar financeiramente, porque me parece que há um desequilíbrio grande aí e com uma dívida considerável que deve ser gerida, né? – frisou.
O dirigente não sabe explicar o que exatamente levou o Botafogo à situação atual.
– Eu sei que, lendo as notícias, tem algumas transferências que, por exemplo, não foram pagas até agora, que estão na Fifa, né, que já viraram transfer ban. É, e isso, qual que é a nascente do problema, eu não sei, se isso nasce de uma expectativa de um recurso que poderia vir de fora e não veio, ou se a fonte do problema é o Botafogo e aí esse problema acabou escalando, né? É muito difícil opinar sem ter todas as informações. O sentimento que eu sempre tive da porta pra dentro é que estava controlado, que era um cenário controlado, com dívidas que seriam resolvidas logo ali, logo ali na frente. Mas, até hoje, dar qualquer tipo de opinião ou cravar qualquer tipo de avaliação sem ter a noção do contexto da porta pra dentro, é muito difícil, é muito difícil mesmo – ponderou.
Pedro Martins guarda com carinho as lembranças do título da Libertadores.
– Eu participei de toda a rotina. Tinha um espaço para a diretoria nas arquibancadas. Mas esse foi um dia inesquecível. Na expulsão do Gregore, pensei “foi tão difícil chegar aqui, cara. Vai ser assim?” Foi tão difícil a gente ter um expulso logo no início. Mas eu gostei muito, assim, da postura dos jogadores. A postura do Marlon Freitas, como capitão, naquele momento de chamar a responsabilidade, reunir os jogadores ali e partir deles o diálogo. E do Artur Jorge, eu acho que foi muito inteligente de conseguir equilibrar a equipe sem mexer. Eu acho que ali trouxe para os jogadores uma confiança. A gente viveu aquela rotina, aquele dia a dia. Era um grupo que estava muito confiante. Eles estavam acreditando muito na ideia do treinador, mas na ideia de ganhar tudo, né? Tanto que, quando a gente é eliminado na Copa do Brasil para o Bahia, a essência vencedora daquele time era tão grande de que parecia um velório. Porque a gente queria ganhar a Copa do Brasil também. E ali, aquele jogo (final) para mim, foi emblemático, porque a mentalidade que foi sendo construída durante uma temporada toda foi representada numa partida – destacou.
– É um sentimento de orgulho muito grande, porque você vê que aquilo ali é um trabalho de muita gente sendo implementada em desempenho, sendo representada em desempenho e em um jogo. Um jogo só, 90, 100 minutos ali, ele te conta tanta coisa que, para mim, ele representa o que é uma construção de um trabalho que foi feito por muita gente. É um trabalho longo, né? O que eu coloco até é o que foi feito no ano anterior. Que foi quando o Botafogo perde o título, daquela maneira. Eu acho que aquilo ali gerou um aprendizado e que foi moldando uma identidade que chegou naquele momento e eu consigo me lembrar de alguns jogos que você fala, cara, você tem alguns sinais de que isso aqui vai dar certo. A indignação naquele empate com o jogo do Atlético-MG no Independência, a maneira como os jogadores estavam sentindo aquele empate, o jogo contra o Palmeiras. Então, foram sinais que vão te mostrando e te dando o indício de que, dá pra ganhar tudo, né? E foi muito legal viver, acompanhar aquilo ali de perto, participar dessa construção e sem dúvidas, isso fica marcado não só na memória e no coração do botafoguense, mas de pessoas de mercado como eu que passaram aquilo ali e nunca mais vão esquecer – completou.