A briga judicial entre Loco Abreu, que cobra direitos de imagem na casa dos R$6 milhões, e o Botafogo se arrasta na Justiça desde 2013 e vem ganhando novos capítulos ano após ano, sem um final feliz para as partes.

Em 2017, após perder ação junto à FIFA, já que o juiz inglês Geoff Thompson concluiu não ter competência para decisão pelo fato de não se tratar de uma transferência de jogador fora do âmbito de regulamentos da entidade, os advogados do atleta recorreram à justiça comum brasileira.

Em outubro passado, os representantes de Loco Abreu entraram com uma ação de execução na vara cível no foro central do Rio de Janeiro solicitando a expropriação de bens ligados ao Botafogo e indicando estabelecimentos de aluguel ao clube, localizados próximos à sede em General Severiano.

A Rádio Globo/CBN teve acesso aos autos, e o Botafogo solicitou a instauração de um inquérito policial na 10ª DP por violação de sigilo profissional contra os antigos advogados alvinegros, que hoje defendem Loco Abreu e o o Centro Atlético Fénix, clube com o qual o jogador tinha vínculo (sem nunca ter atuado pela pequena equipe uruguaia).

Além disso, o escritório de Walmer Machado, que defende o Botafogo, acusa os advogados Joana Oliveira e Marllus Freire, ex-funcionários do clube, de falta de ética por terem acesso supostamente aos contratos do uruguaio com o Glorioso. Por conta disso, foi apresentada uma representação à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) contra os dois.

Loco Abreu reencontrou o Botafogo em abril, durante o jogo da primeira fase da Copa Sul-Americana, no Chile, e a diretoria esperava chegar a um consenso com o jogador para retirar a ação na justiça em um novo encontro no Rio, mas o centroavante não foi relacionado para a partida de volta no início de maio.

Especulou-se a possibilidade de um retorno ao Botafogo, mas o vice de futebol Gustavo Noronha, em contato com a reportagem, afirmou que existia apenas uma ideia embrionária do departamento de futebol de contar com o camisa 13 durante o Campeonato Carioca, mas não houve avanço.

Contactamos Loco Abreu, que também afirmou não ter nenhuma possibilidade de retorno ao clube e garantiu que caso houvesse interesse, os dirigentes alvinegros já tinham ciência que ele não permaneceria no Audax há cerca de três meses.

Nos últimos dias, o centroavante, de 41 anos, rescindiu contrato com o clube chileno e está livre no mercado. Longe do Botafogo e longe de um acordo.

Foram 106 jogos pelo Glorioso e 63 gols marcados, com destaque para a cavadinha na final da Taça Rio, que garantiu o título estadual sobre o Flamengo, em 2010.

Direito de resposta

Em contato com a reportagem, o escritório que representa o clube uruguaio encaminhou a nota de esclarecimento abaixo:

‘A Prado & Oliveira Advogados vem esclarecer que defende os interesses do Clube Atlético Fênix e não do atleta Loco Abreu. Ademais, os seus sócios, ex-funcionários do BFR, jamais foram lotados no Departamento de Futebol Profissional, que conta com Departamento Jurídico próprio. Cabe ressaltar que ambos não participaram da elaboração de contrato e respectiva rescisão do atleta.’

Fonte: Rádio Globo