Usamos cookies para anúncios e para melhorar sua experiência. Ao continuar no site você concorda com a Política de Privacidade.

Jogos

Copa do Brasil

14/04/21 às 21:30 - Frasqueirão

Escudo ABC
ABC

X

Escudo Botafogo
BOT

Campeonato Carioca

10/04/21 às 21:05 - Raulino de Oliveira

Escudo Volta Redonda
VRE

2

X

2

Escudo Botafogo
BOT

Campeonato Carioca

04/04/21 às 17:00 - Giulite Coutinho

Escudo Botafogo
BOT

1

X

1

Escudo Portuguesa
POR

Brigões vascaínos tentam entrar no Maracanã e confusão com Bota em dia de clássico

comentários

Compartilhe

No dia 8 de dezembro de 2013, facções organizadas de Atlético-PR e Vasco se enfrentaram em Joinville. A barbárie chocou o país. Quase dois meses depois, dos 27 acusados com mandados de prisão, só sete ainda estão presos. Três estão foragidos e 17 tiveram a prisão preventiva revogada. Todos os outros citados no processo deveriam se apresentar em delegacias próximas de suas residências em dias de jogos de seus times, mas não é o que tem acontecido.

Ontem, dez torcedores do Vasco, sem camisa ou com blusa de uma organizada, rondavam o Maracanã enquanto Vasco e Botafogo já estavam em campo há 20 minutos. Ao serem abordados pelo GLOBO, disseram que não entraram para ver a partida pois tinham estado em Joinville e seus nomes constam no processo como identificados por participar da briga. Eles sabem que deveriam ter se apresentado na delegacia.

— Nunca recebi uma intimação (a torcida Força Jovem Vasco recebeu a lista dos membros que deveria comparecer à delegacia), mas sei que tenho que estar lá. Não vamos porque temos medo de sermos presos. Todo mundo aqui já se envolveu em briga de torcida — disse Leonardo, que não quis dar seu sobrenome e estava com uma camisa da torcida.

— Nós não entramos hoje (ontem) no Maracanã porque estamos com medo de sermos preso. Só a diretoria da Força foi presa, mas a gente estava em Joinville— completou um outro membro do grupo.

Sem nenhum pudor, eles disseram que estavam esperando a uma facção organizada do Botafogo passar por ali “para arrumar confusão”. Várias vezes, durante a conversa, que durou cerca de 15 minutos, eles repetiram que o “único envolvimento” (com crimes) eram os relativos às brigas de torcida, mas todos disseram ser reincidentes. Apresentar-se na delegacia, no caso deles, não seria só uma medida administrativa. Resultaria em prisão.

Independente do processo que corre em Santa Catarina, a Justiça do Rio decidiu que todos os torcedores do Vasco que são citados por participarem da briga devem se apresentar, durante um ano, em uma delegacia toda vez que o Vasco jogar. Mas como se trata de uma medida administrativa, não há nenhum controle sobre quem comparece ou não e muito menos uma punição para quem deixa de cumprir a determinação.

— Em caso de medida cautelar, na qual a liberdade do indivíduo está condicionada à apresentação na delegacia, quem não cumprir pode voltar à cadeia. Já a medida administrativa acontece como punição por mau comportamento, ou enquanto ele ainda estiver sendo julgado. Neste caso, o não comparecimento pode prejudicá-lo no curso do processo, quando ele deve apresentar os documentos de que esteve nas delegacias — explica o juiz Marcelo Rubioli, do Juizado Adjunto do Torcedor.

cerveja liberada

Ele alerta que, embora a punição de afastamento dos estádios e o comparecimento à delegacias seja prevista no Estatuto do Torcedor, a medida esbarra em outras leis:

— Não podemos prender simplesmente pelo não comparecimento. Assim, o torcedor punido pode, sim, cometer outros atos violentos neste período. O ideal seria achar uma forma de barrar estes torcedores ao tentarem entrar no estádio.

Procurado para comentar a falta de fiscalização dos torcedores que deveriam se apresentar às delegacias, o Ministério Público do Rio não respondeu.

Além disto, parece não existir uma comunicação entre os poderes. Ontem, um grupo de policiais militares admitiu desconhecer a proibição de alguns torcedores de comparecerem a estádios. Ou seja, um torcedor procurado ou até mesmo foragido pode passar desapercebido na multidão.

Em outro flagrante de falta de fiscalização, muitas pessoas consumiam cerveja nas imediações do Maracanã, compradas de camelôs diante de guardas municipais. Os bares estão proibidos de vender bebida alcoólica no entorno do estádio.

— Venho ao Maracanã sempre e nunca tive problemas para comprar cerveja aqui. Não entendo esta proibição — disse um torcedor que não quis se identificar.

A meia-entrada nos estádios de futebol virou, também, o típico caso em que os clubes sabem que as regras são burladas, mas passam longe de criar estratégias de controle.

No programa de sócio-torcedor do Flamengo, por exemplo, o associado não precisa utilizar um ingresso de papel para acessar o estádio. Após a compra pela internet, a carteirinha é carregada, como num sistema de crédito pré-pago, e o torcedor apenas informa se deseja comprar um ingresso inteiro ou de meia entrada. No estádio, basta submeter seu cartão no leitor da catraca. Caso tenha comprado um ingresso, seja com ou sem desconto, a entrada é liberada.

Nas vendas de ingresso para o público em geral pela internet, há um controle, ainda que frágil. Quem comprou ingresso de meia entrada para o Vasco x Botafogo de ontem, por exemplo, precisava informar o número de identidade e o nome. Para retirar o ingresso, houve verificação. No entanto, ela se torna menos rígida em caso de filas longas nos dias de jogos. Além disto, a checagem não é feita no acesso ao estádio. Isto permite que um torcedor diferente do que comprou e retirou o ingresso e que, na realidade, não tenha direito ao desconto, entre.

Cambistas à vontade

A prática facilita, também, o trabalho de cambistas, outra ilegalidade que segue imune ao redor dos estádios. A final da Copa do Brasil, entre Flamengo e Atlético-PR, foi um exemplo. Na véspera do jogo, O GLOBO flagrou revendedores agindo a poucos metros de carros da polícia, que assistiam a tudo sem reprimir. Informada pela reportagem, a assessoria da Polícia Militar prometeu enviar homens para o local. No dia da partida, o mercado negro continuava sem repressão. No jogo entre Fluminense e Resende, na quarta-feira passada, cambistas agiam livremente, embora o público tenha sido só de 7 mil pessoas.

Na final da Copa do Brasil, era possível ver setores superlotados, com a ocupação de todas as cadeiras e também dos corredores de circulação, considerados vitais para evacuação do estádio em caso de qualquer emergência. No Maracanã, quem compra ingressos atrás dos gols pode acessar os setores superior ou inferior, sem qualquer controle da quantidade de gente em cada uma destas áreas. Só há o fechamento de uma delas diante de clara superlotação.

As ações de ordem pública ao redor do Maracanã tiveram algum resultado, mas o estacionamento ilegal, por exemplo, ainda é visível nos demais estádios da cidade. No último dia 26, enquanto o Vasco enfrentava o Friburguense, em São Januário, um posto de gasolina na Rua General Almério de Moura, em frente a um dos portões de entrada de público, funcionava como estacionamento.

Comentários