O mundo do Vasco parou nesta quinta-feira. O candidato a presidente do clube Luiz Roberto Leven Siano anunciou o acerto de Yaya Touré para o clube, se for eleito. Até declaração do marfinense havia no vídeo. Em seguida, o LANCE! ouviu o postulante a próximo mandatário vascaíno para entender como se deu a negociação, o “balão” no Botafogo, as garantias que o Cruz-Maltino tem e as peculiaridades do negócio.

Até quando é o contrato do Yaya Touré?
– O contrato do Yaya é de primeiro de janeiro de 2021 até 31 de dezembro de 2022. São dois anos de contrato.

Como se deu o acordo?
– Foi uma discussão exaustiva. Fiz a proposta tem mais de um mês, as últimas semanas foram muito tensas, advogado mudava… ele parecia seduzido por outra proposta. Estava tudo certo para anunciar há duas semanas, não pude e muita gente disse que era conversa. Mas depois que eu coloquei o Francisco Lopez (ex-dirigente do Barcelona), que tem muita confiança do Yaya… a mulher dele estava reticente de vir para o Brasil também. Pela cidade insegura, a fama do Rio, pelo que ouve falar. O Francisco foi decisivo em falar que seria legal ele encerrar a carreira no Brasil, ser ídolo aqui. Pela credibilidade, foi decisiva a participação dele.

Você disse que advogado mudava…
– Você combina com o empresário e, quando eu ia anunciar o contrato voltou com cláusulas diferentes, me f… Fui xingado, mas estava protegendo o interesse do clube quando disse que não podia anunciar. Conseguimos ajustar hoje.

Qual foi a participação do Fabio Cordella e da Entourage Sports na negociação  e quais serão os papéis destes personagens na sua eventual gestão?
– Foram muito importantes. O problema do Botafogo e de muitos clubes brasileiros é que usam muito intermediários. Esses personagens são importantes na Europa. Quando houve problema, eu percebi que alguma coisa poderia estar acontecendo sobre casa. Aí pedi ajuda ao Francisco, que, de início, vai fazer uma consultoria, vir uma vez por mês. Não defini quem vai ser o vice-presidente de futebol, mas o Cordella pode trabalhar no comitê de futebol. A Entourage arruma patrocínios, por exemplo. Estão tentando Uber e Amazon.

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Se o Yaya Touré quiser romper este contrato antes do início, existe multa prevista? Ele deve pagar a você ou ao Vasco?
– Ele tem um contrato comigo no qual se compromete a ter contrato com o Vasco. Tem suas multas, mas o que eu vi hoje foi um cara muito feliz de vir para o Vasco. Mas o projeto não é fundado no Yaya. Ele não vai ser o único. Vamos ter outros jogadores da envergadura dele.

“Não vai ser o único”?
– Depois do que aconteceu duas semanas atrás (a reviravolta que impediu o anúncio), você não vai tirar de mim os nomes…

Mas você está próximo de acerto ou iniciando conversas?
São dois, do nível dele, que estão muito próximos.

O Yaya pode pode jogar em outro clube do Brasil ou de fora até dezembro?
– No Brasil, não. Fora, pode. O compromisso é a partir de primeiro de janeiro de 2021. Se alguém quiser fazer uma proposta, o contrato tem proteções para os dois lados. Se eu também não cumpro, eu tenho que pagar a ele. E se ele não vier, ele tem que me pagar.

Que salário que ele vai ter?
– Existe cláusula de confidencialidade. Mas está incluído uma remuneração por
performance em número de gols, partidas como titular e títulos.

Já houve pagamento de luvas?
– Tive que fazer os meus acertos para fazer acontecer.

É possível que ele receba e outros atletas e funcionários não?
– Não. Nosso projeto é resolver as finanças do Vasco. Não estamos trazendo apenas parceiros certos, mas receitas que o Vasco não tem. Para esse quadro, temos cenários como a transformação em clube-empresa ou o financiamento internacional. O clube, hoje, não tem gestão profissional, não tem recebíveis para gerar receitas. Vamos gerar recebíveis para ter crédito.

Mas você, se eleito, vai herdar um Vasco que, hoje, tem quatro meses de salários atrasados…
– Além do Yaya, todo mundo vai receber em dia. O Yaya é um pedacinho, o Vasco tem muito mais para pagar.

Ele não temeu a crise financeiro do Vasco?
– Foi difícil para caramba (risos). Pede isso, vai para lá, vai para cá… não foi fácil, é um cara de nível mundial. Foi um esforço muito grande. Remuneração maior, meu patrimônio pessoal como garantia e tentar humanizar essa relação. Mostrei escolas para os filhos, fotos de casas para a esposa… é um negócio, mas é um ser humano mudando de país. Ouve-se falar muito mal do Rio. Foi um trabalho de tentar acalmar o cara. Fiz uma propagandazinha do Rio. Não foram só os números frios do negócio. Tinha preocupação como pessoa, de se sentir acolhido. também valeu contar a história do Vasco contra o racismo. No vídeo, ele aparece com uma camisa do Nelson Mandela.

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Em campo, não te preocupa ter um contrato de dois anos com um jogador de 37 anos possivelmente há um ano sem jogar?
– Isso me preocupa, mas me lembro do Zé Roberto jogando muito bem com mais de 40 anos. Falei com o Alex Evangelista, que vai voltar e reassumir o Caprres (Centro Avançado de Prevenção, Reabilitação e Rendimento Esportivo do clube, em São Januário, cujo primeiro coordenador foi Alex) e botar ele (Yaya Touré) para voar. Falei com o Mauro Galvão também. Acho que o Yaya vai tirar o Brasileirão com os pés nas costas.

Mas a eleição ainda não aconteceu. E se você não ganhar? Há chance de ele ser jogador do Vasco mesmo assim?
– É muito pessoal dele. A obrigação dele termina (se Leven não for eleito). Se o Vasco estiver organizado com pagamentos eu posso tentar fazer, mas o compromisso dele é com o projeto. O Botafogo usou isso de que o Vasco não paga, mas ele entendeu que não esta fechado com o Vasco, mas com o projeto. Começaria tudo do zero.

Fonte: Terra