Atravessando um momento de reformulação em grande escala, o Botafogo promoverá mudanças também nas divisões de base. Antes mesmo da eleição de Carlos Eduardo Pereira como presidente do clube, Antônio Carlos Mantuano convidou um ex-jogador do Alvinegro para assumir o time Sub-20 de General Severiano. Carlos Alberto Santos, que inclusive já trabalhou na base do clube, quando ainda era presidido por Bebeto de Freitas, foi o escolhido e mostrou-se contente por ter sido lembrado pela nova gestão, apesar das conversas ainda não terem se repetido após o pleito.

“Fui procurado pessoalmente pelo Mantuano, antes do pleito. Naquele momento ele falou do interesse em contar com minha participação neste momento do clube, caso a chapa encabeçada pelo Carlos Eduardo vencesse. Depois, juntamente com o Carlos Eduardo, estivemos conversando. Fiquei muito lisonjeado com o respeito, a lembrança e consideração que demonstraram comigo. Isso veio de encontro a um desejo meu e que era notório por parte de vários botafoguenses, por saberem que comecei um trabalho na base do Botafogo, ainda que por um período curto, mas que deixou saudades. Então, caso realmente se confirme esse interesse, que é mútuo, será um prazer imenso, desempenharei minha função com toda a energia possível.”

Com experiências passadas nas divisões de base, Carlos Alberto Santos sabe da necessidade de se formar talentos e ressalta que não se trata apenas de ter um bom nível técnico quando estas jovens promessas forem promovidas aos profissionais.

“Essa é a receita que todas os clubes do Brasil precisam adotar. É notório que os clubes que mais revelam talentos, são os mais bem sucedidos porque conseguem receitas com a venda desses atletas e com o aproveitamento deles enquanto não são negociados. Quando eles ainda defendem o time onde foram criados, naturalmente vestem a camisa com dedicação e os resultados são muito positivos. No Goiás, por exemplo, o time conseguiu se manter bem no Campeonato Brasileiro. Este trabalho, modéstia a parte, acredito que tenho a capacidade de desenvolver caso esteja na comissão técnica. Darei o máximo para contribuir com o Botafogo.”

Atualmente é comum ver atletas, desde as divisões de base, com seus direitos federativos divididos entre clube, representantes dos jogadores e empresários. Segundo Carlos Alberto Torres, esta questão não será novidade para ele caso assuma o cargo no Botafogo. O ex-jogador acredita que, apesar dos prejuízos desta prática em alguns casos, é possível conviver com ela sem grandes prejuízos.

“Qualquer atleta que esteja na base do clube hoje em dia, tem seus direitos federativos divididos para várias pessoas em cima de uma negociação futura e isso é um aspecto político. Na época em que trabalhei em Marechal Hermes, essa política estava sendo implantada. Assim que me deparei com esta situação, quem tomava conta da base naquele momento percebeu que minha presença era contrária a isso. A partir daí fizeram de tudo para que eu me sentisse incompatível com aquela situação. Conversei com o Bebeto de Freitas, mas ele não podia fazer nada… enfim. Vi que era um processo onde seria difícil para mim. Hoje vejo de outra forma. Se a diretoria estiver de comum acordo sobre como será gerida, será positiva para mim. O trabalho tem que ser feito para ajudar o atleta e o clube. Mas se o atleta for dono do próprio passe ou tiver os direitos federativos divididos, não fará diferença.”

Carlos Alberto Santos ainda aguarda pela definição da comissão de futebol do Botafogo para saber se o convite para voltar a trabalhar no Alvinegro será mantido. A tendência é que ele seja contratado para assumir o time de juniores de General Severiano, mas não está descartada sua participação no elenco profissional.

Fonte: Super Rádio Tupi