Mais experiente entre os quatro candidatos, Carlos Eduardo Pereira tem 56 anos, concorreu à presidência do Botafogo em 2011, quando foi derrotado por Maurício Assumpção, e foi vice-presidente do clube entre 1994 e 1996, quando Carlos Augusto Montenegro estava no poder. Administrador com especialização em marketing, ele concorre pela chapa ouro “Oposição Unida”.

Em entrevistas realizadas pelo ESPN.com.br na última semana, os candidatos responderam às mesmas perguntas sobre assuntos pré-definidos. A eleição para presidente do Botafogo acontece nesta terça-feira, e quem tiver mais votos vai comandar o clube no triênio de 2015, 2016 e 2017.

Carlos Eduardo Pereira ainda tem o ex-jogador Carlos Alberto Torres como aliado e faz duras críticas à gestão atual botafoguense. Entre suas principais propostas, ele fala em fazer o clube voltar ao Ato Trabalhista para se livrar das penhoras e ter receitas, além de modernizar o departamento de futebol.

“Tudo o que envolve essa gestão passa por uma falta de transparência e até uma falta de lógica que assustam. Não sabemos sequer se os jogadores dispensados (Emerson, Bolívar, Edilson e Júlio César) tiveram seus contratos rescindidos. Descobrindo qual a situação de fato, se o Botafogo puder utilizá-los e for do interesse deles, será nosso também, pois são jogadores de muita qualidade”, disse Pereira.

Confira abaixo a entrevista completa com Carlos Eduardo Pereira:

PRIORIDADES E PRINCIPAIS PROPOSTAS

Minha maior prioridade é fazer o Botafogo voltar ao Ato Trabalhista. Hoje, o clube é considerado sonegador e isso é péssimo para qualquer tipo de política financeira que queiramos implantar. Voltando ao Ato, livraríamos o clube das penhoras e voltaríamos a ter receitas. Na mesma linha, precisamos pagar as primeiras parcelas do Refis. Já contamos com um grande investidor para nos ajudar, já a partir de dezembro. Mesmo com pouco tempo de negociação com o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em função do recesso de fim de ano. Precisamos também negociar os empréstimos feitos pela atual gestão, que não passaram pelo Conselho Deliberativo e pelo Conselho Fiscal e se tornaram mais um acervo de dívidas para o clube. Buscaremos entender a origem dessas dívidas e negociar com os credores, já que o Botafogo não tem capacidade de pagamento no momento. Depois, modernizaremos o departamento de futebol, pois hoje não temos um Centro de Treinamento e nem vice-presidente de futebol. A retomada do Engenhão é outro ponto importantíssimo para nós, pois é o maior gerador de receitas para o clube. Um sócio torcedor mais agressivo se faz muito necessário, e para isso, contamos com o nosso estádio. Queremos também fazer uma reforma estatutária, democratizando o Botafogo, com direito a voto para o sócio-torcedor e a criação, de fato, de uma categoria de sócio contribuinte, pois a que existe é péssima.

PLANEJAMENTO PARA O FUTEBOL

Buscaremos formas de tornar o futebol autossuficiente, descolando o futebol do clube social. Porém, não podemos reduzir tanto o orçamento, já que provavelmente, teremos que pegar o Botafogo em uma situação que não condiz com a sua grandeza, na segunda divisão. Apesar do modelo (subindo quatro times) facilitar o acesso, não podemos brincar com um clube gigante em uma situação ruim. O Botafogo tem um departamento de futebol caro, mal escolhido e com um plantel muito fraco, principalmente depois da decisão de dispensar os quatro atletas (Emerson, Edílson, Bolívar e Júlio César), como fez a atual gestão. Implantaremos um novo modelo, com um superintendente verticalizando a gestão. O Vagner Mancini e o Gottardo estão abandonados no futebol. São dois profissionais que respeito muito e que não podem ser apontados como culpados pelo fracasso alvinegro nesse ano. Ainda assim, é precipitado tomar qualquer tipo de partido nesse momento. Após o campeonato e caso nós venhamos a assumir a presidência, tomaremos essa decisão em conjunto.

Tudo o que envolve essa gestão passa por uma falta de transparência e até uma falta de lógica que assustam. Não sabemos sequer se os jogadores dispensados tiveram seus contratos rescindidos. Descobrindo qual a situação de fato, se o Botafogo puder utilizá-los e for do interesse deles, será nosso também, pois são jogadores de muita qualidade.

PLANOS PARA O ENGENHÃO

O primeiro ponto é termos uma conversa franca com a prefeitura para saber concretamente qual a previsão de reabertura do Engenhão. O Botafogo precisa lutar para ser ressarcido dos prejuízos que teve, pois precisa de receita e certamente tem direito, já que teve seu estádio tomado e ficou a esmo, sem nem ter tempo de se programar. A partir daí, analisaremos a possibilidade de novas receitas. Captaremos recursos no mercado. Uma coisa muito importante é a negociação de naming rights do estádio, algo que compete ao Botafogo e pode se mostrar uma luz no fim do túnel, já que como próximo estádio olímpico, o Engenhão representa um grande valor para o mercado internacional. Inclusive, já temos empresas interessadas nesse sentido. Respeitaremos os contratos e avaliaremos os mesmos para fazer com que tenhamos o máximo de receitas provenientes do Engenhão. Outro ponto muito importante: o Engenhão será botafoguense. Alvinegro, como tem que ser. As cadeiras não serão azuis e vermelhas, como nessa gestão, de forma assustadora. O Botafogo precisa se impor e tornar o estádio mais aprazível para o seu torcedor.

PROJETOS DE MARKETING E SÓCIO-TORCEDOR

No departamento de marketing, teremos a volta do Márcio Padilha, responsável por toda a estruturação da área no Botafogo no começo da última gestão, um dos únicos acertos dela. Depois que fugimos das diretrizes originais e com a saída do Márcio, nós perdemos muito. Ele será o grande responsável por fazer o barco do Botafogo tocar e confio plenamente em sua capacidade. Integraremos o marketing e o comercial, pensando em valorização da nossa marca, que já está consolidada: todos conhecem o Botafogo, que é um dos maiores clubes do mundo. Precisamos de credibilidade e autoestima. Vamos valorizar o clube e esse será o foco do planejamento de marketing.  Já pelo lado do programa de sócio-torcedor, precisamos mudar o atual programa e torná-lo mais agressivo. Precisamos abaixar os preços e aumentar o número de torcedores no estádio. Democratizar a política é outra bandeira da nossa chapa. Queremos dar direito a voto aos sócios-torcedores. Além disso, praticaremos preços baixos, trazer o torcedor de volta ao estádio, o mínimo permitido pela Federação e Ministério Público. Queremos estádios cheios. Além disso, criaremos um modelo de sócio contribuinte mais barato, com o pagamento de joia e mensalidade mais barato e baixando a taxa de manutenção. Temos que corrigir categorias que não pagam no clube, para aumentar a renda fixa do Botafogo.

DIVISÕES DE BASE, CT EM MARECHAL HERMES E CAIO MARTINS

Temos uma pendência levantada pelo MP e associação de moradores próximas ao estádio, por isso, ele está em péssimo estado de conservação. Buscaremos negociar com comunidade e investidores, para fazer Caio Martins voltar a ser fonte de renda para o clube. Marechal Hermes foi derrubada e é um terreno pequeno (menos de 20 km²), não é suficiente para um CT. Por isso, não é uma prioridade para 2015, só poderemos mexer nisso a partir de 2016. Por isso, construiremos um CT em uma área maior (cerca de 100 m²), para integrar as divisões de base. Utilizaremos nossos atletas, que são de qualidade. Vimos o Gabriel, Jadson, Vitinho e tantos outros dando retorno técnico e financeiro. É isso que queremos, reformular o Botafogo. Integraremos a base ao futebol profissional e faremos o Glorioso voltar a ser forte.

QUAL PANORAMA ESPERA ENCONTRAR NO CLUBE?

Minha grande preocupação é mexer no “esqueleto” do Botafogo. A cada gaveta que você abre em General Severiano, tem surpresas desagradáveis e mais apreensão para os próximos anos. Metade das receitas estão comprometidas para 2015. O plantel de 2014 não recebeu quase nada, fundamentalmente dependemos do acordo com o TRT para voltar ao Ato. O Tribunal precisa entender que o Botafogo quer pagar as dívidas e irá quitá-las, dentro de sua capacidade de pagamento. A transparência será uma norma na nossa gestão. Além disso, já temos uma nova fabricante de materiais para 2015 engatilhada, pois desejamos melhorar o patamar dos nossos rendimentos nesse sentido. Vamos conversar para renovar o patrocínio master com a Guaraviton, que quer permanecer no Botafogo. Mas o principal, de fato, é desbloquear receitas. Não podemos ficar passivos, como a Chapa Azul, que representa a continuidade da gestão tenebrosa de Maurício Assumpção. Representa a situação, possui quase 80% dos sócios ligados ao atual presidente. Por fim, tenho uma pergunta para o torcedor do Botafogo: Você está satisfeito? Sócio do Botafogo, você está satisfeito? Tivemos nossa pior participação nos pontos corridos, fomos muito mal na Libertadores, um ano pífio. Se você não está satisfeito, junte-se a Chapa Ouro! Vamos mudar o Botafogo.

Fonte: ESPN.com.br