Ao entrarem em campo, neste domingo, às 16h, para enfrentar o Internacional, os jogadores do Botafogo exibirão, na barra da camisa e na parte detrás do calção, a logomarca de uma empresa de call center. O novo patrocinador, que fechou acordo até o fim da temporada, foi conseguido após uma experiência pontual nos confrontos contra Santos e Corinthians realizados neste mês — um modelo que o clube tenta repetir.

Com dificuldade para atrair investidores, o Alvinegro tem, desde 2015, firmado acordos temporários. Além do departamento comercial, há duas agências de marketing esportivo responsáveis por fazer a ponte com potenciais patrocinadores.

— Funciona como uma espécie de degustação — afirma Marcio Padilha, vice-presidente de marketing.

Geralmente, esses acordos acontecem quando há atrativos especiais, como a estreia de um grande jogador ou a exibição em TV aberta.

Adriano de Souza, publicitário especializado na captação de patrocínios, destaca que, para os anunciantes, os acordos permitem que a marca seja exposta por mais tempo — e por um preço bem menos salgado.

— É bem mais barato do que pagar para anunciar em um comercial de televisão — exemplifica o publicitário.

O Botafogo não revela os valores que envolvem os seus acordos. Mas, o mercado costuma oferecer entre R$ 20 mil e R$ 70 mil pelo patrocínio de uma partida, dependendo do peso dos clubes envolvidos e da expectativa gerada pelo confronto.

Hoje, o maior desafio da diretoria alvinegra é encontrar um parceiro para estampar o peito do uniforme, o espaço nobre, que costuma representar parcela significativa da receita de um clube e está vazio desde 2015.

Modelo que enfraquece a marca

Firmar acordos pontuais é uma prática frequentemente associada a clubes de menor expressão, que aproveitam confrontos contra gigantes do futebol para abastecer os cofres. Mas, em tempos de crise econômica no país, eles têm salvado a pele de muita gente. Santos e São Paulo, por exemplo, já tiveram que optar por esse caminho — mesmo sob o risco de desvalorizarem seus uniformes.

— É uma questão de ponto de vista. Ter a camisa vazia é pior em tempos de crise. Bem ou mal, arrecadamos — considera o vice-presidente de Marketing Marcio Padilha.

O publicitário Adriano de Souza frisa que acordos pontuais diminuem o valor da marca. Mas diz que, na crise, a prática é compreensível:

— O torcedor quer a camisa limpa e craques no elenco, mas ele não paga conta. O dirigente sim. Recusar dinheiro na crise é loucura.

Fonte: Extra Online