Bruno Silva no Cruzeiro. O assunto começou a ganhar as manchetes no último dia 4 de outubro, quando o lateral-esquerdo Diogo Barbosa, atualmente no clube mineiro e que na temporada anterior foi companheiro do meio-campista no Botafogo, escreveu “estou te esperando” [com um emoji de ‘boca fechada’] como um comentário em post do alvinegro no Instagram.

Dias depois, tanto Diogo quanto Bruno buscaram explicar a interação: “Eu sou de Belo Horizonte, aí postei a foto na folga e iria para lá visitar meus pais. Ele [Diogo] comentou: ‘vem que estou te esperando’. Falei que ia visitar ele lá, não tem nada de Cruzeiro, não (…) estou feliz aqui no Botafogo. Com a cabeça boa e focado nessa reta final de Brasileiro para que a gente possa conseguir nossos objetivos”, afirmou o botafoguense, em entrevista coletiva no dia 10.

E se o torcedor alvinegro estava tranquilo após as palavras de um dos maiores destaques da temporada, com números importantes tanto no setor ofensivo quanto defensivo da equipe treinada por Jair Ventura, o presidente do Cruzeiro, Gilvan de Pinho Tavares, voltou a assustar os botafoguenses ao anunciar, domingo (22), a contratação do jogador. Uma declaração que impressionou até mesmo o clube do estádio Nilton Santos.

Após a declaração do mandatário cruzeirense, tanto o seu sucessor no cargo quanto o empresário do jogador negaram qualquer tipo de acerto. Mas onde há fumaça, há fogo. Gilvan seria de uma irresponsabilidade gigantesca se inventasse algo assim do nada. Em campo, a declaração ganha um peso maior exatamente pelo momento vivido pela equipe carioca, que desde que o assunto começou a ganhar as notícias não conseguiu resultados satisfatórios para os seus torcedores e viu adversários encostarem na briga por uma vaga na próxima Libertadores.

Desde o comentário de Diogo Barbosa, foram disputados três jogos: Chapecoense [dia 10, em casa], Vasco [14, fora] e Avaí [18, fora]. A única vitória obtida foi no embate disputado no Nilton Santos, com atuação considerada abaixo do esperado e com gol nos acréscimos anotado por Vinícius Tanque – foi derrotado pelo Vasco e empatou no último minuto contra o Avaí, em noite de péssima atuação.

Nestes três jogos não faltou empenho ao Glorioso – algo inclusive provado em números. Mas faltou capricho e criatividade para criar grandes lances de perigo. Algo previsível de se acontecer em um time que é muito mais vontade do que habilidade. E a triste coincidência é que o desempenho de Bruno Silva é um espelho disso.

Embora tenha mantido o seu empenho, e médias defensivas e de chegada ao ataque, houve queda na qualidade das finalizações [o jogador, que tem média de 1.20 chutes completos por rodada, arrematou apenas uma vez contra cada um dos três adversários – o chute perigoso contra o Avaí, que exigiu grande defesa do jovem Douglas Friedrich]. Nas disputas pela bola também houve uma diminuição [38.8%, 27.2% e 3.6% no período contra uma média pessoal de 48.2% no certame].

Bruno Silva tem contrato com o Botafogo até 2018. Se vai continuar ou não a vestir o preto e branco carioca, hoje é uma dúvida. Mas ao menos não tem faltado empenho durante este breve momento de especulação. O que tem faltado é poder de decisão para quem é mais vontade do que habilidade: e isso se aplica tanto à equipe de Jair quanto ao seu jogador de linha mais importante.

Fonte: Goal.com