O cruzeirense estava muito confiante. O seu time, afinal, havia vencido o forte River Plate por 1 a 0 na Argentina e precisava de apenas um empate em casa para avançar às semifinais da Copa Libertadores da América. Mas a equipe millonária conseguiu a “remontada”: depois de decepcionar em seus domínios, calou o Mineirão e conquistou a vaga com um impiedoso 3 a 0 .

Ficou assustado? Não deveria. Em outras oportunidades, os argentinos já conseguiram frustrar equipes brasileiras depois de serem considerados praticamente eliminados por torcedores e jornalistas brasileiros. Duvida? Então relembre, abaixo, seis casos recentes em que times do país vizinho “se fingiram de mortos” e depois “passaram a perna” em clubes brasileiros em torneios continentais. Se sentir falta de algum, pode escrever na caixa de comentários!

Atlético-MG x Rosário Central – final da Copa Conmebol de 1995

Pergunte a qualquer torcedor quem é o rei das viradas do futebol brasileiro nos últimos anos. A resposta mais provável é Atlético-MG, certo? O time alvinegro, afinal, tem se tornado mestre em conseguir vitórias improváveis, na base do grito “Eu acredito!”. Mas nem sempre foi assim. Ou melhor: teve uma vez em que nem mesmo o mais pessimista dos atleticanos acreditou no que havia acontecido. Foi na final da Copa Conmebol de 1995. A equipe mineira venceu o Rosário Central por 4 a 0 no jogo de ida, no Mineirão, e simplesmente conseguiu perder o título na partida de volta. Pois é! O time argentino devolveu o 4 a 0 no Gigante de Arroyito e levantou a taça após triunfo nos pênaltis. Você acredita?

CSA x Talleres – final da Copa Conmebol de 1999

Você não leu errado: CSA e Talleres decidiram a segunda competição mais importante da América do Sul há 16 anos. E a experiência foi traumática para o time alagoano. Até hoje única equipe do Nordeste a jogar uma final internacional, o CSA chegou a flertar com o título do torneio. O motivo? Venceu o jogo de ida da grande decisão da Conmebol de 1999 por 4 a 2, dentro de casa. Mas tudo caiu por terra na partida da volta. O time argentino pressionou os brasileiros do início ao fim em Córdoba, fez 3 a 0 e frustrou a alegria nordestina. Todo mundo já dava como certa a taça ao CSA…

Paysandu x Boca Juniors – oitavas de final Copa Libertadores de 2003

Este caso é clássico. O então desconhecido Paysandu viajou a Buenos Aires para, segundo a imprensa sul-americana, perder de pouco. Foi lá que chocou: com nove jogadores em campo, superou o Boca por 1 a 0 com gol de Iarley e, na ocasião, tornou-se a terceira equipe brasileira a vencer o time xeneize na Bombonera – só o Santos de Pelé e o Cruzeiro de Ronaldo haviam atingido tal feito. O jogo da volta, em Belém, então, seria realizado apenas para sacramentar a vaga paraense às quartas de final da Libertadores, certo? Errado. O Boca Juniors calou um Mangueirão lotado, triunfou por 4 a 2 e pôs fim ao sonho bicolor. De quebra, ainda foi campeão continental sobre o Santos semanas depois. Que virada doída!

Botafogo x River Plate – oitavas de final da Copa Sul-Americana de 2007

É sempre bom fugir dos clichês, mas, neste caso, fica quase impossível: “tem coisas que só acontecem com o Botafogo”. O time alvinegro venceu o River Plate por 1 a 0 no jogo de ida, no Rio de Janeiro, e chegou a ter vantagem de 2 a 1 no duelo da volta, em Buenos Aires. Sendo que podia perder por 3 a 2 que, mesmo assim, se classificaria. Confronto definido, né? Não. Mesmo com dois jogadores expulsos, a equipe argentina fez simplesmente três gols em 20 minutos e conseguiu uma remontada inacreditável. Com um gol no último minuto, ressurgiu das cinzas, eliminou o Botafogo após o 4 a 2 no Monumental de Núñez e provou que os hermanos nunca podem ser dados como vencidos.

Cruzeiro x Estudiantes– final da Copa Libertadores de 2009

Certamente muitos torcedores celestes se recordaram deste confronto quando assistiram à eliminação desta quarta-feira, diante do River. O Cruzeiro havia segurado o 0 a 0 com forte Estudiantes no jogo de ida da decisão continental de 2009, na Argentina, e precisava de apenas uma simples vitória em casa para faturar o título da Libertadores. Henrique fez 1 a 0 já no segundo tempo e colocou os brasileiros na frente no Mineirão. Só uma improvável virada daria o título ao time de Verón. E ela aconteceu. Fernández e Boselli marcaram em sequência e fizeram o estádio azul se calar para ver o Estudiantes ser campeão. Quem disse que times argentinos não têm sete vidas?

Goiás x Independiente – final da Copa Sul-Americana de 2010

O time esmeraldino havia acabado de eliminar o Palmeiras de virada na semifinal e estava muito motivado para conquistar o primeiro título internacional de sua história. O primeiro jogo da decisão? Foi 2 a 0, com dois gols no primeiro tempo, no Serra Dourada. Era só não vacilar na volta que os argentinos seriam vices. Mas a taça que parecia certa para o futebol brasileiro, novamente, ficou em território argentino. O Independiente fez 3 a 1 no tempo normal e, depois de triunfar por 5 a 3 nos pênaltis, protagonizou outra virada hermana para cima de um time do Brasil. Como diria o ditado que eles tanto gostam, “nunca está morto quem peleja”. Tem como questionar?

Fonte: Terra