A amargura da derrota não pode nos impedir de enxergar o bom jogo que fez o Botafogo e o excelente espetáculo que os times protagonizaram nesta tarde. Para o Glorioso, além do alento do bom futebol, resta a noção da importância de uma vitória praticamente obrigatória na próxima rodada, na Arena Botafogo, contra a já “de férias” Ponte Preta.

Jair surpreendeu na escalação e mandou o Alvinegro a campo com uma escalação bem parecida com a usada na vitória contra o Cruzeiro no Mineirão. Empurrando Emerson para a lateral, inserindo Emerson Silva na zaga e transformando o Alemão em meia, o treinador deu mais solidez à zaga sem tirar a força ofensiva com muita velocidade pelos lados.

Tentando consertar a falta de poder de fogo, Ventura recuou um pouco Neílton e usou Camilo, na maioria das jogadas ofensivas, como um finalizador, dando uma referência na área – algo que claramente faltou contra a Chapecoense, na última partida. Ainda assim, não consigo entender quais são os motivos para manter Sassá, o artilheiro do time e único centroavante de ofício do elenco, no banco de reservas.

No primeiro tempo, o Botafogo foi melhor em sua proposta. Fechou a casinha, tentou ceder o menor espaço possível e esperou as oportunidades para explorar os contragolpes. O Palmeiras fez seu jogo e sua obrigação, pressionando durante os primeiros 45 minutos com mais de 70% da posse de bola. Ainda assim, foi o Fogão que teve as melhores chances: uma com Alemão, uma com Carli e outra com Pimpão. O Palmeiras só assustou na bola parada, com Moisés cabeceando em dividida com Sidão e uma bola que resvalou em Gabriel Jesus, impedido, e saiu.

O que me impressionou foi a atmosfera criada no estádio a partir dos próprios jogadores do Palmeiras. Em todos os lances de contato, os jogadores se atiravam ao chão e pediam a falta, sendo acompanhados por um ensurdecedor chiado das arquibancadas. Na maioria das vezes, o juiz caiu na artimanha e marcou faltas inexistentes; em algumas delas, exagerou ainda mais ao aplicar cartões. Por outro lado, o carrinho imprudente de Zé Roberto, que tirou Alemão de combate ainda na 1ª etapa, não foi sequer considerado infração.

Já na segunda etapa, o Botafogo, diante da necessidade de bons resultados, tentou ser mais ofensivo. Nos primeiros 20 minutos, o Glorioso foi muito superior em campo, diante de um Palmeiras surpreso e até um pouco perdido, pressionando em busca do gol. Numa dessas subidas, o adversário mostrou que também é bom de contra-ataque e, numa falha coletiva da zaga, conseguiu um gol de cabeça com o baixinho Dudu.

A partir daí, o Botafogo se perdeu em campo. Perdeu o foco, deixou de comandar as ações e se preocupou mais em reclamar do juiz. A derrota foi dura, mas a vendemos bem caro e jogamos um bom futebol dentro do que nosso elenco permite. Jair fez um bom trabalho com o material que tem e esteve bem perto de um resultado positivo.

É com o espírito de final do jogo de hoje que o Botafogo deve encarar a próxima rodada. Uma vitória é essencial para alcançarmos o objetivo da vaga na Libertadores. Com o confronto entre Atlético-PR e Corinthians, temos a possibilidade de garantir a classificação ou, pelo menos, nos colocar em posição de vantagem. Espero todos na Arena Botafogo!

Notas

Sidão: 8
Diversas boas intervenções e defesas. Não teve culpa no gol.

Emerson: 7
Foi muito bem como lateral, até melhor do que como as últimas apresentações na zaga. Assim como todo o sistema defensivo, falhou no gol.

Joel Carli: 6
Cortou todas que conseguiu e resistiu bem à pressão do 1º tempo. No gol, olhou a bola como os companheiros e teve sua parcela de culpa. Precisa controlar o ímpeto ao falar com os juízes, pois vem levando muitos cartões assim. Já no fim, levou infantilmente o 3º amarelo e será desfalque gravíssimo.

Emerson Silva: 6
Faz o básico e afasta todas por cima e por baixo. É um bom reserva e foi bem no teste de hoje, apesar da falta de intimidade com a bola.

Diogo Barbosa: 6,5
De volta à função de lateral, mostrou bom posicionamento. Faltou caprichar nas chegadas à frente.

Rodrigo Lindoso: 6,5
Sentiu muita falta de Aírton e teve que se dobrar na marcação. Ainda assim, jogou bem.

Dudu Cearense: 6,5
Substituiu Aírton bem na saída de bola, mas não tem característica de marcação. Ainda assim, melhorou sua média de atuações.

Alemão: 5
Por diversas vezes, era o único fora de posição no jogo sem a bola. Deixou vários espaços pela direita, muito explorados por Dudu e Moisés no 1º tempo. Não é bom tecnicamente, mas tenta compensar com muita vontade.

Rodrigo Pimpão: 7,5
O mais lúcido do setor ofensivo mais uma vez. Surpreendente a sua capacidade física de desempenhar o importante papel tático, fechando o meio pela esquerda, como um extremo, mas sem perder em presença perto da área.

Neílton: 6,5
Mais recuado e longe do gol, melhorou um pouco o seu jogo. Boas arrancadas aqui e ali, mas não teve a capacidade de quebrar linhas e resolver individualmente que mostrou em outras oportunidades.

Camilo: 6,5
Mais perto do gol, tentou fazer o papel de referência. Diversas finalizações foram travadas no limite, evitando que ele marcasse gols. Foi bem nessa nova função, apesar de ainda estar longe do brilho da arrancada que nos levou à briga pela Libertadores.

Fernandes: 3
Entrou muito mal. Sentindo pela falta de ritmo, não conseguiu acompanhar o resto do time e errou muitos passes. Ficou tão nítido que foi substituído, mesmo não tendo sido titular.

Leandrinho: 2
Conseguiu uma façanha: entrar pior do que Fernandes. Novamente nervoso, foi expulso por reclamação. Sinto falta do bom futebol que já mostrou no elenco principal e principalmente na base.

Sassá: 4
Entrou mais preocupado em reclamar com o juíz do que em vencer. Parece não estar com a cabeça no Botafogo e pensa antes nele do que em nossos objetivos.

Jair Ventura: 7,5
Apesar da derrota, suas mudanças surtiram efeito mesmo sem ter tido tempo de treinar. Fechou a defesa sem abdicar de jogar, principalmente no segundo tempo. Em uma falha geral da zaga, perdeu o jogo. Acontece.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC