Um dos principais motivos de insatisfação dos clubes cariocas no racha com a Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj), a taxa de 10% cobrada pela entidade a cada jogo já teve alto rendimento, principalmente, com as chamadas novas arenas da Copa do Mundo deste ano. Nas partidas disputadas por cariocas no Maracanã, no Mané Garrincha, em Brasília, e na Arena Pernambuco, em Recife, a Ferj embolsou um valor próximo R$ 5,5 milhões até o momento.

Atualmente o opositor mais ferrenho à Federação, o Flamengo pode ser visto como o trem pagador da arrecadação de taxas da Ferj. Entre as 69 partidas disputadas desde a reabertura do Maracanã aos clubes em julho de 2013, por exemplo, o Rubro-Negro é quem mais gerou lucro por meio das taxas: cerca de R$ 1,9 milhão, de acordo com site Futdados. Quase R$ 500 mil foram cobrados dos R$ 9 milhões da renda bruta da final da Copa do Brasil de 2013, vencida pelo clube carioca. A política de cobrança da Federação incomoda, principalmente se houver comparação com outros estados.

As federações gaúcha e paulista, por exemplo, exigem o pagamento de 5% da renda bruta de cada partida como taxa. No Rio de Janeiro, o percentual da mordida salta para o dobro, ou seja, 10%. A diferença para outras praças, segundo os clubes, nunca teve justificativa. Pelo contrário.

Divulgação/Ferj

Rubens Lopes foi reeleito presidente da Ferj
Presidente da Ferj ironizou: ‘Vão jogar em São Paulo’

Foi até motivo de ironia por parte de Rubens Lopes na terça-feira, sugerindo aos insatisfeitos que fossem disputar campeonatos em São Paulo. A taxa acima dos padrões gera revolta, principalmente quando relacionada ao sistema político da Ferj, onde pequenas ligas amadoras também têm poder de voto na eleição presidencial.

“Usam dinheiro do Flamengo, do torcedor, do sócio para distribuir para ligas. É um programa institucionalizado de distribuição da nossa receita com compra de votos. É o bolsa liga. Crie uma liga, vote em mim e eu te repasso o dinheiro que arrecado com os clubes grandes. Ou três grandes, pelo menos”, afirma o vice-presidente de finanças do Flamengo, Rodrigo Tostes.

Três grandes porque o Botafogo, até o momento, permanece ao lado da entidade. A relação é estreita. Além do patrocinador do Campeonato Carioca ser o mesmo que estampa sua marca na camisa do Botafogo, Rubens Lopes, presidente da Ferj, chefiou a delegação alvinegra na viagem para enfrentar o Unión Española, do Chile, pela Libertadores. Na eleição da entidade, na terça-feira, Lopes foi reeleito por aclamação após um pedido de Maurício Assumpção, presidente do clube de General Severiano.

Apesar disso, o Botafogo praticamente ignorou o Campeonato Carioca deste ano. Repleto de reservas, acumulou prejuízos nos borderôs dos jogos e foi eliminado por antecipação. Atual campeão da edição, o clube é o segundo que mais gerou lucro da taxa Ferj desde a reabertura do Maracanã: R$ 900 mil. Em seguida, vem o Fluminense, com R 526 mil. Depois, o Vasco, com R$ 337 mil.

Brasília: distante, mas muito lucrativa

Os R$ 5,5 milhões de taxas da Ferj gerados pelas chamadas novas arenas da Copa do Mundo têm divisão. Quase R$ 3,5 milhões deles estão no Maracanã, palco principal do futebol carioca. Mas em 2013, enquanto ainda não havia acordo entre os clubes e o consórcio que administra o estádio, o estádio Mané Garrincha foi um dos palcos preferidos, principalmente do Flamengo. Mas havia um porém.

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Recém-inaugurado para a Copa das Confederações, o estádio Mané Garrincha receberá, pelo menos, mais 6 jogos do Fla em 2013
Mané Garrincha: R$ 1,8 mi de taxa Ferj saiu do estádio

Para mandar os jogos em outros estados, os clubes cariocas precisam de anuência da Ferj. E o aval só é autorizado, claro, mediante a concordância com o pagamento da taxa de 10% da renda bruta, como se fosse um jogo no Rio. Além disso, a Federação Brasiliense de Futebol abocanhava outros 5%, como praxe no restante das federações, pela partida. Entre jogos com mandos de Flamengo, Vasco e Botafogo, o Mané Garrincha rendeu perto de R$ 1,8 mihão em forma de taxas para a federação. Só clássicos entre Flamengo e Vasco foram dois.

“Ser sócio de receita bruta é fácil. O grande questionamento é: para onde vai tanto dinheiro? Onde está a transparência? Eu tenho que pagar os impostos em dia. A organização do futebol do Rio é uma vergonha”, dispara Tostes.

Em 2013, os clássicos entre Botafogo e Fluminense e Vasco e Fluminense pelo Campeonato Brasileiro foram disputados longe do Rio. O primeiro na Arena Pernambuco, com taxa Ferj de cerca de R$ 37 mil. Já o duelo entre vascaínos e tricolores, na Ressacada, em Florianópolis, rendeu quase R$ 27 mil à Federação.

Confira abaixo os responsáveis pelos lucros da taxa Ferj:

Maracanã, ainda sem incluir a partida entre Flamengo e Bolívar, nesta quarta-feira (Fonte: site Futdados.com) – R$ 3,6 milhões

Mané Garrincha – R$ 1,8 milhão

Arena Pernambuco – R$ 37 mil

Fonte: ESPN.com.br