O segundo ano consecutivo de pausa no calendário para disputa de torneios por seleções serviu mais uma vez para muitos clubes definirem novos planejamentos, traçarem metas, corrigir o que não deu certo na primeira parte da temporada e evoluir tática e tecnicamente para a disputa derradeira. O Botafogo optou por não disputar nenhum jogo-treino ou amistoso, mas o que mais ganhou manchete foi a crise financeira em ebulição que acarretou numa espécie de “lei do silêncio” do elenco: em greve, os jogadores resolveram não dar mais nenhuma coletiva.

A última foi no dia 1º de julho, de Fernando. Desde então, nenhum atleta tem falado diante de câmeras e microfones. É a segunda vez que há um movimento partindo de dentro do ambiente. Anteriormente, os atletas não se concentraram antes da partida contra o Juventude. 2019 não tem sido fácil para o Alvinegro, dentro e fora de campo. A fraca campanha no Campeonato Carioca culminou na demissão de Zé Ricardo e a necessidade de mudança de cargo ainda no primeiro semestre. No Estadual, o Botafogo nem sequer alcançou semifinais de Taça Guanabara e Taça Rio.

Os constantes protestos da torcida chegou a esquentar o clima no último dia de trabalho de Zé e, por um triz, a covardia não falou mais alto: no desembarque no Aeroporto Santos Dumont após a eliminação na Copa do Brasil para o Juventudes, um grupo de torcedores xingou exaustivamente o profissional e quase agrediram-o.

Depois de uma passagem pelas divisões de base, Eduardo Barroca voltou para treinar o time principal. Não tardou até dar limpar a imagem da equipe nas quatro linhas. Mesmo a curto prazo, o Botafogo conseguiu obter resultados consistentes, embora as boas atuações ainda não sejam frequentes. Chegou a estar na zona de Libertadores, na quarta colocação, mas a derrota para o Grêmio, antes da Copa América, o tirou do G6 (está na sétima posição, com 15 pontos). De qualquer forma, o clima na inter-temporada era de otimismo. Mas a hesitação tomou conta com as demonstrações pública de insatisfação dos atletas.

Fonte: Terra