Marlon no Barcelona, Kenedy no Chelsea, Gerson na Roma…

O Fluminense teve uma geração de promessas que foram bem vendidas ao futebol europeu. Dentro dessa turma saiu também Gabriel Proença, que trocou o time tricolor pelo Botafogo, subiu um clube de grande torcida para a Série C e agora tenta recomeçar no futebol, lutando pelo acesso à elite capixaba pelo Estrela do Norte, neste domingo.

Às 15h, o time de Cachoeiro do Itapemirim disputa a segunda partida da semifinal da Série B do Espírito Santo diante do Serra, fora de casa. Quem avançar garante o acesso.

Com 22 anos, o lateral direito viveu grandes momentos na base da equipe das Laranjeiras. Disputou diversos torneios na Europa – inclusive, duelou contra a equipe treinada pela lenda Patrick Vieira em um deles.

Após iniciar sua trajetória no futebol de salão do Fluminense, foi transferido aos gramados de Xerém aos oito anos de idade. Por lá construiu sua carreira durante dez anos, onde atuou não só com as estrelas do clube, mas também com vários atletas que compõem o atual elenco tricolor: o volante Douglas, o lateral Léo, o zagueiro Nogueira, o atacante Pedro e o goleiro Matheus.

“A base do Fluminense sempre foi uma base muito rica, de muita qualidade. A geração dos anos de 1994, 95, 96, 97 foram as gerações com quem eu tive mais contato. Todos esse nomes ai que hoje estão em alta, eu tive o prazer de jogar junto”, conta Proença, em entrevista ao ESPN.com.br.

Jogo contra Patrick Vieira

A carreira no clube ficou marcada pelas competições de base na Europa e os adversários de renome mundial, como o Manchester City. Em um campeonato na Alemanha, chamado Torneio de Oberndorf, os jovens tricolores tiveram a oportunidade de enfrentar o sub-20 dos ingleses, que era treinado por Patrick Vieira.

“O torneio da Alemanha ficou muito marcado para mim, pois conquistamos um titulo inédito. Eu pude conhecer uma das maiores feras do futebol, Patrick Vieira, que era treinador do time deles. Foi tudo muito maravilhoso, tudo muito perfeito, e me lembro como se fosse ontem”, diz o lateral.

Na competição, o time tricolor venceu o Black Forest-ALE por 2 a 0, empatou com o City por 0 a 0, passou por Borussia Monchengladbach-ALE por 1 a 0. Na semifinal ainda derrotou o Cruz Azul-MEX, antes de triunfar na decisão contra o Freiburg- ALE por 1 a 0.

A bem sucedida geração tricolor também foi marcada por outras partidas contra gigantes europeus. Amistosos na Holanda, Itália e outros países impressionaram os garotos que, no futuro, brilhariam nos profissionais.

“A gente jogou contra a Inter de Milão no CT deles. Realmente, foi um jogo inesquecível”, relembra Gabriel.

Trocou Flu por Bota

A carreira promissora de Gabriel Proença, contudo, sofreu uma reviravolta. Ele decidiu sair das Laranjeiras e seguir para General Severiano. “Já tinha 10 anos de casa. Na época, eu estava tendo poucas oportunidades, então decidi que era hora de mudar. Hora de sair e procurar meu espaço em outro clube”, conta.

Porém, a passagem no Botafogo não saiu como o esperado e foi muito curta. “No Flu, trenei algumas vezes com o profissional, mas no Botafogo, treinei uma vez só. Nunca joguei, nunca fui relacionado em nenhum dos dois.”
arquivo pessoal

Quis o destino que sua principal conquista ocorresse longe do Rio de Janeiro. Foi em Belém, no Pará, que Proença finalmente estreou nas competições “de gente grande”.

No Remo, foi lateral na campanha em que o clube conquistou o acesso à Série C, chegando à semifinal da quarta divisão nacional em 2015.

“É time de torcida. Lembro que todos os jogos no Mangueirão eram 40 mil, 45 mil pessoas. Lembro até de um treino nosso, na véspera do jogo do acesso, deu 2 mil pessoas. Num treino!”, se impressiona Gabriel.

Recomeço no Espírito Santo

No clássico de 2004, Vieira e Edu marcaram e deram a vitória ao Arsenal diante do Chelsea

Depois de atuar pelo Macaé em 2016, ano em que o clube fez campanha mediana na Série C, Proença tenta levar o Estrela do Norte-ES de volta à primeira divisão capixaba.

“É sempre um recomeço, todo ano é um recomeço. A gente tem que encarar dessa forma. Como se fosse sempre a primeira vez, como se fosse a última oportunidade”, finaliza.

Fonte: ESPN.com.br