O jogo entre Flamengo e Botafogo, neste sábado, pelo Campeonato Carioca, mexe com o coração do volante Airton. Torcedor botafoguense na infância, ele era um dos jogadores mais jovens do elenco rubro-negro que venceu o Campeonato Brasileiro de 2009.

Revelado no Nova Iguaçu, ele defendeu o Mesquita e foi descoberto por Adílio antes de chegar ao time sub-20 do Fla em 2008.

Em poucos meses, porém, chamou atenção do técnico Joel Santana durante um treino contra os profissionais e foi efetivado ao elenco principal. A primeira chance do garoto surgiu no clássico contra o Vasco, pelo Estadual.

“O Flamengo jogava a Libertadores e poupou os jogadores. Eu entrei para marcar o Edmundo no Maracanã lotado! Meus pais estavam na arquibancada e se emocionaram muito”, disse, ao ESPN.com.br.

“Eu me divertia demais com o Joel. Ele usava óculos escuros no treino para ninguém ver quando estava olhando. ”

Mesmo com apenas 18 anos, Airton entrou em várias partidas na temporada. No ano seguinte, ele virou titular do meio de campo da equipe que venceu o Carioca e o Brasileiro.

“Tive oportunidade de jogar ao lado de jogadores consagrados. Foi uma experiência fantástica. Não começamos o Brasileiro bem, mas depois demos uma engrenada e subimos demais. A torcida veio com a gente”.

O volante lembra com carinho da união dos jogadores rubro-negros durante a temporada.

“Adriano é um cara fora de série e super humilde. A chegada dele teve impacto gigantesco. Quando a situação estava complicada em campo ele sempre pedia a bola e resolvia o jogo”, elogiou.

Depois que Cuca foi demitido, em julho, Andrade assumiu como treinador e comandou a reação no torneio.

“Era um cara muito sério e querido no clube. Nós abraçamos a causa e deu certo”.

O momento mais especial para Airton foi a partida final contra o Grêmio, quando o time rubro-negro venceu de virada por 2 a 1.

“Estava entupido de flamenguistas. depois do jogo o pessoal saía dos carros e pulava no meio da rua. Fazia 17 anos que não ganhava o Brasileiro. Eu estava só começando minha carreira e não imaginava que pudesse conseguir”, recordou.

No começo de 2010, Airton foi para o Benfica a pedido do técnico Jorge Jesus. Chegou a ser campeão português e da taça da liga, além de disputar a Champions League em uma equipe que tinha nomes como David Luiz, Di Maria, Ramires, Saviola e Aimar.

“Eu era muito novo e de família humilde. O Flamengo não queria liberar, mas acabou aceitando. Foi uma experiência boa demais e joguei com vários grandes jogadores. O Jesus entende muito de futebol”.

Em 2011, o volante não estava jogando com tanta frequência e resolveu voltar ao Flamengo para ter mais espaço.

Airton ainda passou pelo Internacional antes de chegar ao Botafogo, em 2014. No começo, enfrentou desconfiança da torcida por ter defendido o rival.

“Eles mudaram comigo depois que comecei a ir bem dentro de campo e quando ficaram sabendo que era botafoguense desde a infância”, recordou.

Quando se casou, em 2016, Airton recebeu uma surpresa da noiva, que entrou na cerimônia usando um meião do Botafogo. O bolo também tinha uma foto do casal usando o uniforme do clube alvinegro.

“Foi uma grande emoção, ela não me contou nada! A torcida quando soube ficou maluca”, afirmou.

“O momento mais marcante para mim foi marcar um gol na Libertadores no Engenhão lotado. Cheguei a ser treinar afastado, mas também vivi a melhor fase da minha vida no Botafogo”, admitiu.

Após deixar o time alvinegro, Airton ficou no Fluminense de 2018 a 2019, quando acertou para jogar pelo Amazonas FC para jogar o Estadual.

“Eu estou feliz porque o clube tem um projeto bacana. Só recebi boas informações porque é um clube organizado. Espero que nos poucos jogos possa ajudar a ser campeão. Depois, vou ver como será a carreira”, disse.

No sábado, o volante de 30 anos sabe para quem irá torcer no clássico entre Flamengo e Botafogo.

“O coração fica emocionado porque são dois times que passei, mas torço pelo Botafogo! Fogão tem que ganhar no final de semana!”, finalizou.

Fonte: ESPN Brasil